O movimento estudantil já foi um dos principais espaços de disputa política entre jovens universitários. Nas universidades, Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), centros acadêmicos e organizações partidárias protagonizavam debates, manifestações e eleições que frequentemente reproduziam, no ambiente acadêmico, as disputas políticas nacionais.

Uma década depois, o cenário merece ser reexaminado. Em um contexto marcado pela expansão das redes sociais e por transformações nas formas de participação política, a questão é saber como estão organizadas as juventudes partidárias, qual é sua capacidade de mobilização e se as universidades continuam funcionando como espaços de formação de lideranças.

Com as eleições de 2026 no horizonte, as organizações juvenis também passam a ter uma dimensão eleitoral. Além de discutir pautas próprias, esses grupos podem atuar na divulgação de candidaturas, na mobilização de apoiadores e na aproximação dos partidos com o eleitorado jovem.

Em Goiás, a reportagem do Jornal Opção investiga como estão estruturadas essas organizações, quem são suas principais lideranças e de que maneira pretendem participar do processo eleitoral. O levantamento também busca compreender o papel dos DCEs e identificar se o movimento estudantil ainda representa uma porta de entrada para a política institucional.

As juventudes partidárias constituem um dos espaços de organização dos jovens dentro das legendas. Embora suas estruturas e formas de atuação variem entre os partidos, esses grupos podem desempenhar funções que vão da formação política à organização de atividades de mobilização e participação em campanhas.

Em Goiás, o MDB e o PT estão entre as organizações que merecem atenção, tanto pelas estruturas juvenis quanto pelas diferentes tradições de atuação política. A Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) em Goiás busca ampliar sua participação na política estadual, fortalecer a organização nos municípios e preparar novas lideranças para as próximas disputas eleitorais.

Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário estadual da JPT, Adriel Ferreira, afirma que a atuação do segmento não deve ficar restrita à mobilização de campanhas, mas incluir a participação na formulação de propostas, na definição de estratégias e na construção das candidaturas do partido.

Segundo Adriel Ferreira, a juventude petista reúne diferentes correntes, coletivos e formas de organização, característica que, na avaliação dele, reflete a pluralidade interna do PT. O dirigente afirma que seu trabalho à frente da secretaria estadual tem sido voltado à articulação dessas diferentes forças em torno de pautas comuns.

“A Juventude do PT em Goiás é plural e reúne diferentes correntes, coletivos e formas de organização. Essa diversidade faz parte da própria característica do PT”, afirma. Além das estruturas municipais da JPT, o movimento conta com jovens ligados às universidades, ao movimento estudantil e a organizações sociais.

Entre as lideranças mencionadas por Adriel Ferreira estão Felipe Thomaz, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de Goiás (UEE-GO) e liderança estudantil na Universidade Federal de Goiás (UFG); Felipe Borges, liderança da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e presidente da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEEAGRI); e João Pedro Mascarenhas, diretor de Assistência Estudantil da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O próprio secretário estadual também tem trajetória no movimento estudantil. Além de comandar a JPT em Goiás, ele ocupa a diretoria de Universidades Públicas da UNE, função que, segundo afirma, permite aproximar a organização partidária das pautas debatidas nas instituições de ensino superior.

Articulação para 2026

A preparação para as eleições de 2026 é um dos principais temas da atuação da juventude petista. Adriel Ferreira afirma que o segmento participa das discussões sobre a reeleição do presidente Lula da Silva, o projeto político do PT para Goiás e a composição das chapas majoritária e proporcionais.

O dirigente reconhece a existência de diferentes opiniões e interpretações políticas dentro do partido, mas avalia que essas divergências fazem parte do funcionamento de uma organização plural. Segundo ele, a juventude procura construir consensos por meio do diálogo interno.

“O PT é um partido plural e, naturalmente, existem diferentes opiniões, posições e leituras políticas. Isso não significa que exista uma divisão da juventude. Temos espaços de diálogo e construção política e procuramos encontrar os pontos de convergência”, diz.

Adriel Ferreira afirma que existe disposição para uma construção coletiva das estratégias eleitorais. Para ele, as discussões internas são parte da democracia partidária e não impedem a organização do grupo em torno das decisões tomadas pelo partido. Ao tratar do papel da JPT na campanha, o secretário defende que os jovens tenham participação efetiva na elaboração das propostas e na definição dos rumos políticos.

“Não queremos ser apenas uma estrutura de mobilização eleitoral, chamada para fazer caminhada, adesivagem ou divulgação nas redes sociais. Queremos participar da construção das candidaturas, das propostas e das estratégias”, afirma. O dirigente ressalta que a juventude possui organização própria e autonomia política, embora mantenha diálogo permanente com a direção estadual do PT.

Segundo ele, a intenção é conciliar a participação no projeto partidário mais amplo com a apresentação de reivindicações específicas das novas gerações. O movimento estudantil continua sendo uma das principais frentes de formação política para jovens ligados ao PT, embora Adriel Ferreira avalie que a militância também tenha se expandido para outros espaços.

