Por Alexandre Parrode
Não convidem a ex-deputada Iris Araújo, do PMDB, o senador Ronaldo Caiado, do DEM, e o deputado José Nelto, do PMDB, para a mesma picanha da Churrascaria Favo de Mel. Pode sair sangue, até muito sangue, e não será da picanha.
Outra questão é: quem tentará arrancar mais sangue da picanha, ops!, de José Nelto, será Iris Araújo ou Ronaldo Caiado?
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Foto: Reprodução/Facebook[/caption]
O deputado José Nelto, inquirido sobre recentes declarações do senador Ronaldo Caiado, que o atacou com firmeza, não quis nem falar o nome do líder do partido Democratas.
O parlamentar diz que filiou-se ao PMDB, na década de 1970, quando o país ainda vivia sob uma ditadura, que era apoiada por vários políticos goianos, alguns deles ainda atuantes. Ele frisa que sua família nunca grilou terras e nunca colocou jagunço para perseguir famílias pobres. “O PMDB é um partido que tem cheiro de povo e não aceita ser liderado por líderes de outros partidos. Nós temos brio e história”, frisa. “Não adianta pressionar e ameaçar. Nós vamos ter candidato a governador em 2018. Isto é definitivo.”
Como o repórter volta a perguntar sobre Ronaldo Caiado, José Nelto frisa: “Não vou falar sobre esse sr. O que posso dizer é que não tenho medo de nenhum homem nesta terra e não levo desaforo para casa. Enfrento qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora”. O jornalista pergunta: “É um recado?” O deputado prefere outras palavras: “É um alerta de que sou um homem moderno, civilizado, mas que não teme o jogo duro da vida e da política”.
Ao final da conversa, José Nelto acrescenta: “Ninguém, mas ninguém mesmo, me intimida”. Ao falar com o Jornal Opção, por telefone, o deputado estava em São Paulo, na companhia de uma filha que é cardiologista.
De um caiadista juramentado: “José Nelto pela de medo do senador Ronaldo Caiado. Falo de medo físico mesmo”.
Aos amigos, José Nelto frisa que não tem de Ronaldo Caiado. Toparia qualquer parada.
O vereador Anselmo Pereira promete “tourear” Jorge Kajuru, vereador mais bem votado na eleição de 2016, desde o primeiro dia. O tucano pretende, se necessário, trabalhar para cassar o mandato do político do PRP. Ele tem feito comentários ácidos sobre o radialista para mais de um vereador.
De um caiadista: “Paulo do Vale, prefeito eleito de Rio Verde, não é peemedebista. Ele é caiadista. É bom que a cúpula do PMDB saiba disso”.
O recado é simples: em 2018, Paulo do Vale não vai apoiar a candidatura de Daniel Vilela, ou de Maguito Vilela, para governador de Goiás. Vai subir no palanque do senador Ronaldo Caiado, do DEM.
O peemedebista Michel Temer está sempre convocando o ex-deputado Sandro Mabel, seu auxiliar, para resolver pequenos, médios e grandes problemas. Quando seus operadores não funcionam, o presidente grita: “Chama o Mabel!”.
Até por ser empresário, Sandro Mabel aprendeu a agir rápido e com eficiência. É o que se diz nos corredores do Palácio do Planalto.
Prefeito eleito de Goianira, Carlão da Fox (PSDB) diz que não vai governar olhando para trás. Mas não terá como não abrir a caixa preta da gestão do prefeito Miller Assis. Só que, no lugar de ficar perdendo tempo com questiúnculas, passará os dados encontrados para o Ministério Público, para a Polícia e, quando for o caso, para a Justiça.
Miller Assis, com a caixa preta aberta, possivelmente responderá a vários processos judiciais, informa a equipe de Carlão da Fox. “Não se tratará de perseguição, e sim de defesa do interesse da sociedade, do interesse público.”
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, poderá surpreender gregos, troianos, tucanos, pessedistas e pepistas e anunciar nomes novos, do e fora do meio político, para compor seu secretariado.
