Bases exigem Itamar Leão na presidência do PSDB e não aceitam imposição de José Eliton

Prefeitos querem se liberar da “ditadura” tucana e cobram que o partido se preocupe não apenas com a disputa de 2022

A situação no PSDB é mais ou menos assim: não se sabe quem vai ser o último a apagar as luzes — talvez seja Marconi Perillo, José Eliton ou Jardel Sebba. Segundo um integrante do partido, 21 prefeitos planejam deixar o tucanato e migrar para o Patriota, acompanhando o ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot, e para partidos ligados ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas. A “largada” foi dada por Hermano de Carvalho, prefeito de Aruanã e um dos líderes históricos do partido. O prefeito de Iporá, Naçoitan Leite, deve se transferir para o Republicanos ou para o Democratas.

Itamar Leão: prefeito de Sanclerlândia | Reprodução

Por que os prefeitos estão saindo? Observe-se que a maioria, ao menos 15, devem acompanhar Jânio Darrot, quer dizer, não estão indo para partidos ligados ao governo do Estado. Aí reside o busílis da questão: os prefeitos estão saindo porque não aceitam mais a ditadura do ex-governador Marconi Perillo, que, sem consultar os prefeitos e líderes do interior, está impondo o ex-governador e advogado José Eliton para presidente do PSDB. “Marconi só fica em São Paulo e não conversa com os prefeitos. Fala só com Zé Eliton e Jardel Sebba, por sinal, dois derrotados. Zé Eliton, com a máquina nas mãos, ficou em terceiro lugar, na disputa de 2018, atrás tanto de Ronaldo Caiado [o vencedor], do partido Democratas, quanto de Daniel Vilela, do MDB. O filho de Jardel Sebba, o deputado estadual Gustavo Sebba, ficou em terceiro lugar na disputa para prefeito de Catalão. Já os prefeitos vencedores de 2020, que não contaram com nenhum apoio de Marconi e Zé Eliton, são menosprezados”, afirma um prefeito, que prefere, no momento, não se identificar. “Estou de saída. Quando sair, darei uma entrevista explicando meus motivos.”

Prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho: trocou o PSDB pelo DEM | Foto: Reprodução

“Líder precisa conhecer a realidade dos prefeitos”

Enquanto Marconi Perillo está “impondo” José Eliton para presidente do PSDB, a maioria dos prefeitos e líderes prefere que o prefeito de Sanclerlândia, Itamar Leão — um vitorioso de várias eleições, inclusive reeleito em 2020 —, assuma o comando partido. “Itamar Leão conhece a realidade dos prefeitos e, por isso, será um dirigente mais qualificado do que Zé Eliton, que, desde que deixou o governo, no fim de 2018, não procurou mais nenhum dos prefeitos e líderes do PSDB. Assim como Marconi Perillo, está cuidando de seus interesses. Os prefeitos estão ao deus-dará. Nós precisamos de um líder próximo, que conheça nossos problemas e responsabilidades, e não de líderes que ficam na capital bebendo vinho de 2 mil reais e discutindo 2022. Nós temos de administrar nossas cidades. Portanto, temos de falar de 2021, da pandemia do novo coronavírus e da crise econômica”, afirma um segundo prefeito do PSDB. “Nós, como gestores, temos de manter diálogo aberto com o governador. Porque não é hora de ficar discutindo questões eleitorais.”

Prefeito de Iporá, Naçoitan Leite: de saída do PSDB| Foto: Divulgação

As bases do PSDB estão rebeladas. “Não queremos nem Zé Eliton nem Jardel Sebba no comando do PSDB”, afirma um terceiro prefeito. “Jair Darrot está saindo do partido e o motivo é um só: falta de apoio efetivo. Ele, que é um político limpo, não vai se ‘queimar’ defendendo aqueles que têm problemas judiciais graves e nem aparecem mais à luz do dia — só participam de ‘encontros secretos’. O PSDB precisa sair das sombras”, diz um dos prefeitos. “O partido precisa fazer encontros abertos, com a presença da imprensa. Nós, prefeitos, não temos nada a esconder.”

José Eliton: ex-governador: só tem um eleitor — Marconi Perillo | Foto: Divulgação

Os prefeitos chegaram a pensar numa campanha pública com o título de “Zé Eliton? Tô fora!” “Talvez a gente não a faça, mas é o nosso sentimento. Os prefeitos, os que vão ficar no PSDB, e serão poucos, querem Itamar Leão na presidência do PSDB. Nós não queremos Zé Eliton. Marconi diz que não está sendo imposto, pois eu digo: sim, ele está sendo imposto goela abaixo de todo um partido que não o quer no comando. Aliás, o próprio Zé Eliton chegou a dizer que estava ‘saindo’ da política e que se manteria afastado. Façamos a vontade dele: que fique cuidando de seu frutífero escritório de advocacia. Política não é para amadores”, frisa um dos prefeitos ouvidos. “Nós não queremos que o PSDB seja usado para fins pessoais, para ficar defendendo políticos cujos processos judiciais são pessoais e não têm a ver com o partido e seus integrantes”, acrescenta.

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