Defeitos e virtudes de 9 adversários de Iris Rezende na disputa pela Prefeitura de Goiânia

Marqueteiro diz que o candidato de oposição tem de ser “parecido” com o prefeito e acrescentar um detalhe que o mostre como avanço

Iris Rezende: nome mais forte da política de Goiânia| Divulgação

Enfrentar o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, é a chamada missão quase impossível. O emedebista tem uma identidade poderosa com Goiânia e, por isso, em poucos anos, é seu prefeito pela terceira vez (já havia sido prefeito na década de 1960, quando iniciativa sua carreira política — o que totaliza quatro mandatos). Se não houver um terremoto, caminha para seu quinto mandato (20 anos de poder, ainda que não consecutivos). Para desafiá-lo, com chance de vitória, é preciso fazer uma campanha que crie identidade imediata com os eleitores. Porque, entre a incógnita e um gestor que, mesmo não sendo tão criativo, “não deixa a peteca cair” — quer dizer, é um gestor responsável e que funciona —, os eleitores costumam apostar na tradição. “Mexer para piorar” — não é o querem.

No momento, há vários pré-candidatos a prefeito (a tendência é que alguns desistam no meio do caminho — ou decidam por alguma composição — e também que apareçam outros). Se quiserem enfrentar Iris Rezende no campo dele, o de gestor obreiro, tendem a perder. O marketing terá de explorar as virtudes do candidato, acrescentar outras e reduzir o impacto de seus possíveis defeitos. O Jornal Opção consultou dois marqueteiros e dois pesquisadores e pediu que apontassem as “virtudes” e os “defeitos” dos principais adversários de Iris Rezende. Um deles é autor de um comentário interessante: “O candidato mais forte será aquele que ficar parecido com Iris Rezende, mas acrescentar um detalhe que o diferencie, sugerindo que é um passo adiante”.

A lista a seguir, em ordem alfabética, o Jornal Opção sintetiza os comentários dos pesquisadores e dos marqueteiros.

Adriana Accorsi: deputada estadual | Foto: Divulgação

 

1 — Adriana Accorsi/PT

A deputada estadual é vista como atuante, sobretudo por manter contato frequente com segmentos organizados. Mas divulga-se mal (é vista como a “deputada sumida”) e, sobretudo, enfrenta um adversário poderoso: o desgaste do PT. “Ela é carismática e tem a sua própria cara, não exatamente a cara do PT”, postula um pesquisador. “Mas continua sendo do PT”, pontua um marqueteiro. Há quem postule, no petismo, que precisa abrir espaço para outros nomes — como Luis Cesar Bueno ou Kátia Maria.

Cristina Lopes: vereadora | Foto: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

2 — Cristina Lopes/PL

Dra. Cristina, como é conhecida, é uma vereadora qualitativa, articulada. Conhece Goiânia como poucos. Decente, é inatacável. Ela vai trocar o PSDB pelo PL da deputada federal Magda Mofatto. Diz que vai influenciar o PL. Se pensa assim, entende pouco de política. Rei do mensalão e duque do petrolão, Valdemar Costa Neto não quer mudar o partido, não. Ter Magda Mofatto como aliada é importante do ponto de vista financeiro, mas a política de Caldas Novas não tem forte presença eleitoral em Goiânia. Política carismática, Dra. Cristina terá, também, de constituir uma frente política — o que não será nada fácil. Marqueteiros e pesquisadores sugerem que há outra barreira no seu caminho: tem o mesmo perfil político e administrativo de Francisco Júnior. “Um deles vai ‘sobrar’”, diz um pesquisador.

Eduardo Prado: deputado estadual | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

3 — Eduardo Prado/PV

O seu principal problema é que ninguém acredita que será candidato. Comenta-se que está apenas ganhando musculatura para a disputa de 2022 — quando poderá optar pela reeleição ou por um mandato de deputado federal. Sua virtude é o discurso firme em defesa de mais segurança — o que gera, por outro lado, um defeito: é monotemático. O fato de também ter articulado em Aparecida de Goiânia sinaliza falta de identidade com Goiânia.

