Por Euler de França Belém
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Fidel Castro e o papa Francisco: note sua roupa-uniforme da Adidas[/caption]
Baseado numa fonte exclusiva do alto escalão do governo cubano, o jornalista e escritor Klester Cavalcanti publicou, no Facebook, que Fidel Castro, eminência parda do governo de Cuba, recebe cerca de 5 milhões de dólares (20 milhões de reais) da Adidas “por cada aparição que faz exibindo a marca”. A revista “Forbes” aponta o longevo líder da ilha como bilionário. Ele teria dinheiro depositado na Suíça, mas nenhuma publicação conseguiu revelar em quais bancos.
Aos que questionaram o fato de a Adidas pagar tanto dinheiro para um político decadente, de quase 90 anos, Klester Cavalcanti contrapôs: “É um símbolo mundial. Todo mundo sabe quem é Fidel”. Ele “vale mais do que muitos atletas de ponta”.
Klester Cavalcanti ressalta que não sabe o valor exato que o grupo alemão paga ao líder comunista — cuja família está no poder há quase 57 anos — e possivelmente nenhuma das partes vai revelar. “O que se sabe”, frisa o jornalista, é que o ditador “prega uma coisa, mas faz outra”.
Sobre sua fonte, do alto escalão cubano, Klester Cavalcanti sublinha que não pode revelar o nome. Se o fizer, ela sofreria represálias do governo de Fidel e Raúl Castro — Batman e Robin do comunismo —, “como ele [Fidel] faz com todos que não se curvam às suas ideias”.
A Adidas se tornou uma espécie de marca quase cubana... em Cuba. O motivo? “É a marca do comandante”, afirma Klester Cavalcanti.
Um leitor da postagem de Klester Cavalcanti sugeriu que, sendo uma empresa de capital aberto, a Adidas tem de divulgar os dados, inclusive sobre o “patrocínio” a Fidel Castro. A réplica do jornalista: “A Adidas só é obrigada a divulgar informações contratuais a seus acionistas. Além disso, há a possibilidade de esse contrato com Fidel ser informal, sem nada assinado, como muitas celebridades fazem com marcas de roupa, montadora de automóvel, marca de relógio. Esse tipo de coisa é muito comum”.
Por que Fidel Castro não aparece pelo menos uma vez com uma roupa da Nike ou de outra marca e por que sempre aparece de Adidas? Tudo indica que “não” pode trocar de marca.
O comportamento de Fidel Castro, para Klester Cavalcanti, “indica quatro coisas: incoerência, hipocrisia, cara de pau e falta de vergonha na cara. Quer criticar o capitalismo? Beleza. Mas seja coerente! Lembra do nosso amado Ariano Suassuna? Ele dizia odiar tudo que vinha de fora do Brasil. Dá um Google e vê as fotos do Ariano. Eu arranco meu braço direito se você achar uma foto do Ariano usando roupa de marca gringa. Isso é coerência. Fidel aparecer em tantas fotos usando Adidas seria o mesmo que o Ariano falar tudo o que falava nas palestras e aparecer em público com uma camisa dos Estados Unidos”. Faltou a Klester Cavalcanti ressalvar a “paixão” de Ariano Suassuna pela TV Globo.
A batalha de Cuba pelo “vil metal” dos capitalistas, não importam quais, levou o governo de Fidel Castro a acumpliciar-se com o narcotraficante Pablo Escobar. Quando o presidente dos Estados Unidos, na época Bill Clinton, descobriu, por intermédio da CIA, a negociação dos comunistas com o tráfico de cocaína, e avisou Fidel Castro, este, fingindo que não sabia de nada — apesar de o G2, o serviço secreto cubano, ter sido organizado pela Stasi (a revelação é de Markus Wolff, no livro “O Homem Sem Rosto”, sua autobiografia) — mandou fuzilar o general Arnaldo Ochoa e outros militares, depois de um julgamento que lembra, e não vagamente, os julgamentos de Moscou.
O Jornal Opção publicou dois textos a respeito. Numa deles, um menciona jornalistas e um historiador que investigaram a história da ligação com narcotraficantes da Colômbia. Noutro texto, baseado no livro “Pablo Escobar — Ascensão e Queda do Grande Traficante de Drogas” (Planeta, 383 páginas, tradução de Eric R. R. Heneault e Olga Cafalcchio), do jornalista e ex-prefeito de Medellín Alonso Salazar, detalha-se o envolvimento da cúpula cubana com traficantes de cocaína. Os laços foram criados por esquerdistas da Colômbia.
