Câmara de Goianira entrega título de cidadania à pioneira Maria Luiza Naves

Ela chegou ao vilarejo em 1925 e muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade que fica próxima de Goiânia

Maria Luiza Naves, de 97 anos, com a vereadora Kátia Tourinho, em Goianira

 

Sessão histórica, resgatando uma das pioneiras na construção do povoado de São Geraldo e que muito contribuiu na estruturação e consolidação da cidade de Goianira, marcou a comemoração, pela Câmara Municipal, dos 60 anos de sua emancipação política. Criado pela Lei nº 2.363, de 9 de dezembro de 1958, o município de Goianira foi instalado no dia 4 de janeiro de 1959, e registrou essa data realizando a sessão solene de entrega de títulos honoríficos de cidadania no Centro de Cultura e Convenções ‘Durval de Assis Pereira’ na noite desta quinta-feira, dia 22. Dentre os homenageados — indicada pela vereadora Katia Tourinho, presidente do Legislativo goianirense —, o destaque ficou com a sra. Maria Luiza Naves, que todos conhecem como ‘Dona Nenzinha’, 97 anos de idade: ela chegou àquele vilarejo aos quatro anos, em dezembro de 1925, e muito colaborou nas transformações ocorridas a partir de então na vida daquele lugar, em especial nas áreas da educação, da cultura e da assistência social.

Primeira mulher Subprefeita do povoado de São Geraldo, função que assumiu em 1941, então com 19 anos de idade – cargo para o qual voltou seis anos depois, só o deixando no nono mês de gravidez do quinto dos seis filhos que nasceram naquele vilarejo –, dona Nenzinha ajudou a escrever a história de Goianira. Criada pela avó homônima, Maria Luiza de Jesus (Vó Iza), pois a mãe morreu quando tinha dois anos, e que a levou ao se casar novamente, agora com o fazendeiro Francisco de Paula Ramos (Chico Rosa), justamente para o povoado que estava nascendo nas proximidades do córrego Boa Vista, ela passou um terço de sua vida nessa vila. Como eram poucos os moradores, ‘Vó Iza’ela levou a primeira professora, Maria da Cruz, que morava em Trindade, para lecionar para as poucas crianças que ali residiam, dentre as quais Nenzinha, a caçulinha da turma.


Jales Naves falando na sessão de entrega do título de cidadania à sua mãe, Maria Luiza Naves

Autor de livro sobre a história do povoado, o jornalista Jales Naves disse que sua bisavó era muito próxima de padre Pelágio Sauter em Trindade, onde morava e o acompanhava nas visitas de desobriga, para celebrações religiosas, como casamentos e batizados, e em função desse trabalho foi uma das pioneiras na construção de São Geraldo. Depois, quando se transferiu para o vilarejo, acolhia o sacerdote nessas viagens em sua casa, num sítio que ficava próximo à estrada para Inhumas e a antiga Capital, Vila Boa, onde atualmente está o Centro de Cultura e Convenções. Essa proximidade com o religioso alemão permitiu à neta, no início dos anos 1930, quando tinha uns 12 anos de idade, participar das cantatas que promovia naquela vila, incentivando-a nessas apresentações musicais.

Maria Luiza casou-se em São Geraldo, em 1938, com José Rodrigues Naves Júnior (Zé Navinho), escrivão do Cartório do Registro Civil, e os dois muito realizaram, a partir dessa união, pelo povoado. Foi dona Nenzinha, como Subprefeita, quem colocou o nome de Goianira no então distrito da Capital, por sugestão do marido, que o justificou como “Pequena Goiânia”, tinha as seis primeiras letras do nome da Capital e ainda era uma deferência a uma das primeiras professores, Ana Martins de Lima, cuja filha de chamava Goianira. Foi Naves Júnior, como atuante vereador em Goiânia representando aquele distrito da Capital, que lutou e conseguiu a emancipação do município, em 1958, com o nome de Goianira.

Posteriormente, como Primeira Dama da cidade, dona Nenzinha realizou um importante trabalho social, na assistência às famílias socialmente excluídas, em especial na área de saúde. Ao quebrar o protocolo da cerimônia, para confirmar essa ação de solidariedade, o vereador José Sebastião Caetano (Bedeco), 54 anos, do MDB, já no quarto mandato, emocionou-se ao lembrar de sua época de criança, quando seu pai, João Galego, foi contratado como jardineiro pelo então prefeito de Goianira, Naves Júnior, e dona Nenzinha o acolhia em sua casa, para lhe dar refeições. “Era uma mãe para todos, muito querida e admirada”, disse. Foi nesta gestão de ‘Zé Navinho’, que arborizou as ruas e praças, com a participação do viveirista Herostato Ferreira de Melo, que Goianira ficou conhecida como ‘Capital das Flores”.

A sra. Maria Luiza Naves foi ao palco para receber o título honorífico de cidadania acompanhada por cinco de seus nove filhos — José Osório, Raulindo, Maria Aparecida, Elvira Luiza e Jales, todos nascidos em Goianira. Jales, ex-presidente da Associação Goiana de Imprensa e membro vitalício de seu Conselho Deliberativo, representou a AGI na cerimônia festiva.

A solenidade, presidida pela vereadora Katia Tourinho, foi prestigiada pelo prefeito Carlos Alberto Andrade Oliveira. Dentre os homenageados estavam o deputado federal reeleito João Campos, o deputado federal eleito José Mário Schreiner, e os deputados estaduais Bruno Peixoto, Eliane Pinheiro e Henrique César.

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