Por Euler de França Belém
O governador Marconi Perillo tem pelo menos 2 jogos para a disputa da Prefeitura de Goiânia. No 1º turno, vai bancar o candidato do PSDB (quer o partido forte em Goiás para exibi-lo no país). No 2º, irá para o palanque de qualquer um dos candidatos de sua base política. Por isso, pode-se falar que o tucano-chefe tem vários players na capital: Jayme Rincón, Giuseppe Vecci, Thiago Peixoto, Vanderlan Cardoso, Luiz Bittencourt, Sandes Júnior e Virmondes Cruvinel.
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Henrique Jayme | Foto: Facebook[/caption]
Engenheiro formado pela USP, com mestrado iniciado em economia na Universidade de Brasília (UnB) e proprietário de uma empresa de alimentos, Henrique de Pina Jayme, um garoto de menos de 30 anos, pode ser o fenômeno eleitoral de Pirenópolis. Ele deve ser candidato a prefeito pelo PSDB.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, e o prefeito Nivaldo Melo devem apoiá-lo. É uma aposta na renovação, sobretudo numa renovação consistente e arejada. Henrique Jayme está se revelando agregador, moderado e hábil nas articulações políticas.
Até seu pai, o experimentado Frederico Jayme, está surpreso com a desenvoltura política de Henrique Jayme. “Sua receptividade é extraordinária”, afirma o ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo.
Frederico Jayme diz que não vai impedir a carreira política do filho. Mas diz que às vezes pega-se pensando se não seria melhor Henrique Jayme concluir o mestrado, fazer o doutorado e tocar seus negócios. “A política é um caminho quase sem volta. Sair, como eu fiz, não é fácil. E há os dissabores.”
O presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves, encontrou-se com o deputado federal João Campos e perguntou: “Procede que você saiu do páreo da disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2016?” Afrêni, que está organizando as prévias, ficou surpreso com a resposta do deputado bancado pelas igrejas evangélicas e por parte da Polícia Civil de Goiás. João Campos disse que não saiu do páreo e que tem votado de disputar a prefeitura.
Políticos de Mineiros sugerem que o prefeito Agenor Rezende (PMDB), de 71 anos, é um fenômeno político e administrativo a ser estudado. Ele é mal avaliado pela população — não recebe as pessoas, manda secretários recebê-las, sempre alegando que não tem tempo —, mas sua gestão não é tão mal avaliada. Peemedebistas avaliam que a “candidata ideal” para enfrentar Agenor Rezende é Neiba Barcellos. Motivo: como também foi prefeita, a tucana tem certo desgaste, que, na campanha, tende a ser exibido, avaliado e comparado ao do prefeito. A ressalva é que o desgaste recente é sempre mais forte do que o passado, que tende a ser esquecido. Como são mais conhecidos, com um cartel administrativo para exibir, Agenor e Neiba polarizam, no momento, as atenções dos eleitores.
O suplente de deputado federal José Mário Schreiner (PSD), presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), deve apoiar a candidatura de Neiba Barcellos (PSDB) para prefeita de Mineiros. Acredita-se, até, que o governador de Goiás, Marconi Perillo, vai articular um frentão para o tucanato recuperar o poder numa das principais cidades do Sudoeste.
Embora não seja muito presente na cidade, dada sua atuação no Estado, pela Faeg, e no país, pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Schreiner é respeitado pelo eleitorado. Afinal, como figura de prestígio regional e nacional, é motivo de orgulho para os moradores de Mineiros.
Sua força eleitoral em Mineiros não é decisiva, mas, como a eleição de 2016 será muito acirrada, seu apoio pode fazer a diferença para Neiba.