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Obra de Primo Levi, com Leonardo De Benedetti, indica que se trata de texto mais interessável sobre Auschwitz[/caption]
O judeu italiano Primo Levi escreveu talvez o livro mais extraordinário de um homem que esteve num campo de extermínio. “É Isto um Homem?” (Rocco, 256 páginas, tradução de Luigi Del Re) não é lacrimoso e conta, de forma seca, ao estilo de Graciliano Ramos, como era a vida em Auschwitz, como os seres humanos, desumanizados — tanto as vítimas quanto os algozes —, se comportavam no dia a dia. Agora, a Companhia das Letras lança “Assim Foi Auschwitz” (280 páginas, tradução de Federico Carotti), de Primo Levi com Leonardo De Benedetti.
Quando libertou os prisioneiros de Auschwitz, na Polônia, a cúpula do Exército soviético solicitou que Primo Levi e Leonardo De Benedetti escrevessem um relatório circunstanciado do que era o campo de extermínio, notadamente sobre suas condições de saúde. Os dois italianos elaboraram o impressionante “Relatório Sobre Auschwitz”. A vida lá, a abominação criada pelos nazistas da Alemanha, era pior do que se imaginava.
O “Relatório Sobre Auschwitz” foi publicado em 1946. Além da denúncia em si, acabou sendo importante por, em seguida, revelar um escritor, Primo Levi, que escreveu outros livros sobre as agruras de se viver em Auschwitz.
Textos inéditos de Primo Levi sobre Auschwitz são reunidos no livro publicado pela Companhia das Letras. Os textos do sobrevivente de Auschwitz difere, em larga medida, de alguns depoimentos de outras vítimas do Holocausto. O autor de “A Trégua” não retira a emoção de suas histórias, mas não permite que ela turve sua capacidade de mostrar e analisar. Por vezes, sua prosa parece fria, distanciada. Mas é o modo que encontrou, com precisão, de relatar a verdade do que viu e sentiu num dos mais letais campos criados pelos alemães de Adolf Hitler.
Depois de sobreviver a Auschwitz e de viver para contar o que aconteceu na fábrica da morte, Primo Levi matou-se em 1987. Estava depressivo e, por certo, Auschwitz, mesmo depois de várias tentativas de purgação, com a publicação de livros, “vivia” incrustado no seu ser (leia mais aqui).
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Livro mostra que um latino-americano é o melhor explicador do mais celebrado romance de Flaubert[/caption]
Esqueça o filósofo Jean-Paul Sartre, autor de um “calhamaço menor” sobre Gustave Flaubert. Um dos melhores livros sobre Flaubert e sua obra-prima, o romance “Madame Bovary”, foi escrito por um peruano, Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura. “A Orgia Perpétua — Flaubert e Madame Bovary” já havia sido publicado em português, mas só pode ser encontrado em sebos. A Alfaguara lança nova edição, com tradução precisa de José Rubens Siqueira.
Em meras 280 páginas, Vargas Llosa escreve uma crítica brilhante sobre um dos romances mais emblemáticos da história da literatura. O escritor e crítico leu, releu e virou de ponta-cabeça o polêmico livro de Flaubert, esticando o cérebro do leitor para um entendimento mais amplo de uma história que se tornou, por assim dizer, patrimônio de todos nós. Emma Bovary “era” Flaubert, como ele disse, e todos nós — um verdadeiro poço de contradições e desejos reprimidos e, às vezes, liberados.
O que o autor de “Travessuras da Menina Má” — quem sabe, uma Bovary menor — diz ao leitor, com palavras candentes e claras, é que o romance tem muito mais a dizer que o mero adultério de Emma, motivo da fama da história. A delícia do texto, e como Flaubert o elabora e conta a história, é exibida de maneira exemplar por Vargas Llosa.
Consta que franceses sentem ciúme de um de seus maiores escritores — talvez o maior, ao lado de Marcel Proust — ter sido analisado de modo tão percuciente por um crítico estrangeiro (muitos franceses se acham “o” povo, não “um” povo). É provável que ninguém fez tanto por um romance — transformando-o numa catedral de arquitetura bela e sólida — quanto Vargas Llosa.
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Rubem Alves | Foto: reprodução[/caption]
Seus textos leves, mas com alguma profundidade, encantaram leitores durante anos. Com a internet, tornaram-se textos-citações. Centenas, talvez milhares, de pessoas passaram a mencioná-los como se contivessem lições fundamentais sobre a vida. Visto às vezes como um Paulo Coelho intelectualizado, Rubem Alves era bem mais do que isto — era um filósofo que escrevia com clareza e buscava, como os gregos, interferir na vida cotidiana de seus pares, menos com o objetivo de ser uma espécie de guia espiritual e mais como um veículo de iluminação e indicativo de que caminhos diferentes (humanistas e cordiais) são possíveis.