Elias Vaz: deputado federal | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

4 — Elias Vaz/PSB

É apontado como um político posicionado, conhecedor de Goiânia e crítico competente e preciso da gestão de Iris Rezende. Os analistas sugerem que padece de três problemas. Primeiro, ao ser eleito deputado federal, praticamente esqueceu da gestão do prefeito, deixou de confrontá-lo. Segundo, há o problema da kajurudependência. Se Kajuru estiver bem, para acompanhá-lo na campanha, pode ser que chegue mais forte ao pleito. Se Kajuru se ausentar, por causa de problemas de saúde, ficará mais fraco. Terceiro, com tantos candidatos, terá dificuldade para formatar alianças. Enfrentar Iris Rezende “sozinho” não é e não será fácil. O senador Vanderlan Cardoso tem simpatia pelo deputado, mas hoje está mais próximo de Francisco Júnior.

Francisco Junior: deputado federal | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

5 — Francisco Júnior/PSD

O deputado federal é articulado, conhece Goiânia como a palma de sua mão e tem ideias modernas para modernizá-la, para o passo adiante. Seus problemas não são incontornáveis. Primeiro, não encontrou a forma adequada — didática — para expressar suas ideias. É visto como “modorrento” e “lento” ao explicitá-las (“precisa ser menos técnico”, frisa um marqueteiro). Para ser entendido, é preciso que o interlocutor observe com atenção o que está dizendo. Segundo, precisa fortalecer suas alianças. Se conseguir o apoio do senador Vanderlan Cardoso, um grande padrinho político, terá conquistado seu primeiro diferencial. Sozinho, terá dificuldade para enfrentar um profissional da política como Iris Rezende.

Major Araújo: deputado estadual| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

6 — Major Araújo/PSL

O deputado estadual é apontado como um político “firme” e “sério”. Sobretudo, é mencionado como “coerente”, “posicionado” e “decente”. Mas precisa deixar de ser monotemático. O tema de um candidato a prefeito não pode ser apenas segurança pública. Também precisa cultivar alianças políticas. Porque nenhum candidato solitário terá chance ao enfrentar um “predador” político com a experiência de Iris Rezende. O apoio do deputado federal Delegado Waldir Soares ajuda, mas não poderá se apresentar como candidato “do” presidente Jair Bolsonaro.

Gentil Oliveira: pastor evangélico | Foto: Reprodução

7 — Pastor Gentil Oliveira/Podemos

Os evangélicos estão cada vez mais fortes na política de Goiás. O pastor é apontado como um homem sério e um líder evangélico respeitado. No entanto, não tem experiência política e seu partido pode ficar, se disputar, isolado. O Podemos não está inteiramente afinado com o seu nome. O deputado José Nelto, ao menos nos bastidores, não aprova sua candidatura. Costuma sugerir, em off, que, se for candidato, o será de Eduardo Machado e Felipe Cortês.

Paulinho Graus: vereador| Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

8 — Paulinho Graus/PDT

Não era o preferido dos chefões do PDT em Goiás, deputada federal Flávia Morais e George Morais. Os dois queriam Cristina Lopes como candidata. Mas, como a vereadora optou pelo PL, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, atropelando a vontade de Flávia e George Morais — que não têm simpatia pelo vereador —, decidiu bancá-lo para prefeito de Goiânia. Vereador com vários mandatos, conhece Goiânia como poucos — o que é seu principal trunfo. No entanto, não tem aliados fortes. Há quem postule que gostaria de ser vice de Iris Rezende. Mas a disputa para ser vice do prefeito é quase tão acirrada quanto a disputa para prefeito. Um pedetista propala: “Vai ser candidato a vereador”. Ele insiste que será candidato a prefeito.

Wilder Morais: ex-senador| Foto: Lívia Barbosa/Jornal Opção

9 — Wilder Morais/Pros

O ex-senador é obstinado e pôs na cabeça que será prefeito de Goiânia. O principal defeito, segundo seus críticos, é que parece avaliar que dinheiro compra tudo, como apoio e, até, mandato. E não é bem assim: em 2018, com uma estrutura gigante — quando chegava no interior, num helicóptero moderno (de sua propriedade), parecia o presidente da República dos Estados Unidos. Não explora o que tem de melhor: sua história de self-made man — a do garoto pobre que se tornou engenheiro e enriqueceu como empresário. É provável que não terá o apoio do governador Ronaldo Caiado — que prefere bancar a reeleição do prefeito Iris Rezende.

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