Aldo Rebelo deixa o PC do B e pode ser candidato a presidente da República pelo PT ou pelo PSB

Depois de 40 anos no PC do B, consagrado como um de seus principais líderes, o ex-deputado federal pode estar buscando se tornar palatável à opinião média do país

Aldo Rebelo foi ministro da Defesa | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No subterrâneo do PT, portanto não para consumo público, há consenso de que Lula da Silva não terá condições de ser candidato a presidente. Ao mesmo tempo, avalia-se que, se não segurá-lo nas cordas, o PT chega a 2018 sem as mínimas condições de lançar um candidato. Lula, ao postar-se como candidato antecipado, estaria segurando a vaga para outro postulante. Quem? Ciro Gomes (PDT) não é, pois, para se firmar contra um candidato da direita, terá de fazer a crítica dos governos do PT e, também, de seus líderes. O petista Fernando Haddad é visto como um político que não ultrapassa a capital paulista, quer dizer, não chega nem mesmo ao Estado de São Paulo. Não há outro nome. Pode ser Aldo Rebelo? É possível. Porque o ex-deputado federal é visto como um político íntegro e, apesar de sua conexão com o PT e seus governos, e de sua firme aliança com Lula da Silva e Dilma Rousseff, não há indícios de que tenha se envolvido no submundo dos reds petistas. Ele também é visto como um “bom” vice para Lula da Silva.

Aldo Rebelo anuncia, depois de um casamento de 40 anos — que parecia mais sólido do que o Pão de Açúcar —, que está deixando o Partido Comunista do Brasil, o nanico PC do B. Guardadas as proporções, a saída de Aldo Rebelo do nanico PC do B é quase como, digamos, a saída de Raúl Castro do Partido Comunista Cubano. Uma coisa inimaginável. Mas o fato é que o político de Alagoas que se consagrou em São Paulo, depois de longa parceria com o senador Renan Calheiros (PMDB), deu tchau aos comunas.

A presidente nacional do partido, Luciana Santos, sugere que o divórcio não foi litigioso: “Dada a convergência de opiniões políticas e os fortes laços que continuam ligando Aldo ao nosso partido, manteremos o diálogo em torno das grandes questões nacionais”. Devido ao prestígio de Aldo Rebelo — que os maledicentes chamam de “Stálin da Língua Portuguesa” e de “Policarpo Quaremos da esquerda” —, tanto na esquerda quanto em setores do centro político, pode ser verdade. Mas a prática política dos comunistas é outra: quem sai se torna “inimigo”, mais do que adversário. Entretanto, se a estratégia for transformar Aldo Rebelo em candidato a presidente palatável ao país — dificilmente, um comunista se elegeria —, o PC do B vai tratá-lo, como já está fazendo, com luvas de pelica.

Há quem aposte Aldo Rebelo que pode ser candidato do PSB a presidente da República. É possível. Aldo Rebelo transita bem no Partido Socialista Brasileiro e, mesmo, não tem resistência em vários outros partidos da esquerda para o centro. A família de Theotônio Vilela, de usineiros de Alagoas, e o grupo de Renan Calheiros o têm em boa conta. Lula da Silva o avalia como um político de alta qualidade. Fora do PC do B, portanto, torna-se palatável.

No momento, Aldo Rebelo estuda assuntos como agronegócio e meio ambiente. Uma pauta de candidato a presidente? É possível.

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