Assembleia de Deus e grupo de Paulo do Vale, do Agro de Rio Verde, estão contra Schreiner na vice de Daniel Vilela
20 junho 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
O presidente licenciado da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (de Porto União, Santa Catarina), do PSD, pode ser vice do governador Daniel Vilela — pré-candidato à reeleição pelo MDB?
Pode, é claro. Ligado ao Agro e ex-deputado federal, José Mário Schreiner tem força política e capacidade de articulação. Não se pode negar isto.

A pergunta é: José Mário Schreiner traz realmente o Agro para apoiar a reeleição de Daniel Vilela. Há quem acredite que sim. Há quem duvide.
Porque o Agro em Goiás, como de resto no Brasil, está dividido. Parte irá com Daniel Vilela, independentemente de José Mário Schreiner. Parte do Agro — aquele mais bolsonarista —tende a seguir Wilder Morais (PL).

Há quem formule assim: “A vice pode ser um presente político para Zé Mário, mas não para Daniel Vilela”.
Dois problemas graves para Schreiner
Há dois problemas, tidos como graves, para José Mário Schreiner. A força política mais expressiva do Sudoeste hoje é representada pelo grupo do ex-prefeito Paulo do Vale (PSD), do prefeito Wellington Carrijo (MDB) e do deputado estadual Lucas do Vale (PSD). Vários prefeitos da região integram o grupo. Parte do Agro do Sudoeste, e não apenas de Rio Verde, compõe com o grupo dos Vale.

Nem que a vaca tussa em russo e a soja cante em hebraico o grupo de Paulo do Vale apoiará José Mário Schreiner para vice. Pode apoiar Luiz Carlos do Carmo, do PSD, ou Adriano da Rocha Lima, do PSD. E vai apoiar Daniel Vilela para governador. Mas não apoia, frise-se, o presidente da Faeg para vice. É definitivo. É incontornável.
O segundo problema são os evangélicos. Um dirigente da Adial, supostamente orientado por José Mário Schreiner, fez uma crítica dura ao evangélico Luiz Carlos do Carmo, irmão do bispo Oídes José do Carmo, voz mais respeitada da Assembleia de Deus em Goiás, e a Adriano da Rocha Lima (PSD).

O aliado da Adial disse, de maneira enviesada, que só José Mário Schreiner é qualificado para ser vice de Daniel Vilela. Outro político, portanto, não serve. A declaração do “amigo” — agindo quase como inimigo — pode ter minado a candidatura do presidente da Faeg? Talvez não. Mas, de alguma maneira, enfraqueceu-a.
A declaração do dirigente da Adial foi tão infeliz que acabou por fortalecer tanto Adriano da Rocha Lima quanto Luiz Carlos do Carmo. Ele acabou se tornando um cabo eleitoral indireto dos dois. É o chamado tiro pela culatra. (E.F.B.)