O prefeito Agenor Rezende, do PMDB, e a ex-prefeita Neiba Barcellos, do PSDB, representam a tradição política em Mineiros. Se o eleitor optar pelos dois candidatos estará bancando a tradição e ignorando a renovação. Duas políticas representam o “novo” em Mineiros: a cirurgiã plástica Ivane Campos, do PT, e a dentista e vereadora Flávia Vilela, do Solidariedade. O PT é fraco e isolado na cidade — só tem um vereador (o município tem 15 vereadores) —, mas Ivane Campos, paradoxalmente, é consistente eleitoralmente. Talvez seja possível sugerir que, se tivesse um grupo político mais amplo, seria uma candidata perigosa, eleitoralmente, para as forças tradicionais. Flávia Vilela é articulada, está no segundo mandato e seu partido é o que tem mais vereadores na Câmara Municipal — cinco. O problema é que atuam da seguinte forma: é cada por si e Deus contra todos. Não há uma ação unificada e pró-candidatura de Flávia Vilela. Portanto, o grupo, que em tese é forte, na prática é frágil e nada coeso.
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Eduardo Cury[/caption]
O PSDB nacional constituiu uma comissão de 9 deputados federais para fazer um diagnóstico do desempenho eleitoral do partido, desde as eleições de 2008, em todos os Estados.
Em cada Estado, um deputado verificava: o desempenho do partido nas cidades com mais de 100 mil eleitores, nas cidades com mais de 100 mil habitantes e nas cidades em que há programa de televisão durante as campanhas.
Eduardo Cury, de São Paulo, foi o deputado federal escolhido para colher as informações sobre Goiás. Ele esteve em Goiânia e conversou demoradamente com a cúpula do PSDB. Depois de falar com Afrêni Gonçalves, esteve com o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Numa conversa com integrantes do PSDB, Cury disse: “Marconi Perillo tem um nome respeitado nacionalmente, tanto como político como quanto gestor inovador e criativo. Portanto, não dá para ‘segurá-lo’ se quiser disputar a Presidência da República”.
Cury perguntou se havia um candidato definido para prefeito de Goiânia. Afrêni explicou que não e que o partido fará prévias. Porque há pelo menos três postulantes declarados: Jayme Rincón e os deputados Fábio Sousa e Waldir Soares.
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Foto: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Quase definido como candidato a prefeito de Goiânia pelo PSD, Virmondes Cruvinel prefere sugerir que se trata de um dos nomes. “Nós temos, para ficar em dois políticos, Thiago Peixoto e Francisco Jr. São políticos qualitativos, posicionados e que sabem tudo sobre a capital.”
Com seu nome colocado por aliados, para que comece a ser avaliado pelo eleitorado, Virmondes Cruvinel quer ser candidato e conhece como poucos os problemas da cidade. Mas não quer parar na fase do diagnóstico.
Virmondes Cruvinel está estudando Goiânia, em detalhes, e visitando outras cidades para, no lugar de ficar discutindo problemas, resolvê-los — se for eleito, é claro.
Na semana passada, quando ficou evidenciado que é o político do PSD que parece mais disposto a ser candidato, Virmondes Cruvinel recebeu dezenas de telefonemas e centenas de mensagens de apoio nas redes sociais (as redes “virmondizaram” ou “virmondiviralizaram”).
A maioria realça que se trata de um político qualificado e atento aos fatos da cidade. Poucos trabalham tanto para melhorar o lazer do goianiense quanto Virmondes Cruvinel. O deputado estadual foi decisivo na aprovação do estatuto da micro e da pequena empresa.
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Jayme Rincón e Giuseppe Vecci[/caption]
Jayme Rincón não tem um minuto de desânimo e planeja mesmo disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016 pelo PSDB. É definitivo: trata-se do nome do governador Marconi Perillo, que o avalia como um gestor muito superior a outros pré-candidatos. Seu único rival, do ponto de vista do alto tucanato, é o deputado federal Giuseppe Vecci. Este banca Rincón e só disputará se o presidente da Agetop desistir e o tucano-chefe bancá-lo integralmente.
