Corrupção e isolamento podem barrar projeto de Antônio Gomide em Anápolis

O pré-candidato do PT a prefeito enfrenta problemas como falta de apoio em termos federal e estadual e o partido é uma pedra no caminho

O deputado estadual Antônio Gomide, do PT, pretende disputar a Prefeitura de Anápolis pela terceira vez — deixando de abrir espaço para a renovação do partido. Há três pedras no seu caminho — talvez não removíveis.

Primeiro, a corrupção do PT em termos nacionais. O partido, na imagem cristalizada no país, é tido como articulador de um processo de corrupção sistêmica. Chega-se a dizer que criou a mais “poderosa” estatal brasileira — a CorruPTobrás.

Antônio Gomide não quer uma aliança altiva com o MDB de Daniel Vilela, quer, isto sim, o emedebismo subordinado aos projetos políticos do PT | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O PT está cada dia mais isolado, em todo o país. Porque, além de ter contribuído para potencializar a corrupção no setor público — com vários de seus líderes, inclusive Lula da Silva, tendo se enriquecido de maneira assustadora —, o que levou petistas à cadeia, há o problema da maior recessão da história do país, que retirou empregos dos brasileiros. Gomide tenta desvencilhar-se do PT, como se sua candidatura fosse solo. Mas não é. Ele e o irmão Rubens Otoni — por sinal, são conhecidos em Anápolis como Caim e Abel — são petistas há vários anos e estão sempre defendendo o ex-presidiário de Lula da Silva. Na campanha de 2020, o PT estará numa encruzilhada: vai levar Lula da Silva aos municípios? A aposta é que, sim, o ex-presidente participará, por exemplo, da campanha de Gomide, em Anápolis. O petista, em franco confronto com parte significativa dos brasileiros — frise-se que o PT não tem empatia com os eleitores anapolinos —, é um dos defensores da tese “Lula livre”.

Portanto, Gomide não terá como se eximir do debate sobre a corrupção do PT — que, sabe-se, beneficiou, direta ou indiretamente, diretórios estaduais e municipais do partido.

Lula da Silva, José Dirceu e Antônio Palocci: como Antônio Gomide vai se livrar do trio (que foi preso por corrupção) em sua campanha? | Foto: Reprodução

Segundo, prefeitos de todo o país não conseguem gerir suas cidades se não contarem com o apoio do governo federal e, sobretudo, dos governos estaduais. Quando prefeito, Gomide contou com o apoio integral dos governos do PT. O quadro dos próximos anos é bem diferente. O presidente da República, Jair Bolsonaro, é um adversário figadal do PT. Fora recursos institucionais — obrigatórios —, não se sentirá motivado a colaborar com o petista. O mesmo ocorre com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que pertence ao DEM, o principal adversário ideológico do PT no cenário nacional. Governar sem o apoio dos governos federal e estadual não é positivo para nenhum prefeito. O prefeito Roberto Naves, do PP, pelo contrário, conta com o apoio tanto de Jair Bolsonaro quanto de Ronaldo Caiado. Os eleitores, que não são puramente emocionais, tendem a pensar a respeito.

Terceiro, outro problema de Gomide, apontam tanto emedebistas quanto petistas — Rubens Otoni e Kátia Maria, presidente do PT, podem até defender publicamente sua candidatura, mas não moverão uma palha para apoiá-la (Gomide, nos bastidores, não poupa o irmão, que caracteriza como uma espécie de ditador no PT, pois, em eleição recente, rifou-o e não permitiu que se tornasse presidente regional, optando por Kátia Maria, mulher do deputado federal. Pode-se falar que o partido, ao menos em Goiás, é dirigido por uma oligarquia) —, é que age como se não precisasse do apoio de ninguém. O MDB do ex-deputado federal Daniel Vilela e do dentista e empresário Márcio Correia quer lançar o vice de Gomide? Pois bem: o ex-prefeito quer saber, primeiro, se o MDB vai apoiar a campanha “Lula livre” (há uma aposta que o ex-presidente será preso em decorrência de outros processos). Se não apoiar o projeto nacional do PT, subordinando-se inteiramente, o emedebismo não ganhará a vice de Gomide. Quer dizer, para ser premiado com a vice do petista, o emedebismo praticamente tem de deixar de ser emedebismo, para se tornar uma espécie de petismo 2.

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