O tucano-chefe tem dito que quer uma equipe menos burocrática, mais ágil. Porque há quem se escude na tese de que “falta dinheiro para quase tudo” para ficar parado e justificar sua falta de criatividade.
Um recado tem sido claro: não há vacas sagradas no governo. Quer dizer, ninguém é intocável.
O deputado federal Thiago Peixoto (PSD) permanece como um dos principais interlocutores do governador de Goiás, Marconi Perillo, a respeito de temas locais e nacionais.
Em Brasília, segundo seus colegas da Câmara dos Deputados, é um dos políticos mais articulados. “Thiago Peixoto chegou e, rapidamente, passou a participar do alto clero. É um caso raro.”
O motivo? A força das ideias, diria o filósofo anglo-letão Isaiah Berlin.
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Renan Calheiros e Lula | Foto: José Cruz/ Agência Brasil[/caption]
Em Brasília só há dois tipos de apostadores. Primeiro, os que garantem que o ex-presidente da República Lula da Silva, do PT, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, serão presos. Segundo, os que discutem as datas das prisões. Numa coisa concordam: as prisões tendem a sair antes do Carnaval de 2017. Para que, exatamente, seja tema dos bailes.
Há um consenso de que Renan Calheiros começa a usar o Senado para tentar intimidar a Justiça. Pode ser um caminho para que sua prisão seja pedida e, por fim, aceita pelo Supremo Tribunal Federal. O senador tem seguindo o mesmo roteiro — improdutivo e perigoso — de Eduardo Cunha. Só é um pouco mais sutil e, quiçá, cínico.
Michel Temer aprecia seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tanto pela firmeza de propósitos quanto pela lealdade e competência técnica. Mas há quem avalie que o ex-presidente do Banco Central, meio burocrata, às vezes amarra as ações do governo.
Embora seja um homem de mercado, sobretudo da área financeira, Henrique Meirelles tem se comportado, por vezes, como se fosse um acadêmico uspiano, com ar professoral.
O vereador Wellington Peixoto, do PMDB, está jogando pesadíssimo para se tornar presidente da Câmara Municipal de Goiânia. Felizmente, Clécio Alves e Andrey Azeredo, do mesmo partido, estão jogando pelas regras da legalidade.
Wellington Peixoto não é uma galinha morta como pensam alguns. Ele articula o tempo todo e conta com o apoio do irmão, o deputado Bruno “Cabelinho” Peixoto. Entretanto, Andrey, o favorito, dado o apoio do prefeito eleito Iris Rezende, pode dormir eleito e acabar derrotado.
O PMDB irista foi vítima de jogo pesado quando, numa jogada hábil, Armando Vergílio operou a vitória de Deivison Costa par presidente do Legislativo goianiense, há alguns anos.
Há notícia de que um postulante a presidente da Câmara Municipal de Goiânia estaria oferecendo até 100 mil reais por voto. Alguns vereadores estariam “comovidos” com a Bolsa Esperteza.
Parece inacreditável, talvez seja fofoca. Porém, se a notícia for verdadeira, é o que se pode chamar de inominável.
Auxiliares mais próximos de Michel Temer, sempre que encontram o deputado federal Daniel Vilela, do PMDB, dizem: “Como vai, governador?”
Daniel Vilela é sempre tratado com extrema deferência pelo presidente e por sua equipe.
Um deputado quis saber por que os temeristas tratam o político goiano tão bem e ouviu as seguintes palavras: “O presidente percebe que o futuro, bem próximo, pertence a este jovem”.
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Daniel e o pai, Maguito | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção[/caption]
As declarações de políticos exigem interpretações. Quando Maguito Vilela sugere que está se aposentando, para abrir espaço para o filho Daniel Vilela, o que ele quer dizer é outra coisa. Não está se aposentando e quer mesmo abrir espaço para o pupilo, mas, se ele não emplacar, volta ao palco e se apresenta como candidato a governador, em 2018.