Rubem Alves escrevia muito, o que contribuiu, por certo, para simplificar seu pensamento. Mesmo assim, no estilo de Drauzio Varella — que simplifica para se tornar legível pelas maiorias —, não era um intelectual raso (ainda que alguns de seus textos sejam até simplistas). É o que procura mostrar a biografia “É Uma Pena Não Viver — Uma Biografia de Rubem Alves” (Planeta, 496 páginas), do jornalista Gonçalo Júnior.
Rubem Alves morreu em julho de 2014, há pouco mais de um ano, e por isso é difícil produzir uma biografia detida, mais racional do que emocional. Faltam, por exemplo, análises mais detidas das ideias do filósofo; não de Gonçalo Júnior, e sim de outros autores. Mesmo assim, o texto de Gonçalo Júnior é preciso, sem pieguices de fã. O biógrafo relata, com precisão, a perseguição sofrida pelo teólogo, filósofo e psicanalista por parte da Igreja Presbiteriana do Brasil, no início da ditadura civil-militar. Ele foi morar nos Estados Unidos, onde deu aulas em universidades.
Na semana passada, o Jornal Opção publicou carta de Beatriz Martins, “Perdi minha filha para a Sibutramina”, na qual conta a odisseia da estudante Carolina Martins Moura, falecida recentemente. Carolina, a Carol, era filha de Beatriz Martins e do presidente do Sindicato da Construção Civil de Goiás (Sinduscon), Carlos Alberto Moura. A carta obteve mais de 1,5 milhão de acessos únicos.
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Saul Bellow | Foto: Ulf Andersen/Getty Images[/caption]
Saul Bellow é, ao lado de William Faulkner, o maior escritor americano do século 20, seguido, às vezes de perto, por Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, John Updike, Philip Roth e Joyce Carol Oates. Por isso faz muito bem a Companhia das Letras ao publicar, num único volume (“A Conexão Bellarosa”, 424 páginas), quatro novelas de Bellow: “Um Furto”, “A Conexão Bellarosa”, “Uma afinidade Verdadeira” e “Ravelstein”.
“Ravelstein” conta a história do crítico e ensaísta Allan Bloom (não confundir com Harold), notável intelectual americano, amigo de Bellow, que, como tantos, a Aids levou. Parte da família de Allan Bloom não apreciou a crueza da novela (que mal disfarça sobre quem é o personagem), ou pequeno romance. Mas a história, verdadeira e rica, é um poderoso retrato de um homem brilhante que, como todos nós, pode ter sucumbido aos instintos, ao tormento do sexo.
A tradução é de Caetano Waldrigues Galindo (o tradutor de James Joyce) e Rogério W. Galindo.
A entrevista exclusiva do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao repórter Frederico Victor, do Jornal Opção, foi repercutida nos principais jornais e portais do país. Nas redes sociais, sobretudo, gerou comoção — o que resultou num acesso extraordinário. A “Exame”, maior revista de economia do país, UOL, Portal Líder, Portal Fórum, Brasil 247, Diário do Nordeste, Portal Imprensa, entre outros, deram ampla cobertura à entrevista do Jornal Opção Online. O parlamentar chamou os refugiados da Síria de “escória” e sugere que a presidente Dilma Rousseff sofra um infarto — “espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira” —, numa grosseria ímpar até mesmo para seus padrões. Jair Bolsonaro esteve em Goiânia na quinta-feira, 17, a convite da Corregedoria-Geral da Justiça, para participar do I Workshop da Justiça Criminal, na Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego). Inicialmente, o deputado ensaiou uma contestação de parte da entrevista, mas recuou ao verificar que o repórter, precavido, havia gravado toda a conversa.
