Bullying e o olhar necessário aos sentimentos

Por Tatiana Santana, coordenadora regional da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec)

Tatiana Santana, coordenadora regional da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil

Criado em 7 de abril de 2016, o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola foi instituído para chamar a atenção para os problemas causados pelo bullying e estimular a reflexão sobre o tema. Sancionada na exata data do massacre em Realengo, ocorrido em 2011, a Lei nº 13.277/2016 estabelece e reforça o apelo por mais empenho em medidas de conscientização e prevenção. 

Bullying ou intimidação sistêmica, é “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidar ou agredir, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”, conforme a Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática. 

Segundo pesquisa da Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, comportamentos negativos dos pais podem ampliar o risco da criança se envolver com bullying. Nos últimos 40 anos, foram analisadas informações de 70 estudos diferentes, com mais de 200 mil crianças, e concluíram que pais e mães superprotetores ou negligentes ampliam a probabilidade de os filhos sofrerem ou praticarem o assédio escolar. 

Durante o isolamento social, o canal de denúncias de violação aos direitos humanos recebeu, até maio de 2021, 25,7 mil denúncias de violência física e 25,6 mil de violência psicológica. Crianças e adolescentes somam 59,6% do total. E com o aumento dos casos nas escolas, a preocupação não é somente dos pais dos filhos vitimados, mas também dos possíveis agressores.  

O alerta pede atenção ao que os filhos fazem não apenas dentro da escola, mas em outros ambientes com pouca supervisão. As crianças que praticam o bullying são mais comunicativas e têm perfil de liderança; costumam confrontar pais e também professores, são mais falantes e extrovertidas, intolerantes, dão sinais de dificuldades comportamentais e emocionais desde cedo e a escola não é o único espaço de queixas e enfrentamento.  

Pesquisadores recomendam programas de intervenção não só nas instituições de ensino, mas também dentro de casa, encorajando as práticas positivas, trabalhar com cada situação particular e analisar se existe um padrão de conduta que se repete. O quanto antes os pais escutarem as preocupações dos filhos, será mais fácil criar um ambiente harmonioso. No âmbito escolar, o objetivo é capacitar os docentes e as equipes pedagógicas para a implementação de ações de discussão, prevenção, orientação, solução do problema e, principalmente, de parceria com a família. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.