Além das universidades, ele cita movimentos culturais, sociais, ambientais e comunitários, assim como as redes digitais, como ambientes nos quais os jovens podem iniciar sua participação política. “Continua sendo um espaço muito importante de formação e participação política, embora hoje existam outras portas de entrada”, afirma.

Na avaliação do secretário, a relação entre partidos e organizações estudantis deve respeitar a autonomia dos movimentos. Ele observa que a participação no movimento estudantil não depende de filiação partidária, embora esses espaços possam aproximar jovens da militância política.

Adriel Ferreira também relaciona a experiência universitária à formação de novas lideranças. Para ele, as universidades permanecem como ambientes importantes para o desenvolvimento de quadros políticos, mas o desafio é ampliar as possibilidades de participação para além dos espaços tradicionais.

A preparação de jovens para disputar eleições municipais em 2028 aparece como uma das perspectivas da organização. O secretário afirma que a JPT pretende trabalhar desde já para ampliar a presença de representantes do segmento nas disputas eleitorais e nos espaços de decisão.

“Uma das nossas preocupações não é pensar somente em 2026. Estamos preparando uma nova geração de lideranças para 2028, para que tenhamos jovens participando das eleições municipais e também candidatos jovens do PT nos municípios goianos”, declara.

Entre as pautas que mobilizam a juventude petista, Adriel Ferreira destaca a defesa da educação pública, das universidades, da democracia, dos direitos sociais e da inclusão dos jovens nos espaços de decisão. Ele afirma, porém, que as demandas das novas gerações também exigem atenção a questões que ganharam espaço nos últimos anos, como a transformação tecnológica, as mudanças nas relações de trabalho, a cultura digital e a sustentabilidade.

A ampliação das oportunidades de formação e emprego também está entre as prioridades citadas pelo dirigente. Nesse contexto, ele menciona a necessidade de discutir não apenas o acesso ao ensino superior, mas também a permanência estudantil, a formação profissional, o acesso à cultura e a inclusão nas políticas públicas.

“A principal mudança é que hoje a juventude quer discutir não apenas quais políticas públicas existem, mas também como essas políticas podem acompanhar as transformações que a sociedade está vivendo”, afirma. Ao abordar a aproximação com os eleitores mais jovens, Adriel Ferreira diz que a estratégia da JPT envolve ampliar sua presença nos municípios, nas universidades, nos movimentos sociais e nas redes digitais.

O trabalho, segundo ele, também passa por apresentar políticas públicas do governo federal relacionadas à educação, à geração de emprego e renda, à cultura e à inclusão social. O secretário afirma que a intenção é combinar a divulgação dessas iniciativas com a escuta das demandas dos jovens e a elaboração de novas propostas. “A juventude não quer apenas receber informação sobre política; ela quer participar da construção do futuro”, diz.

Direita também se mobiliza

O Partido Liberal Jovem de Goiás (PLJ-GO) afirma estar presente em mais de 100 municípios goianos e participar das decisões políticas da legenda no Estado. Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da organização, Dieyme Vasconcelos, afirmou que a juventude liberal mantém uma estrutura de diretórios municipais e aposta principalmente na atuação digital, na formação política e na comunicação para ampliar sua presença entre os eleitores mais jovens.

Segundo Dieyme Vasconcelos, a estratégia do grupo é apresentar ideias conservadoras e incentivar a participação política de jovens alinhados à direita. Ele afirma que a organização realiza atividades presenciais nos municípios, mas concentra entre 70% e 80% de seu trabalho no ambiente digital.

“ O trabalho é 70%, 80% digital. Nós vamos até a cidade, após fazermos reuniões e, depois, nós montamos e continuamos esse projeto digital”, declarou. Na avaliação do dirigente, a formação política é uma das principais ferramentas para ampliar a participação dos jovens.

Ele cita a Academia da Direita, plataforma que oferece cursos e outros conteúdos voltados à compreensão do conservadorismo e do capitalismo. De acordo com Dieyme Vasconcelos, a conclusão das etapas de formação é necessária para que os participantes possam assumir a presidência de diretórios municipais.

“Para participar dos diretórios, você precisa estudar, fazer um curso e entender o que é conservadorismo”, afirmou. Dieyme Vasconcelos aponta o deputado estadual pelo Ceará, Carmelo Neto, presidente nacional do PL Jovem, como uma das principais referências organizacionais da juventude liberal.

Em Goiás, ele cita Amanda Caixeta, jornalista, e Davi Machado, de 17 anos, entre os nomes que considera projeções do movimento. O dirigente também menciona os deputados federais Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira como referências políticas para a juventude conservadora.

Dieyme Vasconcelos, que é candidato a deputado estadual, afirma que o grupo busca ampliar a presença de jovens na política institucional. Ele também cita Fred Rodrigues, vice-presidente estadual do PL, como outro nome jovem que participa da articulação. Apesar de destacar a presença em mais de 100 municípios, o dirigente não apresentou um número consolidado de jovens que participam efetivamente das atividades da organização.

