Por Alexandre Parrode
O que se comenta em Brasília e em todos os Estados brasileiros, especialmente nos escaninhos do poder, é que o empresário Joesley Batista, depois de ter gravado um presidente da República, Michel Temer, tornou-se uma figura maldita na República. Tanto que se comenta, em tom jocoso mas realista, que a JBS-Friboi se tornará, aos poucos, JBS-Fribezerro. Quer dizer, terá de recomeçar, não do zero, mas de um ponto frágil, ainda nebuloso.
Joesley Batista pode derrubar um presidente, mas há uma aposta de que, a médio ou longo prazo, o tiro mais forte poderá ter sido nos seus próprios negócios. Acrescente-se o fato de que a elite política que o sócio da JBS está tentando destruir não vai sair fácil do poder, ao menos nos próximos dez anos.
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Foto: reprodução[/caption]
Publicitário experimentado, Elsinho Mouco trabalhou na pré-campanha de Júnior Friboi para governador de Goiás — o empresário não conseguiu viabilizar sua candidatura — e é mencionado nas delações de Joesley Batista e executivos da JBS-Friboi. Ele é marqueteiro do presidente da República, Michel Temer, e primo do deputado federal Alexandre Baldy (que, tendo luz própria, não depende do primeiro para fazer política).
Em tom jocoso, um deputado estadual disse: “De ‘Moco’, o Elsinho não tem nada”.
Executivo da JBJ, de Júnior Friboi, ao saber que iria explodir uma bomba nacional, o ex-deputado federal Leandro Vilela, do PMDB, pediu demissão da empresa.
Ele teria sido informado pelo próprio Júnior Friboi que o irmão Joesley Batista havia delação premiada e havia jogado “m...” no ventilador.
Leandro Vilela é sobrinho de Maguito Vilela e primo de Daniel Vilela. Sua saída da JBJ teve a finalidade de não criar embaraços políticos para o vilelismo. Ele, que pode ser candidato a deputado federal, não quer comprometer a imagem do parente Daniel Vilela, pré-candidato a governador de Goiás pelo PMDB.
Se empresários cumprem acordos de cavalheiros, feitos à luz do dia, o próximo presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio) será Marcelo Baiocchi. Moderno, atento e agregador, é visto como o substituto adequado ao experimentado e diplomático José Evaristo dos Santos.
Marcelo Baiocchi, no momento, nem quer saber de articulações políticas e empresariais. Sua mulher morreu recentemente, de câncer, e ele está enlutado, super triste, ao lado dos filhos.
Rosângela Magalhães pode ser uma das advogadas bancadas pelo grupo do presidente da OAB-Goiás, Lúcio Flávio de Paiva, para o cargo de desembargadora. O desembargador Geraldo Gonçalves aposenta-se em junho deste ano.
Carlos Márcio, sócio de Lúcio Flávio, cotado para o cargo de desembargador, é visto como “ainda muito jovem”. Dificilmente, ao menos no Tribunal de Justiça de Goiás, alguém se torna desembargador, sobretudo se do quinto constitucional, com menos de 50 anos. Ele estaria sugerindo a colegas que está fora da disputa.
Carlos Márcio é filho do desembargador aposentado Jamil Macedo, uma das figuras mais respeitadas do Judiciário goiano.
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Leon Deniz (à esquerda) e Lúcio Flávio[/caption]
A entrevista bombástica de Leon Deniz ao Jornal Opção foi campeã de acesso na semana passada. O advogado fez críticas contundentes à gestão do presidente da OAB-Goiás, Lúcio Flávio de Paiva. “Não é o presidente que queremos”, sintetizou a insatisfação generalizada com o gestor da Ordem.
Nada agregador, Lúcio Flávio de Paiva dificilmente conseguirá ser reeleito. É provável que nem mesmo seja candidato à reeleição.
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Balestra e Wilder Morais[/caption]
Prefeitos do PP sugerem que o deputado federal Roberto Balestra e o senador Wilder Morais comam a picanha da paz o mais rápido possível.
Wilder Morais planeja ser candidato à reeleição. Roberto Balestra, depois de oito mandatos de deputado federal, também ser candidato a senador. É o “drummond” no meio do caminho de ambos.
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Senadora Lúcia Vânia | Foto: George Gianni[/caption]
A senadora Lúcia Vânia decidiu seguir os passos de Wilder Morais e está visitando várias cidades, retomando o diálogo com líderes e prefeitos e comentando as emendas — recursos financeiros — que leva para o interior.
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Fotos: Agência Senado/ Palácio Piratini/ Agência Brasil[/caption]
Na votação do projeto de recuperação fiscal, o senador Ronaldo Caiado criticou, de maneira ácida, os governadores José Ivo Sartori, do Rio Grande do Sul, e Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro. Os líderes do PMDB foram apontados como incompetentes.
O senador quer, porém, o apoio político do PMDB para disputar o governo de Goiás. É um contrassenso.
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Ronaldo Caiado, senador por Goiás | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado[/caption]
Dois integrantes da cúpula nacional do DEM criticam o senador Ronaldo Caiado, que, na opinião deles, não faz o jogo do partido, e sim o próprio jogo. O líder do Democratas em Goiás, como pretende disputar o governo de Goiás, estaria encenando para a plateia.
O DEM sempre defendeu o presidente Michel Temer. Caiado o ataca.
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Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Maguito Vilela: a foto pode ser repetida em 2018?[/caption]
De um peemedebista histórico: “Se Ronaldo Caiado se filiar ao PMDB estará dando uma prova de que confia no deputado federal Daniel Vilela e no ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela. Se não se filiar, estará mandando o recado de que não confia nos dois”.
Um democrata sugere que o senador teme se filiar e, na convenção, os Vilelas puxarem seu tapete e impedirem sua candidatura a governador.
Maguito Vilela (em 1998), Henrique Meirelles, Júnior Friboi e Vanderlan Cardoso tentaram ser candidatos a governador pelo PMDB, mas foram barrados por Iris Rezende. Espécie de gato escaldado, ante tantos exemplos, Ronaldo Caiado teme ser Maguito, Meirelles, Friboi e Vanderlan amanhã.
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Foto: Edilson Rodrigues[/caption]
De um integrante do PSB, em off (“absoluto”, insiste): “Lúcia Vânia, se deixar a base política do governador Marconi Perillo, não leva nem sua própria base. Fica apenas com o deputado federal Marcos Abrão, o presidente da Agehab, Luiz Stival, e a prefeita de Nova Veneza. E só”.
Dois prefeitos disseram ao Jornal Opção que, se sair da base, Lúcia Vânia o fará “sozinha”. Eles não vão acompanhá-la. São pragmáticos e dizem que precisam mais do governo do que da senadora.
Em Planaltina, no Entorno de Brasília, durante o encontro do programa Goiás na Frente (e “a oposição para trás”, dizem tucanos), o governador Marconi Perillo, do PSDB, e o prefeito de Formosa, Ernesto Roller, do PMDB, conversaram longamente. No seu discurso, o peemedebista agradeceu o tucano-chefe. “Os dois pareciam pertencer ao mesmo partido, e a não legendas que se criticam de maneira figadal”, afirma um líder do PP.