Alan Rusbridger, ex-diretor de redação do jornal britânico “The Guardian”, que divulgou os arquivos de Edward Snowden, publicou um longo artigo recentemente — transcrito no Brasil pela “Revista de Jornalismo ESPM” —, com o título de “O mundo pós-Snowden”. O jornalista diz que as fontes dos profissionais da imprensa são sagradas, mas passíveis de rastreamento público ou privado, até com relativa facilidade. Ele recomenda que, depois da revelação de que o governo dos Estados Unidos espionava pessoas em vários países — onde interessava —, os jornalistas precisam se preocupar com a integridade de suas fontes e, inclusive, das informações que mantêm em seus computadores. Hoje, sabe-se, tudo vaza. Conversas por telefone às vezes se tornam comícios em questão de minutos. Por isso, o experimentado editor, que agora faz parte da cúpula do “Guardian”, pergunta: “Será que [o jornalista] entendeu que nenhuma fonte pode ser considerada realmente sigilosa se sua identidade pode ser rapidamente revelada pelo rastro eletrônico que todos deixamos?” O trabalho do jornalista é cada vez mais vulnerável. Cita-se Snowden e Rusbridger para se comentar a história do jornalista Allan Abreu, que foi processado porque divulgou informações de um processo sigiloso (sequestro de um fazeneiro). A Justiça Federal autorizou a quebra de seu sigilo telefônico e de 30 repórteres do “Diário da Região”, de São José do Rio Preto (SP). O jornalista conseguiu as informações mas não invadiu o Fórum; portanto, não cometeu nenhum crime. O que se quer é processar sua fonte, por isso a Justiça Federal autorizou a quebra do sigilo telefônico do jornalista. O julgamento ainda não está inteiramente definido, pois o ministro Gilmar Mendes pediu vista para examinar o caso. Mas o relator do caso, Dias Toffoli, decidiu de modo diferente ao se definir contra a quebra do sigilo telefônico dos jornalistas. O ministro quer interromper o inquérito contra o repórter e, com isso, anular seu indiciamento. Escreveu Dias Toffoli: “Não há o mais tênue indício de que o jornalista tenha concorrido para quebra de sigilo. Ausentes indícios de que o jornalista, ao publicar conteúdo de interceptação tenha concorrido para violação de segrego de justiça, por quem tinha dever de preservar, vislumbro manifesta ilegalidade no afastamento do sigilo telefônico do jornalista e da empresa para apurar teoria da quebra do sigilo”. Seguindo o voto de Dias Toffoli, a ministra Cármen Lúcia defendeu o sigilo constitucional da fonte jornalística: “O jornalista está exercendo essa profissão e recebe a informação e não pode indicar a fonte. No caso, buscam especificamente conhecer a fonte e a gente sabe que é procedimento muito comum em regime antidemocrático se buscar a fonte forçando o jornalista a fazer algo que não pode por dever legal”. O querem do jornalista é que forneça o nome da fonte, para que seja processada e, se for funcionário público, demitida. Ao mesmo tempo, a revelação da fonte é o fim do jornalismo investigativo.
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Patrick Cockburn | Foto: divulgação[/caption]
Livro elogiado, de modo escancarado, pelo radical Noam Chomsky é suspeito de esquerdismo. Mas há elogios dos equilibrados Elio Gaspari e “The Observer”. “A Origem do Estado Islâmico — O Fracasso da ‘Guerra ao Terror’ e a Ascensão Jihadista” (Autonomia Literária, 208 páginas, tradução de Antônio Martins), de Patrick Cockburn, é apontada como obra ponderada sobre o ISIS.
O Estado Islâmico, filho bastardo da Guerra ao Terror, “veio para ficar”, aposta Elio Gaspari. Chomsky diz que aqueles
O prefeito cansou-se de ser sabotado pelo ex-prefeito, que se considera dono ou sócio remido do município
Licínio Barbosa é o vice-presidente e Miguel Jorge é o secretário-geral
A escritora Lêda Selma [primeira à esquerda na foto] assume a presidência da Academia Goiana de Letras na quinta-feira, 1º de outubro. A posse ocorrerá na sede da AGL, na Rua 20, esquina com a Rua 15, no Centro de Goiânia.
O advogado e escritor Licínio Barbosa [foto acima] e o romancista, contista e poeta Miguel Jorge [foto abaixo] assumem como, respectivamente, vice-presidente e secretário-geral.
Emílio Vieira (1º secretário), Edival Lourenço (2º secretário), Bariani Ortencio (1º tesoureiro), Eurico Barbosa (2º tesoureiro) e Delermando Vieira (diretor da Biblioteca) também compõem o o novo comando da AGL.
O presidente do PP de Goiás, o senador Wilder Morais, vai bancar Eurípedes Pankão, do PP, para prefeito de Acreúna.
O compromisso é que, em 2018, Pankão, ex-prefeito de Acreúna, deve apoiar a reeleição de Wilder Morais.
Pankão era ligado ao senador Ronaldo Caiado, do qual coordenou a campanha em 2014.
Depois de se filiar ao PSDB, o vice-governador José Eliton lidera missão internacional no Peru e na Colômbia, com o objetivo de atrair investimentos para Goiás. O vice e secretário de Desenvolvimento viaja neste fim de semana.
O ex-tucano vai disputar mandato de vereador e apoia Alcides Ribeiro para prefeito de Aparecida de Goiânia
O desafio é de brincadeira, mas Hidekichi Miyazaki não ficou satisfeito com seu tempo e quer baixá-lo

