Demóstenes Torres diz que a Enel consegue ser pior do que a Celg

O ex-senador afirma que a Celg se tornou a Geni de Goiás e quem paga o pato é o consumidor

“A Celg virou a Geni de Goiás, foi vendida e agora pode voltar como a genial.” A frase de efeito é do procurador de Justiça Demóstenes Torres, ex-senador e agora candidato a deputado federal. Segundo ele, a italiana Enel, a multinacional que comprou a maior empresa de Goiás, “conseguiu ser pior que a Celg”. Pela tese de Demóstenes, há duas opções: “Ou a Enel investe 3 bilhões de reais em 2019 e transforma Goiás num canteiro de obras ou devolve a concessão”.

O montante a que Demóstenes se refere está previsto no contrato de privatização para ser aplicado em obras de eletrificação em Goiás em três a contar do fechamento do negócio, em fevereiro de 2017. O candidato a deputado federal diz que “até agora, só pequenos serviços de manutenção e muita enrolação”.

Assim, no atual ritmo descrito por Demóstenes, a empresa teria de começar e concluir obras estruturantes em pouco mais de um ano. O ex-senador lembra que “a falta de investimentos manteve em Goiás o título de pior empresa de energia elétrica do Brasil”.

A boa notícia dessa análise de Demóstenes é que, se 2019 era tido como um ano de esperada crise absoluta, ao menos com o bilionário recurso italiano se poderia contar. “Italiano, nada”, Demóstenes rebate o repórter. “É o dinheiro do povo goiano, pois a empresa parece que só quer aplicar o que tira do suor dos consumidores”.

Demóstenes afirma ter ouvido relatos, em suas andanças pelos municípios, de a luz faltar dezenas de vezes no mesmo dia, “e fica por isso mesmo, impune, enquanto as famílias sofrem”. Por isso, teve a ideia de prever uma sanção econômica às empresas do país inteiro: “A cada vez que faltar luz, mesmo que apenas por alguns instantes, descontar um dia no talão”. Por esse cálculo, se a energia tiver 30 interrupções em um mês, “o talão fica de graça”.

Outra injustiça, segundo Demóstenes, é impedir o fornecimento do serviço com poucos dias de atraso e ainda cobrar taxa para religar. A ideia de Demóstenes é mudar a legislação para cortar a energia só após 90 dias. E joga o débito social para cima da empresa: “Se na casa houver criança, idoso, deficiente ou pessoa acamada, a energia nunca deveria ser cortada”. Então, quem pagaria essa despesa? “A multinacional que se vire com o governo”.

Por que se opõe à taxa de religação? “Esse é um absurdo que precisa ser extirpado. A empresa manda cortar a luz com poucos dias de atraso e a vítima ainda tem de pagar pra religar?”. Num comercial de TV e em seu material de campanha, ele responde: “A pior empresa de energia do Brasil não tem nem moral pra cortar a luz da sua casa”.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.