Fábio Sousa e Thiago Peixoto dizem que crise trava reformas Política, Trabalhista e Previdenciária

Deputados sugerem que o governo, agora fraco, não tem condições de pressionar pela aprovação das mudanças e vai lutar, isto sim, para não cair

Fábio Sousa e Thiago Peixoto, deputados federais: crise política compromete aprovação de reformas para modernizar o Brasil

O presidente Michel Temer não renunciou na semana passada, mas corre o risco de se tornar um cadáver político. O peemedebista e seus advogados agarram-se ao fato de que a fita no qual aparece conversando, de modo pouco católico, com Joesley “Unabomber” Batista teria vastamente editada, segundo um perito. A informação, ainda que verdadeira, não elide o fato de que são fortes as evidências de que o sócio da JBS-Friboi deu dinheiro, de maneira ilegal, para o líder político — que está, é fato, enroladíssimo.

Enquanto discute-se se Michel Temer cai ou não, quem mais uma vez está caindo é o Brasil. Quando o país começa a se levantar, como sobrevivente das crises geradas por políticos inapetentes para a gestão política, outra crise recomeça a deixá-lo prostrado. O Jornal Opção ouviu dois deputados, Fábio Sousa, do PSDB, e Thiago Peixoto, do PSD, para que dimensionem o peso da crise.
Fábio Sousa avalia que a Reforma Trabalhista, que chegou ao Senado, “é a única que tem chance de ser aprovada”. Thiago Peixoto discorda: “Seu relator no Senado anunciou que a reforma parou, que não há condições para votar o projeto.”

O governo Temer “não tinha votos — no mínimo 308 — para aprovar a Reforma da Pre­vidência e não tem apoio popular. O governo era relativamente forte, mas agora, que se tornou fraco, não tem condição alguma de aprová-la.

Portanto, vai ficar valendo as regras atuais”, sublinha Fábio Sousa. Thiago Peixoto concorda: “A Reforma da Previdência está travada. As energias do governo estavam voltadas para as reformas, que são necessárias para reordenar o país, mas agora estarão voltadas para tentar garantir a sobrevivência do governo. A terça-feira, 23, será decisiva para se saber se a situação do governo será insustentável ou não.”

A reforma política, embora seja decisiva, também será travada, sugere Fábio Sousa. “Duas questões estão praticamente decididas: cláusula de desempenho e o fim das coligações proporcionais. Já a Reforma Política sugerida pelo deputado Vicente Cândido é péssima. É absurda a criação de um fundo, com quase 2 bilhões de reais, para bancar campanhas eleitorais. A reforma, para valer para 2018, precisa ser aprovada antes de outubro. E vai ser difícil aprova-la, pois vamos ter dias difíceis no Congresso.”

Thiago Peixoto assinala que a cláusula de barreira gradual é positiva. “O fim das coligações proporcionais ficou para 2020. Já a lista fechada não será aprovada. Quanto ao financiamento das campanhas, o parlamentar sugere que seja público. Do jeito que está, não funciona. Portanto, só sobrou, para ser eficaz, o financiamento público.”

O deputado Miro Teixeira, da Rede, apresentou uma PEC pela qual, quando o presidente cair, a eleição será direta — e não indireta, como agora. Com relatório favorável de Esperidão Amin, será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, vai ao plenário. Precisa de 308 votos para ser aprovada. Em seguida, vai para o Senado.

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