Morre o ex-deputado Severino Cavalcanti, o rei do baixo clero no Congresso

O político de Pernambuco tinha 89 anos. Ele cobra mensalinho dos donos de duas lanchonetes na Câmara dos Deputados

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti morreu na quarta-feira, 15, aos 89 anos (faria 90 em dezembro). Era conhecido como “rei do baixo clero” e se tornou presidente da Câmara em 2005, mas, denunciado por ter criado o “mensalinho”, renunciou tanto ao cargo quanto ao mandato. Ao prorrogar o contrato de concessão de duas lanchonetes na sede do Legislativo, o parlamentar cobrava 10 mil reais por mês. Imitando Fidel Castro, Severino Cavalcanti bradou: “Todos seremos, em muito breve, julgados pelo povo. Para quem dedicou sua vida à política, esse é o julgamento que conta, a sentença que importa. Voltarei. O povo me absolverá”. Não absolveu: ele não conseguiu voltar para Brasília. Depois, foi eleito prefeito de João Alfredo, em Pernambuco, mas, para não ser cassado, acabou renunciando.

Severino Cavalcanti: o político que levou o baixo clero ao poder na Câmara dos Deputados | Foto: Reprodução

Na disputa pelo comando da Câmara, Severino Cavalcanti derrotou Luiz Eduardo Greenhalgh, o candidato bancado pelo então presidente da República, Lula da Silva. O baixo clero se uniu e venceu o rolo compresso do governo federal. Na época, dizia-se que o baixo clero batia carteiras e passaria a bater caixa forte (e não é uma referência ao político de Pernambuco, e sim ao baixo clero).

Adepto da política do toma-lá-dá-cá, Severino Cavalcanti disse, em 2005, à então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff: “O que o presidente (Lula) me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo. É essa que eu quero”. Estava se referindo à Diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, para a qual havia indicado um apaniguado.

Severino Cavalcanti teve uma longa carreira política: foi deputado estadual por sete mandatos (28 anos) e deputado federal por três mandatos (12 anos). Ele foi prefeito de João Alfredo por duas vezes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.