Pesquisadores sugerem que o vereador está trocando uma eleição certa, para deputado federal, por uma eleição duvidosa, a de senador

Jorge Kajuru, vereador: candidato a senador, pode ajudar o senador Ronaldo Caiado ou o deputado federal Daniel Vilela na disputa pelo governo do Estado. Mas eles poderão ajudá-lo?

Não há a menor dúvida de que, ao lado de Elias Vaz (PSB), Jorge Kajuru (PRP) é o vereador-revelação da Câmara Municipal de Goiás na atual legislatura. Mas, em termos estritamente políticos, não tem experiência suficiente para avaliar cenários pré-eleitorais e eleitorais.

Dois pesquisadores experimentados sugerem que o jornalista parece acreditar que uma candidatura a deputado federal é similar à de senador. Síntese da análise de ambos: “As campanhas para deputado federal e para senador são muito diferentes. Kajuru ten­de a se eleger, até com certa fa­cilidade, para deputado. Po­rém, para senador, sua situação é mais complicada. Em­pol­gado por pesquisas extemporâneas, às vezes com grau de concentração mais em Goiânia, parece acreditar que, mesmo sem disputa e debate, já está eleito. Não é assim que funciona. A campanha para se­nador é muito dura. Se Na­poleão perdeu a guerra na Rús­sia, em 1812, para o Ge­ne­ral Gelo, ninguém deverá ficar surpreso se Kajuru perder a eleição para senador para o General Inte­rior. O elei­torado de Goiânia é gigante, mas muito dividido, e o peso do interior costuma ser, em termos de eleição ma­joritária, muito mais decisivo. No interior, Kajuru é pouco conhecido. Por isso, pode começar ‘eleito’ e terminar o pleito com uma derrota acachapante. O fato é que, em­purrado não se sabe por quem, possivelmente estará tro­cando o certo pelo duvidoso.”

Candidato a senador, Kajuru pode ajudar na campanha do senador Ronaldo Caiado (DEM) ou do deputado federal Daniel Vilela (PMDB), que postulam o go­verno do Estado. Mas poderá se ajudar, e sobretudo, os dois políticos terão condições de ajudá-lo? Possivel­mente, não. Porque a disputa em termos majoritários é uma luta na selva — “é”, diria Werner Herzog (citando Mário de Andrade), “cada um por si e Deus contra todos”.