Por que a Espanha merece conquistar a Copa do Mundo de 2026?
17 julho 2026 às 12h23

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Infelizmente nem sempre a seleção que joga o melhor futebol é a que levanta a taça. A história das Copas do Mundo está repleta de equipes que encantaram a todos, mas voltaram para casa sem o título. E se hoje eu tivesse que escolher uma seleção para levar o título para casa, em uma disputa entre Argentina e Espanha, com toda a certeza, escolheria a Espanha.
O primeiro argumento do porquê da escolha seria a rivalidade no futebol entre Brasil e Argentina. Então, seria impossível torcer para os argentinos mesmo que eles fizessem o futebol mais lindo do mundo.
Agora, do ponto de vista mais analítico, porque, apesar de não ser uma especialista, eu entendo de futebol e sou capaz de emitir opiniões sobre o tema: acredito que essa Copa do Mundo merece um desfecho diferente da de 2022. Se existe uma seleção que fez por merecer o troféu desde o primeiro jogo, essa seleção é a Espanha.
A trajetória da Espanha na competição foi construída por um começo sem muito encanto, mas que, a cada partida, mostrava o real significado de coletividade em campo. Enquanto outras favoritas alternaram bons e maus momentos, a Espanha manteve um padrão de jogo consistente, demonstrando maturidade para controlar partidas e superar adversários de diferentes características.
Em um cenário em que muitas seleções dependem de um craque para decidir partidas, a Espanha mostrou exatamente o oposto. O protagonismo sempre foi dividido. Cada jogador entendeu seu papel dentro do esquema tático e quem entrou em campo manteve o mesmo nível de competitividade. Essa capacidade de funcionar como equipe talvez seja a maior virtude da seleção espanhola.
Outro pilar dessa seleção é a defesa. Em uma Copa do Mundo, onde qualquer erro pode significar a eliminação, a Espanha mostrou um sistema defensivo sólido e bem organizado. Mais do que impedir gols, a equipe conseguiu neutralizar ataques perigosos e transmitir segurança durante praticamente todo o torneio. Mais uma vez, o senso de coletividade mostrando resultado.
Não é por acaso que pesquisas recentes mostram a Espanha como favorita ao título. A mais recente apresentada pela Gato Mestre mostrou os espanhóis com 57,1% de chances de serem campeões. Já a Argentina, seu adversário na final, tem 27,6% de chances. Estatísticas nem sempre são certeiras, mas não se pode ignorar que esse sucesso é fruto do trabalho que vem sendo realizado desde a conquista da Eurocopa de 2024, quando a Espanha mostrou seu domínio no passe de bola, na intensidade e na pressão sobre o adversário. Mais do que manter uma tradição, “La Fúria” – como a seleção também é conhecida – conseguiu modernizar seu estilo e transformá-lo em um modelo eficiente, competitivo e agradável de assistir.
Há ainda um simbolismo importante caso o título seja confirmado. A conquista representaria a consolidação da reconstrução da seleção espanhola e reforçaria que planejamento, continuidade e investimento em uma ideia de jogo podem ser tão decisivos quanto o brilho de uma estrela individual. Não por acaso, projeções de analistas e estudos baseados em dados já apontavam a Espanha entre as principais candidatas ao título antes mesmo da bola rolar.
É claro que o futebol não se decide na teoria. Em uma final, qualquer detalhe pode mudar a história. A Argentina também reúne méritos suficientes para sonhar com o troféu e tem tradição para transformar jogos grandes em capítulos inesquecíveis. Mas, olhando para toda a trajetória da competição, a Espanha foi a seleção que apresentou o futebol mais consistente, equilibrado e convincente.
Se a Copa do Mundo premiar o conjunto, a organização e a regularidade, a taça tem tudo para terminar nas mãos da “La Fúria.” E, desta vez, será difícil dizer que não foi merecido.
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