• Por Emídio BrasileiroEducador, Jurista e Cientista da Religião

Esdras é o décimo quinto livro da Bíblia e o décimo livro histórico do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao sacerdote e escriba Esdras, o texto abrange cerca de 79 anos, desde o retorno do exílio na Babilônia até o restabelecimento do povo na Palestina (536–457 a.C.). A narrativa apresenta o retorno dos judeus a Jerusalém e a reconstrução do Templo.

O livro evidencia que a obediência ao Senhor conduz à bênção e à prosperidade, enquanto a infidelidade leva à crise, ao juízo e ao exílio.

Composto por dez capítulos, o conteúdo pode ser dividido em duas partes principais:
I – O retorno liderado por Zorobabel (caps. 1–6);
II – O retorno liderado por Esdras (caps. 7–10).

Após o decreto do rei Ciro, da Pérsia, os judeus receberam autorização para retornar a Jerusalém e reconstruir o Templo. O monarca também determinou a devolução dos utensílios sagrados levados anteriormente. Os exilados voltaram sob a liderança de Zorobabel e Jesua, sendo registrados nominalmente entre aqueles que decidiram obedecer ao chamado.

Ao chegarem, a primeira ação foi a reconstrução do altar. Antes mesmo das muralhas e do Templo, o povo priorizou a adoração, oferecendo sacrifícios e celebrando festas religiosas. Em seguida, iniciaram a obra do Templo e lançaram seus alicerces em meio a grande júbilo. A celebração, no entanto, foi marcada também pela emoção dos mais velhos, que choravam ao lembrar da antiga glória do Templo. Alegria e saudade se misturaram naquele momento.

A reconstrução enfrentou resistência. Inimigos tentaram interromper o processo inicialmente com propostas de ajuda e, depois, por meio de acusações dirigidas aos reis persas. A obra foi paralisada, mas os profetas Ageu e Zacarias incentivaram o povo a retomar a construção, reforçando a confiança na fidelidade divina.

Posteriormente, registros oficiais confirmaram o decreto de Ciro, e o rei Dario autorizou a continuidade das obras, determinando inclusive que os custos fossem pagos com recursos do próprio império. O que era obstáculo transformou-se em provisão.

O Templo foi concluído e dedicado com alegria, acompanhado de ofertas e sacrifícios. A celebração da Páscoa marcou esse momento de restauração.

Cerca de sessenta anos depois, Esdras foi levantado como líder espiritual para conduzir um novo grupo a Jerusalém. Com autorização do rei Artaxerxes, ele recebeu recursos e garantias de liberdade religiosa para o povo, com base no reconhecimento da Lei do Deus de Israel.

Antes da viagem, Esdras proclamou um jejum junto ao rio, demonstrando confiança na proteção divina, sem recorrer à escolta militar. A jornada foi concluída em segurança, e as ofertas foram entregues no Templo.

Ao chegar, Esdras tomou conhecimento de que líderes e parte do povo haviam se casado com mulheres estrangeiras, comprometendo a identidade espiritual de Israel. Em resposta, ele rasgou suas vestes, fez uma oração de confissão e intercedeu pelo povo. Diante disso, houve arrependimento coletivo e a formalização de um compromisso de separação dessas uniões.

A segunda parte do livro reforça que a restauração não se limita ao aspecto físico, mas envolve também transformação espiritual. Mais do que reconstruir o Templo, era necessário restaurar o coração do povo. A mensagem central aponta que o verdadeiro retorno consiste em viver conforme a Lei do Senhor, com santidade e obediência.

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