Executivo decente e competente, José Taveira recebe a Comenda das Águas

José Taveira é o CEO que todo headhunter procura para recuperar e expandir empresas. Em Goiás, viabilizou o Ipasgo e outros setores do governo do Estado

O governador Marconi Perillo cumprimenta e homenageia José Taveira com a Comenda das Águas

Euler de França Belém

Há homens que, de tão raros, se tornam imprescindíveis. É o caso do executivo José Taveira, que, se fosse norte-americano, estaria dirigindo grandes empresas de quaisquer áreas. Seria um CEO dos sonhos dos headhunters.

Apontado como homem das missões impossíveis, José Taveira tem um lema: tudo é possível — desde que se trabalhe muito, que se tenha disciplina e competência técnica.

A liquidação da Caixego e do Beg poderiam ter se tornado um dos maiores “drummonds” no meio do caminho do governo de Goiás. Poderia. Mas não se tornaram. Por quê? Porque um indivíduo raro soube trabalhar a liquidação de maneira que o setor público não saísse prejudicado. Seu trabalho, neste caso, foi, digamos, heroico, infelizmente pouco percebido, dado o fato de José Taveira ser avesso ao marketing pessoal. (Vale frisar que com dinheiro recuperado da Caixego o governo de Goiás viabilizou a construção do hospital Crer, hoje modelo para o país.)

Em seguida, na Agência de Fomento, mostrou mais vez sua rara competência. A imprensa às vezes cobre mal certos setores, mas, se o fizesse, saberia que, além de deixá-la azeitada, soube trabalhar para que, de fato, fomentasse o desenvolvimento das, por assim dizer, pequenas empresas. Aqueles que iniciam alguma coisa foram incentivados, de maneira orientada e precisa, pela agência.

José Taveira e o reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC) receberam a Comenda das Águas

A passagem de José Taveira pelo Ipasgo é, como costumam dizer economistas e publicitários, um case. O instituto era visto como inviável, com uma dívida pantagruélica. Médicos diziam que, como não tinha credibilidade, não se interessavam por atender mais clientes do Ipasgo. A José Taveira, o governador de Goiás, Marconi Perillo — que tem um olho clínico, de headhunter, para escolher executivos (veja, recentemente, os casos de Ana Carla Abrão e Fernando Navarrete, jovens competentes e íntegros) —, recomendou que aos menos tentasse organizar as contas do Ipasgo.

Vilmar Rocha, secretário das Cidades e Meio Ambiente, com José Taveira

José Taveira assumiu a direção do Ipasgo, que todos — insista-se, todos — avaliavam como “inviável” e “ingovernável”. No lugar de desesperar-se com o abacaxi amargo, passou um tempo examinando suas contas e, sobretudo, apurando seus gargalos. Depois de examinar bem, verificando a questão da receita e da despesa, descobriu, com sua equipe afiada, o busílis da questão. Descoberta a origem dos problemas, o executivo atacou-a de frente. Em pouco tempo, o Ipasgo estava organizado, pagando, espantosamente, os médicos em dia — e com dinheiro em caixa. Muitos, inclusive funcionários públicos — que aplaudem José Taveira —, chegaram a falar em milagre. E, claro, milagre não havia, exceto se o nome dele for José Taveira. Um detalhe crucial: José Taveira faz os ajustes, alguns reclamam, mas, ao final, todos aplaudem. É a regra. Ele é duro, mas não perde a diplomacia.

Dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia, recebeu a Comenda das Águas

Bem-sucedido em todas as áreas para as quais foi indicado, José Taveira foi enviado para o Detran, sempre uma fonte de problemas para todos os governos. Com sua fala mansa e métodos racionais de trabalho, sem provocar crises por onde passa — aliás, sempre deixa amigos e aliados —, começou uma ampla reorganização do órgão. Mas logo foi convocado para a Secretaria da Fazenda, com o objetivo de manter as contas do Estado ajustadas e, ao mesmo tempo, aumentar a arrecadação.

