Iris vai investir pesado na desconstrução de Marconi, pois avalia que não há outro modo de atingi-lo

Iris Rezende e Paulo Garcia: o segundo patrocina a campanha do primeiro com garra e dedicação quase filial. O petista é um “grande” cabo eleitoral | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Iris Rezende e Paulo Garcia: o segundo patrocina a campanha do primeiro com garra e dedicação quase filial. O petista é um “grande” cabo eleitoral | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

A tese hegemônica na condução da campanha do PMDB é de Iris Rezende e de Jorcelino Braga (PRP), a eminência parda do marketing do peemedebista-chefe. Iris e Braga se entendem por música. Um irista diz que Braga e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), são tratados como filhos pelo encanecido político. Iris e Braga concluíram que só há uma maneira de “desidratar” e, portanto, reduzir o favoritismo do governador Marconi Perillo (PSDB). Eles decidiram que vão trabalhar na desconstrução da imagem do governador como gestor, político e indivíduo. “Nós vamos para o tudo ou nada e vamos ‘bater’ sem dó nem piedade em Marconi. Nós só fomos para o segundo turno porque ‘atacamos’ o governador com firmeza. Vamos continuar assim até o fim dos programas na televisão. Como falta dinheiro à campanha, vamos concentrar energia e recursos financeiros nos programas de tevê”, afirma um irista de quatro costados. “Nós vamos também ‘credenciar’ Iris. Estamos dizendo que ele foi ministro duas vezes, ou seja, é um político de estatura nacional. O eleitor goiano respeita quem consolida-se na política nacional.”

O peemedebista afirma que, no primeiro turno, Iris estava profundamente irritado e, assim, ouvia pouco seus aliados. “Che­gamos a pensar que estava paranoico. Ele via um ‘espião’ de Marconi em cada esquina, mas, no segundo turno, relaxou e está ouvindo mais. Com a criação do Conselho Político de Avaliação, Iris decidiu escutar mais. Estão no conselho Ronaldo Caiado, Armando Vergílio, Maguito Vilela, Daniel Vilela, Jorcelino Braga, Paulo Garcia, Antônio Gomide, Samuel Belchior, Barbosa Neto e Agenor Mariano.”

As reuniões têm sido consideradas positivas por peemedebistas e aliados. “Das conversas e do novo planejamento saem ideias para os programas eleitorais. Não resta dúvida de que os programas estão melhores e menos engessados. Iris está mais descontraído e menos burocrático.”

Um segundo irista ouvido pelo Jornal Opção se diz realista: “É praticamente impossível derrotar o governador Marconi Perillo, dados a estrutura de campanha que montou e seu enraizamento em todo o Estado. Mas eu disse ‘praticamente”, não sublinhei que é impossível. Com um marketing guerrilheiro, sem os recursos técnicos da campanha do adversário, talvez seja possível fazer com que o eleitorado preste mais atenção nos nossos programas. Nosso objetivo é, colocando Marconi na defensiva, contribuir para aumentar sua rejeição e, deste modo, reduzir sua intenção de voto”.

O peemedebista afirma que Marconi é hábil e explora as brechas dos programas de Iris. “Mas nós vamos trabalhar, com precisão cirúrgica, para aumentar seu desgaste. Vamos atacá-lo em vários flancos, solapando suas defesas. Se não responder nossas críticas, elas podem ‘pegar’. Se responder, estará dentro de nosso jogo.” Ele sugere que o irismo quer retirar o tucano-chefe de sua zona de conforto. “Queremos puxá-lo para o nosso terreno, para a nossa guerra.”

O irista destaca que, com perspicácia, Marconi tem “fugido” da guerra, para não se “contaminar” com as bombas espalhadas pela campanha do PMDB. “Mas ele terá de entrar no jogo. As primeiras pesquisas devem mostrá-lo liderando, mas não muito, quem sabe com 14% ou 15% de frente, uma diferença que, embora pareça, não é intransponível.”

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