Por Ycarim Melgaço
Brasileiro tem uma relação curiosa com a derrota. Em vez de aceitar o resultado, prefere reconstruir uma partida que nunca existiu.
Entre as lembranças da várzea e o espetáculo bilionário da Copa de 2026, autor reflete sobre como o futebol deixou de pertencer aos torcedores para se tornar um ativo controlado por grandes corporações e fundos globais
O aeroporto de Lisboa não voa; ele trava. Para o turista brasileiro, a chegada à progressista e charmosa capital portuguesa tem sido precedida por um purgatório burocrático
Não importa qual seja o aparelho, ser furtado deixa a gente profundamente chateado. Há um sentimento de impotência que toma conta
O que me capturou foi outra coisa: a forma como ele colocava lado a lado civilizações milenares, como se tudo fizesse parte de um mesmo contexto.
Nenhum ser humano jamais esteve tão longe de casa. Viram um nascer da Terra, um eclipse solar com a coroa do Sol brilhando ao redor da borda lunar
O Golfo vendeu ao mundo uma imagem de ilusão moderna. Eles construíram prédios altos, centros de compras e pistas de esqui no meio do deserto
O nome da cidade lembra logo a tragédia da barragem da Vale. A lama engoliu vidas e casas em um episódio de descuido. Inhotim está nesse município ferido
Quando um país começa a exportar seus habitantes, é sinal de que o voo mais importante já não é o do turista que chega, mas o do morador que parte
Na democracia, corremos o risco de ver, mais uma vez, o Estado de Direito taxiando na pista, sem saber se decola ou se volta para o pátio
Não é um resortzinho de beira de estrada: é refúgio de celebridades, de empresários discretos e, mais recentemente, de suas excelências togadas
A Venezuela continua sendo um país de paisagens extraordinárias. Mas hoje o que mais se projeta sobre seu território não é apenas o azul do céu, é a sombra permanente da geopolítica
Vietnã turístico segue vendendo natureza, cultura e hospitalidade. Em paralelo, uma outra economia opera em silêncio, extraindo renda diretamente da precariedade
Aeroporto Humberto Delgado não recebe passageiros. Ele os inicia. É um rito de passagem. Um teste de resistência digno de reality show
Até outro dia, o que separava a gente no voo era só o tamanho da poltrona, a comida ou a simpatia do comissário