Aí, como Simão Cirineu — que, de tão rigoroso, ganhou o apelido de Cirinão —, Ana Carla Abrão e, agora, Fernando Navarrete, fez um trabalho excepcional. O governador Marconi Perillo teve sorte, muita sorte, de contar com secretários da Fazenda de rara eficiência e autoridade moral. Nenhum dos quatro fez política na Sefaz. Pelo contrário, foram (Fernando Navarrete continua) responsáveis e mantiveram as contas do governo organizadas, mesmo no momento em que o país atravessa uma das maiores, senão a maior, crises de sua história. Se não fossem executivos excepcionais, como Simão Cirineu, José Taveira, Ana Carla Abrão e Fernando Navarrete — para citar apenas quatro, mas há outros (Jalles Fontoura, Giuseppe Vecci, José Paulo Loureiro) —, Goiás hoje estaria no mesmo caminho de Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que, embora muito mais ricos, estão quebrados e, se não tiverem o apoio amplo e consistente do governo federal, não se recuperarão.

Goiás, pelo contrário, é visto, em todo o país, como exemplo de Estado que fez seu ajuste fiscal e está crescendo. Em Goiás, o Estado não é um empecilho ao crescimento econômico e ao desenvolvimento. É um agente que contribui para a expansão do mercado privado e, como tal, impede que a crise se espraie pela sociedade.

José Taveira, que parece um grão de areia, é, sublinhe-se, um dos agentes que contribuíram, com seu quinhão técnico e habilidade no trato com empresários, para que Goiás se tornasse um exemplo para o país. Marconi Perillo é um player político nacional graças aos seus méritos inegáveis, mas a contribuição dos secretários da Fazenda — que enfrentaram, por vezes, até aliados — deve ser levada em consideração.

Tido como o executivo que resolve, como homem das soluções, José Taveira foi nomeado para a presidência da Saneago. Em pouco tempo, percebeu os problemas e pôs ordem na casa. Aos poucos, a Saneago certamente se tornaria uma companhia modelo.

Porém, uma denúncia do Ministério Público Federal provocou a saída de José Taveira. A função do MPF é mesmo investigar e, quando encontrar algum problema, denunciar. Mas conta-me quem está acompanhado o caso com afinco, de maneira detalhada, que não há nada que incrimine José Taveira em termos de probidade administrativa. Trata-se de um homem de passado e presente limpos. A imprensa esquece os casos que anuncia com estardalhaço, mas, adiante, deveria verificar, com o máximo de atenção, o que acontecerá com o processo no qual José Taveira é citado. Acredita-se em absolvição exemplar. Mas o que fazer com a imagem semidestroçada de um executivo de história tão limpa e eficiente? A imprensa nunca pede desculpas, mesmo quando erra. No caso, deveria pedir. Até agora, sabe-se, não há nada que comprometa José Taveira. Mas, na sociedade de massas, que é a tradução moderna da velha arena romana, todos são culpados, mesmo quando não há provas. E restaurar uma imagem, embora não impossível, é sempre muito difícil. Mas alguma coisa começa a ser feita.

Na quarta-feira, 22, o governador de Goiás, Marconi Perillo, e o secretário das Cidades e Meio Ambiente do governo do Estado, ex-deputado federal Vilmar Rocha, condecoraram José Taveira com a Comenda das Águas. Quando se levantou para receber a comenda, todos puderam ver que aquele homem forte, empático e brincalhão estava chorando. O que sentiu não disse com palavras, e sim com lágrimas, que são uma espécie de porta-voz da alma, do mais recôndito do ser. O recebimento da comenda era e é um desagravo político. O primeiro e, certamente, não será o último.

Ao lado de José Taveira, receberam a comenda Jeremias Lunardelli (da fazenda ecológica Santa Branca; trata-se de um ambientalista que põe suas ideias em prática), José Ubaldo Teles (ex-presidente da Saneago e pai da jornalista Lilia Teles, da TV Globo) e a PUC (dom Washington Cruz e o reitor da universidade, Wolmir Amado).

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Felisberto Jacomo Filho

O Editorial engrandece o Jornal Opção, pois traduz uma verdade limpa que estava escondida pelo pensamento malicioso que permeia o pensamento comum hoje. O Governo , pela Secima, com esta homenagem, faz justiça. Ótimo que seja assim.

Euripedes Silveira

Denúncias também são armas políticas. O episódio com José Taveira lembra a prisão de Darci Accorsi, uma injustiça que só serviu para atingir a imagem do falecido ex-prefeito. Que venha uma lei eficaz contra o abuso de autoridade.