Marconi sofre derrota mais humilhante que a das urnas

O governador Ronaldo Caiado bateu os pregos no caixão dos tucanos e, ao trazer Lúcia Vânia, os enterra de cabeça pra baixo

 Nilson Gomes

Marconi Perillo obteve grandes vitórias eleitorais, da juventude do PMDB aos cargos no Executivo e no Legislativo. Nunca havia sido derrotado até sofrer a humilhação suprema de ver os goianos irem em massa às urnas consagrar os dois maiores adversários do marconismo, Ronaldo Caiado a governador e Jorge Kajuru a senador. Agora, o que estava morto acaba de ser enterrado de cabeça para baixo com a entrada de Lúcia Vânia no governo.

Governador Ronaldo Caiado e a ex-senadora Lúcia Vânia | Fotos: Moreira Mariz/ Agência Senado

Não se trata de uma adesão. Não é uma conquista qualquer. Não foi fruto de articulação. Está se assistindo ao movimento histórico aguardado há um quarto de século: a união entre dois ramos da política moldados pela vontade popular.

Em 1994, Caiado liderou as pesquisas e a expectativa era que se consagraria governador. Em segundo lugar estava Lúcia. A seguir, Maguito Vilela. Os dois primeiros representavam a oposição ao PMDB e seu grupo.

Resultado da divisão do exército contrário à demagogia: ambos perderam. Resultado de eles terem perdido: Goiás penou com mais de duas décadas de atraso.

Nesses 25 anos, Goiás ficou sem a Celg, sem Cachoeira Dourada, sem certidões para buscar qualquer tipo de financiamento.

Foram 25 anos multiplicando as dívidas e o comprometimento da folha.

Os programas sociais, sem porta de saída, foram apenas eleitoreiros.

O período consolidou a fama de que nada no poder público funciona, que as repartições são feudos de burocracia e preguiça, abarrotadas de apadrinhados incompetentes.

Consolidou-se a cultura do Estado-paizão e da autoridade filha da mãe.

Aos amigos, o rei; aos adversários, o relho.

Essa era já era.

Lúcia e Caiado estiveram à frente de duas das transformações de Goiás, ela em 1982 e 1998, ele em 1998 e 2018, sem eles as três não teriam ocorrido.

Se Lúcia e Caiado estivessem juntos em 1994, Goiás teria alguém melhor no governo e numa das cadeiras do Senado. Caiado queria Lúcia em sua chapa do ano passado. Lúcia, idem. Se estivessem juntos em 2018, ela teria renovado seu mandato de senadora.

Mas chega de se.

Agora, estão juntos para a quarta oportunidade de reconstruir o Estado.

Ninguém acha que será fácil, pois não está sendo.

Tem sido uma provação por dia. Caiado envelhece um ano por semana e precisa acionar seu energético: ir para o meio do povo, como sempre fez e continua repetindo dia após dia, um apoio que rejuvenesce a pessoa e amadurece o gestor.

Herdou cadáver em todos os armários. Duplicata em todas as gavetas. Números ruins em todas as memórias de computador.

Tinha pilantra a dar com pau e a cada demitido se acha outro encarapitado em nomeações da época do ronca.

Saldo: R$ 50 bilhões em dívidas, pois aos R$ 24 bilhões conhecidos se somaram 26 bilhões tungados dos municípios com os incentivos fiscais. As prefeituras começaram a ganhar na Justiça seu quinhão das riquezas que o governo repassou para empresários amigos – por enquanto, apenas um processo chegou ao fim… já pensou quando forem 246…

Para restaurar, Goiás tem agora no Executivo o trio que formou a produtiva bancada do Senado: além de Caiado e Lúcia, Wilder Morais, secretário de Indústria e Comércio.

O fôlego que as prefeituras tiveram na crise veio das obras conseguidas pelos parlamentares. E, com todo respeito à atual composição, é quase impossível repetir o produto do trabalho de Caiado, Wilder e Lúcia em Brasília.

O que o PMDB e o PSDB deixaram de dívidas para o Estado, o trio obteve de recursos para os municípios: R$ 50 bilhões nos 6 anos de Wilder e no tempo todo de Lúcia e Caiado.

O êxito dos três no Congresso está à disposição do Executivo goiano.

E em áreas vitais: Wilder atraindo indústrias, Lúcia cumprindo a sua vocação de cuidar da gente humilde e Caiado comandando a reconstrução ampla, geral e irrestrita de Goiás.

Caso contasse apenas o serviço prestado, Lúcia e Wilder teriam sido reeleitos, pois lutaram demais pelo Estado e os municípios nos gabinetes de Brasília.

O serviço prestado vai continuar contando. E o serviço público vai continuar contando com Lúcia e Wilder.

É hora de comemorar.

Caiado pagou toda a folha de dezembro e o restante de novembro e 13º que herdou atrasados.

Reduziu a criminalidade em mais de 20%.

Combate com vigor as máfias do Detran, o que encaminha a extinção das irregularidades e a redução nas taxas.

Está expurgando os corruptos.

Desde que preservação da Natureza entrou em pauta, até que enfim um governador encontrou a pessoa certa para cuidar do meio ambiente (destrava a economia, combate os bandidos, capricha nos projetos e tem sabedoria para escapar das arapucas deixadas por uma ave de bico comprido).

Implantou um comitê de políticas sociais, liderado pela primeira-dama Gracinha Caiado, que ajuda famílias carentes nas cidades mais pobres, em ações que viraram modelo para administrações em outros Estados, com aplausos internacionais.

Com o reforço de Lúcia Vânia, os triunfos de Marcos Cabral vão continuar na Secretaria de Desenvolvimento Social.

Para substituir um administrador do nível de Marcos Cabral, Caiado teria de arrumar alguém de qualidade indiscutível. Conseguiu.

Valeu a pena esperar 25 anos.

Nilson Gomes é jornalista.

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Alba Borges de Medeiros

Só que o povo (gado) anda insatisfeito com o governo.

Alba Borges de Medeiros

O Marconi acabou com sua carreira política devido em parte as suas maldades com os professores e o Caiado anda usando o mesmo metodo usado pelo Marconi. Ninguém satisfeito.