Márcio Corrêa surpreendeu e ficou próximo de Antônio Gomide. E ganhou pontos ao não bancar o petista no segundo turno

A imagem do MDB é ou era a pior possível em Anápolis. Cristalizou-se a tese de que o partido era “contra” a cidade. Líderes do município indicaram nomes de secretários da Indústria e Comércio, mas o governo emedebista de Maguito Vilela rejeitava-os. Quebrou-se uma tradição — ancorada no fato de que o maior distrito industrial do Estado fica na Manchester goiana — de que Anápolis indicava o secretário da Indústria e Comércio.

Márcio Corrêa, presidente do MDB de Anápolis | Foto: Divulgação do MDB

O resultado é que, anos após anos, o MDB não conseguia eleger prefeitos e seus candidatos a governador eram mal votados na cidade (um deles chegou a ficar em terceiro lugar). Tornou-se uma sina.

Em 2020, o MDB não conseguiu colocar seu candidato no segundo turno. Mas seu candidato, o dentista e empresário Márcio Aurélio Corrêa, de 40 anos, obteve 16,49% dos votos — e muito na frente de políticos conhecidos da cidade, como João Gomes (bisonhos 0,73% dos votos), José de Lima (2,05%) e Valeriano Abreu (4,11%).

Márcio Corrêa, um dos políticos mais ligados ao presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, deve ser candidato a deputado estadual em 2022. Ou até a deputado federal. Ele está animado.

De alguma maneira, mesmo tendo sido derrotado, Márcio Corrêa saiu fortalecido. Ao declarar que não subirá no palanque de Antônio Gomide, do PT, no segundo turno, mostrou que tem personalidade, identidade e não é teleguiado. O jovem emedebista marcou posição ao não aceitar segurar a alça do caixão político do petista. Se tivesse aceitado, poderia, quem sabe, escorregar para a mesma cova.