Senador usa os nanopartidos e os nanolíderes para sugerir à sociedade que tem apoio político, mas depende mesmo é do poder do Paço Municipal

Foto Walter Peixoto

Não inventaram o “enganômetro” para aferir como se tenta en­ganar o eleitorado — e até políticos — com as chamadas alianças com os pequenos partidos. Teo­ri­ca­mente, o senador Ronaldo Caia­do tem o apoio de 11 partidos po­lí­ticos — alguns deles verdadeiros empregos para seus dirigentes —, mas, na prática, não sabe o que re­almente tem, ou se tem. Líderes de três deles já procuraram integrantes do grupo do pré-candidato a governador pelo PSDB, José Eli­ton, para “negociar”, sugerindo que já estão “quase fechados” com o pré-candidato do DEM a go­vernador. Foram rechaçados de pronto.

Por que, se nada tem a oferecer, os dirigentes dos 11 pequenos partidos — alguns deles são, na verdade, “nanopartidos” — estão “grudados” em Ronaldo Caiado? Expectativa de poder, não é. Porque experts em política, mais matreiros do que cientistas políticos experimentados, sabem que as pesquisas de intenção de voto feitas neste momento podem não refletir o quadro eleitoral de 2018.

Ante a sapiência dos líderes, cabe a pergunta que não quer calar: os 11 partidos que supostamente estão com Ronaldo Caiado manteriam o apoio se o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), pedisse os cargos aos seus dirigentes e aliados? É muito provável que não, porque ninguém, nem os “nanopolíticos”, vive de brisa.

Iris Rezende (e sua gestão) é o oxigênio da base política que apoia o senador do DEM. Pode-se sugerir que, ao sustentar a aliança de Ronaldo Caiado, o prefeito estaria “traindo” o PMDB, o pré-candidato a governador pelo partido, Daniel Vilela, e o ex-governador Maguito Vilela, que sempre lhe deu apoio político?

Traição talvez seja uma palavra forte demais, sobretudo porque Iris Rezende e os Vilelas disputam a hegemonia no PMDB. No momento, Daniel e seu pai, Maguito Vilela, controlam o PMDB, tendo imposto uma vitória acachapante ao adversário interno quando derrotaram Nailton Oliveira, preposto do prefeito, na disputa pela presidência do partido.

Ao articular com Ronaldo Caiado, com um agregado, Samuel Belchior, como coordenador de sua pré-campanha, Iris Rezende tenta, de alguma maneira, retomar a hegemonia no PMDB — o que não será fácil. O poder não se entrega — se toma. Os Vilelas não querem “devolvê-lo” a Iris Re­zende — que se comportava como o Luís XIV do partido (“o PMDB sou eu e ninguém tasca”) — e tampouco parecem propensos a permitir que seja retomado. Os Vilelas não apoiam Ronaldo Caiado por dois motivos. Primeiro, tem um candidato, Daniel Vilela. Segundo, porque, se apoiarem o senador, estarão cometendo haraquiri. Quem é hegemônico e “en­trega” o poder nunca mais o terá. É a lei da política, é a lei da vida.

Quanto a Iris Rezende e a Ronaldo Caiado, articulando apoios de maneira subliminar, não dá mais para esconder o Sol com a peneira. Por fim, vale acrescentar que os 11 partidos não valem, para a campanha do senador, nem mesmo 11% da força do PMDB. O que vale mesmo para o presidente do DEM é a força individual do prefeito e o poder emanado do Paço Municipal. O resto, diria Voltaire, é perfumaria do jornalismo “colorido” que, não escavando a verdade, publica tão-somente o sorriso (a desfaçatez), esquecendo que também há a carranca, dos políticos.