Distribuir o FCO será excelente para os investidores

Ideia de Caiado é ótima para o Estado, pois vai capitalizar o público consumidor, fazer estradas duráveis e ajudar a consertar Goiás

Nilson Gomes

O deputado estadual Talles Barreto disse ao Jornal Opção que não vai permitir a destinação ao Estado de até 30% do FCO, o Fundo Constitucional do Centro-Oeste. Empoderado, esse Talles. Pelo visto, o País está a reboque de suas opiniões. O que ele permite, a Nação pratica; o que ele veta, nem a CSN pratica. #SQN. A verdade é que Talles está aprendendo a fazer oposição. Até agora, só introjetou a página da cartilha que manda ser contra todas as ações do governador Ronaldo Caiado.

Talles Barreto é líder da oposição na Assembleia Legislativa de Goiás | Fernando Leite/Jornal Opção

Talles participou dos governos anteriores, seja como integrante da equipe e/ou parlamentar. Em quatro mandatos, com o mesmo grupo, ocorreu distribuição criminosa do FCO e não se acha uma frase do poderoso em defesa da moralidade do fundo.

Ronaldo Caiado apresentou a ideia de parte dos recursos ir para o, em geral, maior empregador de cada Estado: o próprio Estado. Talles analisou assim para o Jornal Opção: “Essa é mais uma medida que este governo toma e que ficamos sem entender”. Ele não entendeu, mas autoridades do País inteiro entenderam muito bem, tanto que aplaudiram a iniciativa do governador de Goiás. No dia 20/5, o Condel, conselho da Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste) aprovou os argumentos de Caiado.

Resumo da análise de Talles: “Não podemos dispor deste percentual (até 30%) para o governo pagar suas contas”. Podemos talvez fosse referência a um partido (no caso, não é) ou à população (também não faz parte de suas preocupações), mas ele está citando a sua turma política. Falaria qualquer coisa, desde que ajudasse a inviabilizar a reconstrução de Goiás, já começada pelo novo governo.

Ronaldo Caiado é governador do Estado de Goiás | Foto: Reprodução

Quando Talles fala em “governo pagar suas contas” são exatamente as dívidas feitas pelos políticos ao longo das últimas décadas, sobretudo MDB e PSDB. Esse pessoal deixou Goiás devendo R$ 24 bilhões, sendo mais de 6 bilhões a curtíssimo prazo e 3 bilhões atrasados – metade da folha de pagamento de novembro de 2018, a de dezembro inteira, mais fornecedores etc. Portanto, “pagar suas contas” é reparar as malfeitorias deixadas pelos amigos de Talles.

O autoritarismo treinado durante os governos anteriores leva uma pessoa antes cordata, como Talles, a tratar o Estado na 1ª pessoa (“L’Etat c’est moi”) em diversos trechos de uma nota de poucas linhas. “Retirar 30% do FCO é inconstitucional e não vamos permitir.” Pela entrevista, constata-se que Talles entende de Direito Constitucional o mesmo tanto que manja de economia. Descobriu que, apesar de empoderado, não tem como impedir a mudança da Constituição da República, só “via Congresso Nacional” e que já sabe até onde ficam a Câmara dos Deputados e o Senado: “Em Brasília”, disse o sábio ao Jornal Opção.

Uma frase de Talles é digna… digna do Febeatu, o Festival de Besteiras que Assola o Tucanato: “É uma medida que prejudica a economia de todo Estado”. Nem de todo Estado nem de todo o Estado. Apenas acaba a mamata do Clube do Bilhão, formado por financiadores de campanha que antes dominavam Goiás.

O empoderado Talles não demonstrava essa bravura indômita quando seu chefe dava até R$ 1 milhão do FCO para o Clube do Bilhão gerar cada emprego ou perdão de R$ 1 bilhão para o Friboi. Em 2018, o PSDB deu a grandes empresários R$ 3,4 bilhões do FCO e não geraram mais que 2 mil empregos – média absurda de R$ 1,7 milhão por emprego. Se o dinheiro tivesse sido distribuído para pequenos e microempresários, como é o plano de Caiado, Goiás teria chegado ao empreendedorismo pleno, transformado em patrões de si mesmos todos os desempregados de Goiânia e interior. Os R$ 3,4 bilhões do FCO foram pulverizados e não se viu o homem que bajulou o facínora ir à Tribuna da Assembleia protestar.

Caiado e os demais governadores vão ajudar o Governo Federal a aprovar medida provisória para consertar os Estados.

O governo é o maior empregador de Goiás, com 172 mil funcionários, milhares de vezes mais famílias atendidas que na média das corporações para as quais os governos de Talles deram dinheiro de FCO e BNDES, crédito de ICMS, terrenos, galpões e isenção fiscal — prejuízo de R$ 1,2 bilhão mensalmente aos cofres públicos. Falando apenas sobre empreendedorismo, é um público consumidor que sustenta o comércio, vital para a indústria e essencial para os prestadores de serviço.

Com o dinheiro do FCO, Caiado vai refazer as rodovias goianas, construídas via aditivos pelos patrões de Talles com asfalto-sonrizal que derrete com relâmpago e vira cratera com trovão. GOs pavimentadas por gente séria vão durar, para gáudio dos empresários de todos os rincões. E assim será nos demais setores da infraestrutura, todos indispensáveis para os investidores produzirem e escoarem. Os únicos que vão continuar reclamando serão os produtores de toninhos, mas Goiás não tem mais clima para boto-da-baía-de-guanabara.

Nilson Gomes, jornalista, integra a equipe do governador Ronaldo Caiado.

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