Brasil saiu de importador para exportador de alimentos. Exportações devem saltar de 7% para 10%

O país possui a melhor avicultura do mundo do ponto de vista sanitário. Somos líder mundial em exportações de carne de frango, com 38% da fatia global

Francisco Cavalcanti de Almeida

No mês em que o processo democrático fervilha no país, médicos-veterinários e zootecnistas comemoram 50 anos de criação do sistema que fiscaliza e regulamenta suas profissões.

Há cinco décadas, não se imaginava que as duas profissões ganhariam o protagonismo atual e seriam tão decisivas para a economia brasileira.

Hoje, a Medicina Veterinária e a Zootecnia fortalecem o agronegócio, mercado que já é responsável por ¼ do PIB brasileiro. São profissionais que estão presentes em toda a cadeia de produção animal do país e atestam a qualidade do que é consumido pela sociedade.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 50 anos, o Brasil saiu de importador para exportador de alimentos. E a expectativa é aumentar de 7% para 10% as exportações.

O país conta com um rebanho de 5,7 bilhões de aves, 214 milhões de cabeças de gado e 37 milhões de suínos. Especialmente nesses últimos 50 anos, os médicos-veterinários e zootecnistas foram cruciais na erradicação da febre aftosa, da peste bovina e da peste suína africana dos nossos rebanhos.

O Brasil possui a melhor avicultura do mundo do ponto de vista sanitário, pois está livre da Influenza e da Newcastle. Somos líder mundial em exportações de carne de frango, com 38% da fatia global. Segundo a ABPA, em 2017 exportamos 4,32 milhões de toneladas para 160 países, com receita de US$ 7,1 bilhões.

Tudo isso representa a expansão de mercado para médicos-veterinários e zootecnistas.

Tem apenas 50 anos que a Lei 5517 passou a competência de fiscalizar o exercício profissional da Medicina Veterinária e da Zootecnia para as próprias categorias. A mensagem aos profissionais é de orgulho, reconhecimento e valorização.

Às vésperas do pleito eleitoral e com a maturidade de meio século, essa é uma data que nos pede reflexão. Cabe-nos analisar os candidatos que usam a causa animal para ganhar votos, mas que no dia a dia da nossa lida não se fazem presentes.

Temos a oportunidade de renovar a política brasileira e eleger quem reconheça a importância dos serviços veterinários e zootécnicos para a sociedade e à estabilidade econômica do país.

Transparência e inovação marcam o jubileu de ouro do Sistema CFMV/CRMVs. Que os próximos 50 anos, como profissionais e nação, sejam de gestão eficiente e responsável, fortalecimento do processo democrático, transparência pública, controle social e inovação científica e tecnológica.

Francisco Cavalcanti de Almeida, 80 anos, médico-veterinário formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e servidor aposentado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (2018-2020).

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