Como não se renova, o PMDB se tornou uma máquina de produzir derrotas em série

Iris Rezende, durante evento em que anunciou a "aposentadoria política" | Foto: Alexandre Parrode/Jornal Opção

Iris Rezende, durante evento em que anunciou a “aposentadoria política” | Foto: Alexandre Parrode/Jornal Opção

Os líderes do PMDB não conseguem entender as mudanças da sociedade e, portanto, do eleitorado de Goiás e de Goiânia. Desde 1998, o eleitorado vem sugerindo, por intermédio do voto, que o partido se renove. Entretanto, demonstrando profunda desconexão com a realidade, seus principais líderes não conseguem perceber o que de fato ocorre nas entranhas da sociedade. Em cinco eleições para governador de Goiás, entre 1998 e 2014, o peemedebismo bancou apenas dois candidatos — Iris Rezende, em 1998, 2010 e 2014, e Maguito Vilela, em 2002 e 2006. Em nenhum momento, fez-se a reflexão devida, notando os próprios equívocos — produzindo interpretações insuficientes e limitadoras, como acusar o adversário de “gastar muito” e outras puerilidades —, a respeito das cinco derrotas.

Em 2016, depois que Daniel Vilela, um jovem, assumiu a presidência do PMDB regional, derrotando o candidato de Iris Rezende, pensou-se: “Agora, sim, o partido vai renovar seus quadros”. Lego engano. Ao manter-se como um partido encanecido, que envelheceu por não entender a sociedade em que está instalado, o PMDB decidiu, mais uma vez, investir em Iris Rezende, de 83 anos (em dezembro), para prefeito de Goiânia. Dizia-se: “Ninguém ganha de Iris Rezende”.

De fato, enquanto não havia um candidato competitivo mais conhecido, Iris Rezende nadava de braçada. Acreditava-se, entre os luas cinzas do irismo, que o adversário do peemedebismo seria o delegado Waldir Soares, do PR.

Isto mostra a incapacidade dos líderes do PMDB de apreender o quadro político real. Na verdade, a polarização entre o peemedebista e o deputado-delegado era ilusória, refletindo um quadro mais de conhecimento dos nomes dos postulantes. Se tivessem uma percepção mais aguçada, os peemedebistas teriam entendido que, a médio prazo, desde que se tornasse mais conhecido e pudesse expor suas ideias — e se apresentar mesmo —, o candidato que tenderia a crescer, como de fato está crescendo, era (é) Vanderlan Cardoso. Como demorou a entender o fenômeno Vanderlan Cardoso — que, por certo, é visto como um Iris Rezende remoçado e modernizado —, o peemedebismo não conseguiu produzir uma crítica adequada ao postulante do PSB.

Aos 53 anos, empreendedor bem-sucedido na área privada, com a empresa Cicopal, e na área pública, como prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso consolidou-se, na avaliação dos eleitores, como o candidato alternativo a Iris Rezende. É sua modernização. O que o PMDB deveria ter feito? Bancado Daniel Vilela, jovem e com energia, para disputar a Prefeitura de Goiânia. Ao não se renovar, o PMDB se envelhece e facilita o trabalho de seus adversários. Não é à toa que o PMDB se tornou a sobremesa preferida do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. O partido, sob a liderança cansada e desesperançada de Iris Rezende, se tornou “o” freguês. Sabe aquele lutador famoso de MMA que se tornou “escada” para os lutadores mais jovens? O PMDB, que se não renova, é este lutador famoso e combalido. É o Bob Sapp da política.

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