É possível uma chapa com Rincón e Vecci? É, só não se sabe qual posição que cada um ocuparia na chapa. Mas dificilmente se terá chapa pura, porque é preciso agregar o tempo de televisão. É alta a possibilidade de o deputado federal Sandes Júnior ser vice tanto do presidente da Agetop quanto do deputado tucano .
O PSD, que pretende lançar candidato a prefeito, mas falta-lhe estrutura, também pode trabalhar para bancar o vice do candidato tucano. Por sua identidade com Goiânia, com amplas conexões sociais, Virmondes Cruvinel é apontado como o nome adequado.
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Virmondes é bem qualificado | Foto: Marcos Kennedy[/caption]
Não deixa de ser curioso que, de repente, vários políticos se lembraram de Virmondes Cruvinel para vice. Jayme Rincón, do PSDB, Vanderlan Cardoso, do PSB, e Waldir Soares, do PSDB, Sandes Júnior, do PP: todos gostariam de tê-lo como vice? É bem possível.
Além de Virmondes Cruvinel ser um político que qualifica o debate e de ter profunda identidade com segmentos de Goiânia, integra um partido que tem bom tempo de televisão e pode contribuir para articular parte da estrutura da campanha.
De um tucano de alta plumagem: “Waldir Soares é mais popular, mas Virmondes Cruvinel é mais qualificado”. O mesmo tucano avalia que, na hora agá, se Waldir Soares não sair do páreo, e continuar consistente eleitoralmente, talvez seja possível uma chapa com os dois políticos. Waldir Soares para prefeito e Virmondes Cruvinel para vice-prefeito. O segundo daria mais consistência, em termos de conteúdo, ao primeiro. E o primeiro daria mais consistência, em termos de voto, ao segundo. No momento, o único político da base governista que está na cola de Iris Rezende é mesmo Waldir Soares.
O deputado federal Waldir Soares é persona non grata para 95% dos líderes do PSDB (os 5% restantes são indiferentes). A maioria finge que ele permanece tucano, mas todos sabem que o deputado não tem mais nada a ver com o partido. É o que se pode chamar de pós-tucano.
Em política há a figura do “burro-inteligente”. Trata-se daquele político que é, de fato, inteligente, mas pensa que os demais são burros. No final, tentando iludir os outros, acaba por iludir-se. Aí dá com os burros n’água. O burro-inteligente é sempre um perigo na política, mas para si mesmo, porque está sempre subestimando os aliados e os adversários. É o que ocorre com um pré-candidato “tiririca” de Goiânia.
A prefeita de Valparaíso, Lucimar Nascimento, não faz uma gestão bem avaliada. Mas, se a oposição subestimá-la, lançando um candidato menos consistente, a petista pode surpreender. Lêda Borges quer ser vice na chapa de José Eliton — que deve disputar o governo em 2018 —, mas é o único nome que tem chance de derrotar Lucimar Nascimento, e aparentemente com certa facilidade. O vereador Fábio Mossoró pode perder para Lucimar Nascimento? Não se trata de um político desqualificado, mas não tem a mesma popularidade de Lêda Borges. O comentário tem sido feito com frequência pela cúpula tucana. Tucanos de bico erado sugerem que Lêda Borges precisa ser responsável e pensar na formatação de um quadro político forte no Entorno do DF para as eleições de 2018.
Ao contrário da deputada-secretária Lêda Borges, que não quer disputar a Prefeitura de Valparaíso — para criar um cinturão de poder do PSDB no Entorno do Distrito Federal —, o deputado federal Célio Silveira fez a sua parte. Quer dizer, arrancou do PMDB seu principal líder, o ex-deputado federal Marcelo Melo, em Luziânia. Célio Silveira vai bancar a candidatura de Marcelo Melo para prefeito do município. Ele é o favoritíssimo. Não fosse a ação do parlamentar, a base do governador Marconi Perillo provavelmente perderia o controle político da mais importante cidade do Entorno de Brasília.

