Contradições de Pedro Paulo Medeiros podem caracterizar suas ações como eleitoreiras

A chapa Muda OAB, depois de defender o voto para inadimplentes, decidiu tentar impugnar supostos candidatos inadimplentes

Não é possível que Pedro Paulo Medeiros não tenha lido a nota antes da divulgação

Todo advogado conhece a história do romance “O Processo”, do tcheco Franz Kafka (que escrevia em alemão). Um homem é preso e condenado. Mas sem saber o motivo. Ele é enredado pela burocracia moderna, que tem uma lógica, por assim dizer, tão irracional quanto brutal (a mesma que, em seguida, gerou Hitler, na Alemanha). O autor de “A Metamorfose” não andou pelo Cerrado, é certo, embora tenha escrito um livro com o título de “América”.

Há uma história goiana que, a rigor, é universal, quiçá kafkiana. Em 2007, um grupo, não se sabe de quantos integrantes, decidiu fraudar o Exame da Ordem, beneficiando algumas pessoas.

Crítica nas redes sociais

Na época, o “Consultor Jurídico”, um dos mais respeitados portais de Direito do país, publicou: “A Polícia Federal invadiu, neste sábado (12/5), a OAB de Goiás. Onze pessoas foram presas, incluindo diretores da seccional. Também foram apreendidos computadores. A operação tem o objetivo de apurar fraudes no Exame de Ordem. Outros 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A operação foi autorizada por decisão da a 5ª Vara da Justiça Federal. Entre os presos estão o presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem da OAB-GO, Eládio Augusto Amorim Mesquita; o vice-presidente da mesma Comissão, Pedro Paulo Guerra de Medeiros e tesoureiro da entidade, João Bezerra Cavalcante”. O então presidente da OAB, Miguel Cançado, disse: “A Ordem é a primeira a provocar este tipo de investigação. Todas as vezes que recebemos denúncias neste sentido acionamos a Polícia Federal”.

Qual foi o resultado da investigação? Os bagres foram pegos, mas os tubarões escaparam. Está se dizendo que os tubarões eram realmente culpados? A rigor, não. O que se está dizendo é que a culpa cai sempre no mordomo, quer dizer, às vezes em secretárias, nas assessorias (esclareça-se que Pedro Paulo, João Bezerra e Eládio Amorim não foram condenados e são advogados competentes e sérios). Uma espécie de conto kafkiano, mas escrito por, digamos, Agatha Christie.

Kafka volta a “atacar” no Cerrado, agora, por assim dizer, com um enredo “escrito” por Didi Mocó Sonrisal Colesterol, dos Trapalhões.

A chapa Muda OAB — mais conhecida como “OAB Forte de Botox” — decidiu lutar para que os advogados inadimplentes votem no pleito deste ano, sugerindo, por certo, que, se vencer, não vai cobrar mais nada na Ordem, que se tornará uma instituição de caridade (quando até clubes cobram mensalidade). Mas o que era cisne virou, de repente, patinho feio.

A chapa de Pedro Paulo Medeiros decidiu tentar impugnar candidatos ditos inadimplentes. Ora, por que, se pode votar, o inadimplente não pode ser votado? A palavra “contraditório” talvez deva ser substituída por “vexame”. Para piorar as coisas, os “impugnados”, ao contrário do que postula a chapa de Pepê, não são inadimplentes. E Fernando Lobo Leme é advogado há mais de 10 anos, e não há três. Uma advogada frisa que, apontada como inadimplente, não o é. Se quiserem, os acusados podem até mover processos judiciais contra os “acusadores”.

Grave mesmo é o fato de que Pedro Paulo Medeiros prega uma coisa, defendendo o voto dos inadimplentes, e faz outra coisa: tentando impugnar candidatos supostamente inadimplentes. Isto prova que a tese de voto para os inadimplentes é meramente politiqueira. Só serve para esta eleição, possivelmente.

Com a contradição denunciada pelos advogados, Pedro Paulo recuou e, em nota oficial, culpou “equívoco” da assessoria jurídica de sua chapa. Nas redes sociais, advogados sugeriam que decidiu culpar os “estagiários”. De novo, a arraia miúda leva a culpa. Nada mais kafkiano — para não dizer leviano.

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