O presidente licenciado da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (de Porto União, Santa Catarina), do PSD, pode ser vice do governador Daniel Vilela — pré-candidato à reeleição pelo MDB?

Pode, é claro. Ligado ao Agro e ex-deputado federal, José Mário Schreiner tem força política e capacidade de articulação. Não se pode negar isto.

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Luiz Carlos do Carmo: aposta dos evangélicos para vice de Daniel Vilela | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

A pergunta é: José Mário Schreiner traz realmente o Agro para apoiar a reeleição de Daniel Vilela. Há quem acredite que sim. Há quem duvide.

Porque o Agro em Goiás, como de resto no Brasil, está dividido. Parte irá com Daniel Vilela, independentemente de José Mário Schreiner. Parte do Agro — aquele mais bolsonarista —tende a seguir Wilder Morais (PL).

Adriano da Rocha Lima: vice dos sonhos do governador Ronaldo Caiado | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Há quem formule assim: “A vice pode ser um presente político para Zé Mário, mas não para Daniel Vilela”.

Dois problemas graves para Schreiner

Há dois problemas, tidos como graves, para José Mário Schreiner. A força política mais expressiva do Sudoeste hoje é representada pelo grupo do ex-prefeito Paulo do Vale (PSD), do prefeito Wellington Carrijo (MDB) e do deputado estadual Lucas do Vale (PSD). Vários prefeitos da região integram o grupo. Parte do Agro do Sudoeste, e não apenas de Rio Verde, compõe com o grupo dos Vale.

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Paulo do Vale: restrição absoluta e irrestrita a José Mário Schreiner | Foto: Fábio Chagas/ Jornal Opção

Nem que a vaca tussa em russo e a soja cante em hebraico o grupo de Paulo do Vale apoiará José Mário Schreiner para vice. Pode apoiar Luiz Carlos do Carmo, do PSD, ou Adriano da Rocha Lima, do PSD. E vai apoiar Daniel Vilela para governador. Mas não apoia, frise-se, o presidente da Faeg para vice. É definitivo. É incontornável.

O segundo problema são os evangélicos. Um dirigente da Adial, supostamente orientado por José Mário Schreiner, fez uma crítica dura ao evangélico Luiz Carlos do Carmo, irmão do bispo Oídes José do Carmo, voz mais respeitada da Assembleia de Deus em Goiás, e a Adriano da Rocha Lima (PSD).

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Daniel Vilela e Oídes José do Carmo: aliados e amigos | Foto: Divulgação

O aliado da Adial disse, de maneira enviesada, que só José Mário Schreiner é qualificado para ser vice de Daniel Vilela. Outro político, portanto, não serve. A declaração do “amigo” — agindo quase como inimigo — pode ter minado a candidatura do presidente da Faeg? Talvez não. Mas, de alguma maneira, enfraqueceu-a.

A declaração do dirigente da Adial foi tão infeliz que acabou por fortalecer tanto Adriano da Rocha Lima quanto Luiz Carlos do Carmo. Ele acabou se tornando um cabo eleitoral indireto dos dois. É o chamado tiro pela culatra. (E.F.B.)