Mesmo internautas cautos podem ser vítimas do submundo da internet

A internet é uma maravilha, como fonte de informação, de comércio e até de relacionamentos nas redes sociais, mas oferece perigos

Greice Fernandes Guerra

A rede mundial de computadores, iniciada em plena Guerra Fria, tinha fins militares e constituía uma das maneiras de as forças americanas manterem as comunicações, caso ataques inimigos destruíssem os meios convencionais de telecomunicações. Os Estados Unidos, temendo ataques russos, criou um sistema de compartilhamento de informações objetivando facilitar também estratégias de guerra.

Somente na década de 90, a “era que nos conectou”, ocorreu o “boom da Internet”. Visto que a mesma expandiu-se pelo mundo por meio de browsers — como Internet Explorer, Netscape, Mozilla Firefox, Google Chrome, Lynx e outros tantos. Mediante tal “divisor de águas” no mundo tecnológico, ocorreu a criação e a proliferação de diversos sites, chats, blogs e redes sociais, transformando a Internet em uma “teia” virtual global.

A globalização foi a principal responsável pela alavancagem e propagação da Internet pelo mundo, sendo um “marco histórico” importante e decisivo em nível de tecnologia, uma vez que rompeu barreiras, aproximou pessoas, culturas, idiomas, países e principalmente informações, acontecimento este que não ocorria desde a chegada da televisão na década de 50.

Atualmente, a Internet é utilizada mundialmente das mais diversas formas possíveis, seja como ferramenta de trabalho, diversão, comunicação ou pela aquisição de produtos comercializados em sites através do e-commerce.

Em meio a toda essa inovação tecnológica, evolução, benefícios e facilidades que o mundo virtual trouxe para a sociedade, e que proporcionou grandes avanços, a Internet possui o seu “outro lado”, um “lado obscuro” caracterizado por hackers ou cibercriminosos (vale ler o livro “Mercado Sombrio — O Cibercrime e Você”, de Misha Glenny), que desenvolvem softwares maliciosos e de cunho enganador objetivando vantagens, na maioria das vezes financeiras, em benefício próprio ou de um grupo de pessoas, acarretando sérios danos e prejuízos de toda ordem aos internautas.

Todos os dias, milhões de ameaças e crimes virtuais são espalhados e cometidos na Internet. Boa parte deste montante pode ser classificado como “phishing”. Tal prática, como o nome sugere (phishing significa pescaria), tem por objetivo “pescar” informações e dados pessoais importantes por intermédio de mensagens falsas. Os criminosos adquirem os nomes de usuários e senhas em um site qualquer, assim como também são capazes de obter dados de contas bancárias e cartões de débito/crédito.

Além dos “phishings” os hackers conseguem também construir páginas inteiras imitando sites de bancos e outras instituições, enviar e-mails falsos, mensagens instantâneas duvidosas e a solicitação para que os usuários cliquem em links suspeitos. Tal “manobra” converge para a mesma finalidade: roubo de informações confidenciais de pessoas e empresas a fim de obter beneficies.

Outro software perigoso e “irritante” é o “malware” que pretende acessar secretamente um sistema sem o conhecimento do usuário. Dentre os tipos de “malwares” destacam-se os spywares, adwares, phisihing vírus, cavalos de Tróia, worms, rootkits, ramsowares e sequestradores de navegadores. Estes programas são realizados com diferentes propósitos: causar danos apagando dados de um dispositivo ou sistema, corromper arquivos, permitir a abertura para entrada de outros malwares, ”espionar” hábitos de navegação do usuário, incluindo senhas, travar totalmente a máquina ou dispositivo do internauta. Por aí vai.

Os hackers ou cibercriminosos utilizam-se de todos esses dados roubados para ganharem dinheiro duplicando ou mesmo clonando cartões de débito/crédito, usando informações pessoais para fraudes, roubo de identidade, chantagens e até sequestros.

Mercados paralelos

Inclusos neste emaranhado de “armadilhas” e “perigos virtuais estão presentes também outros tipos de crimes: como a troca de informações de crianças e adolescentes relacionadas ao abuso sexual, que incita a pedofilia; a calúnia e difamação, pois, via perfis falsos, os hackers disseminam injúrias sobre a pessoa na rede, causando danos irreversíveis, prejudicando a reputação da vítima. A discriminação e preconceito também podem ser citados como crimes virtuais.

A “miscelânea” de delitos virtuais, aliada à falta de segurança nos sistemas, computadores e dispositivos, favorece ,aumenta e fomentam a criação dos “mercados paralelos” de venda em massa dessas informações pessoais e empresariais.

Dentre os diversos tipos destes mercados já existentes, pode-se citar a “Deep Web”. A Deep Web é uma área cinza e pantanosa da Internet, considerada como zona de perigo, onde tudo que é vendido ou comercializado é extremamente ilegal, ou, no mínimo, imoral.

Segundo o Businees Insider, na Deep Web pode-se encontrar venda de número de cartões de crédito roubados, válidos ou não, bem como cartões de créditos físicos que foram clonados de cartões roubados. A Deep Web pode ficar dentro de sites comuns, na forma de arquivos e dados baixáveis, ou em endereços excluídos propositalmente dos mecanismos de busca. Como tudo fica nas profundezas virtuais, e sem vestígios, os governos e autoridades policiais enfrentam dificuldades em combatê-las.

Baseado em tal explanação, é de suma importância que os usuários de internet protejam-se e estejam atentos a essas “ameaças e perigos virtuais”, adotando mecanismos eficazes e seguros em seus sistemas, através da atualização constante de softwares de proteção e excelentes antivírus, não clicando em “quaisquer” links, sites, aplicativos ou abrindo e-mails “suspeitos”. Além disso, é recomendável a mínima exposição de suas vidas pessoais e de seus familiares, bem como discrição no cotidiano profissional.

Em nível de legislação e punição contra esses crimes virtuais, o Brasil vem avançando na elaboração e aprovação de leis e regulamentação de normas que coíbam tais práticas delituosas, pois as leis já existentes são insuficientes para inibir a atuação dos cibercriminosos. Neste sentido torna-se necessário a presença do Estado e instituições judiciais para proibir atos que ultrapassem o limite da liberdade da vida alheia.

A partir toda essa abordagem geral, observa-se que as “ameaças e perigos virtuais” constituem uma problemática do mundo moderno, uma vez que os crimes virtuais aperfeiçoam-se cada vez mais, exigindo o máximo de cuidado e cautela por parte dos usuários, onde um simples “clique” pode disparar uma série de aborrecimentos, danos e prejuízos irreparáveis e de difícil trâmite e/ou resolução.

Greice Guerra Fernandes é economista e analista de mercado.

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