Formação política e comunicação digital

Além dos cursos oferecidos pela Academia da Direita, Dieyme Vasconcelos afirma que o PL Jovem promove seminários de comunicação para capacitar os participantes a atuar nas redes sociais. Segundo ele, os encontros aproximam os jovens de profissionais de empresas e plataformas digitais, como Google, Meta, Facebook, Instagram, WhatsApp, X e TikTok.

O dirigente afirma que, em 2025, foram realizados três seminários de comunicação e que a iniciativa busca ensinar os jovens a se posicionar na internet e divulgar suas ideias. “Nós ensinamos a esse jovem a começar a se posicionar na internet, que era algo absurdo para a juventude, era muito difícil, só a esquerda que tinha esse espaço. Hoje não”, disse.

Na avaliação de Dieyme Vasconcelos, a atuação nas redes sociais permite que jovens conservadores expressem suas convicções e participem do debate público. Ele associa essa mobilização à defesa de princípios e valores que, segundo ele, são transmitidos pelas famílias e pelas comunidades religiosas.

O presidente do PLJ-GO também afirma que a organização reúne jovens de diferentes tradições cristãs, incluindo católicos e evangélicos, além de espíritas. Questionado sobre a autonomia da juventude na estrutura partidária, Dieyme Vasconcelos afirmou que o PLJ participa das decisões políticas da legenda em Goiás, inclusive das discussões relacionadas à formação das chapas eleitorais.

“O PLJ participa de todas as decisões do partido”, declarou. Em seguida, fez uma distinção entre as deliberações políticas e os procedimentos burocráticos previstos no estatuto partidário, que, segundo ele, ficam sob responsabilidade das instâncias competentes.

Dieyme Vasconcelos afirma ter participado das reuniões políticas para definir a chapa majoritária e discutir a organização do processo eleitoral de 2026. Ele atribui a atuação do grupo ao investimento feito pela direção nacional do PL na formação e na comunicação da juventude.

Militância juvenil e estratégias eleitorais

A proximidade das eleições de 2026 coloca as juventudes partidárias diante de um desafio: transformar a organização interna em participação efetiva no processo eleitoral. Essa atuação pode envolver a divulgação de propostas, a organização de reuniões, a participação em atividades de campanha e a tentativa de aproximar os candidatos de demandas específicas da população jovem.

Mas a existência de uma juventude partidária estruturada não significa, necessariamente, que ela tenha influência proporcional sobre as decisões da legenda ou sobre o comportamento dos eleitores. A Juventude Socialista Brasileira (JSB), organização juvenil do Partido Socialista Brasileiro (PSB), trabalha para ampliar sua presença em Goiás e fortalecer a participação de jovens nas atividades partidárias.

Sob a presidência estadual de Samuel Mendes, que assumiu a função entre fevereiro e março de 2026, o grupo iniciou um processo de reorganização que já resultou na constituição de 13 executivas municipais. Entre as cidades mencionadas pelo dirigente estão Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade, Anápolis, Rio Verde, Luziânia e Nova Glória.

Segundo ele, o trabalho ainda está em fase inicial, mas a intenção é expandir a estrutura da juventude para outros municípios e ampliar a atuação em espaços estudantis. “Eu assumi a juventude do PSB muito recentemente, foi em fevereiro, março, e nós tivemos um desafio de reestruturá-la na cidade e no Estado inteiro, porque era uma juventude que não existia até então. A Aava [Santiago – presidente estadual do PSB] me deu esse desafio, e temos feito isso com muita dificuldade, mas com muito trabalho”, afirmou Samuel ao Jornal Opção.

O presidente estadual reconhece que a organização ainda não alcançou o nível de estruturação pretendido. De acordo com ele, a meta estabelecida pela direção partidária é ocupar espaços de representação estudantil, disputar grêmios e diretórios acadêmicos e ampliar a participação dos jovens na política.

“Eu não vou ser mentiroso a ponto de dizer para você que está exatamente da maneira que gostaríamos. A JSB está crescendo, temos menos de seis meses de reestruturação”, disse. Entre os nomes citados por Samuel como lideranças da juventude estão João Gabriel, presidente da JSB em Goiânia, e Daniel Idelfonso, que atua em Luziânia e possui trajetória no movimento estudantil.

O dirigente também mencionou Wesley Ricardo, que atua em Trindade, Mag, em Rio Verde, Agatha, em Anápolis, e Rafael, em Nova Glória. Segundo Samuel Mendes, essas lideranças têm contribuído para a reorganização da estrutura estadual e para a aproximação com jovens que ainda não participavam das atividades partidárias.

A estimativa apresentada pelo presidente é de que entre 70 e 80 jovens estejam diretamente envolvidos nas atividades da organização, embora ele ressalte que ainda não existe um levantamento consolidado de todos os municípios.

“Hoje é muito difícil falar para você o número assertivo, porque cada executiva municipal tem os seus filiados. Mas pensando em Anápolis, Goiânia, Luziânia, que são as cidades em que temos mais trabalhado, temos, em média, 70, 65 jovens que estão diretamente ligados”, explicou.

Samuel Mendes, presidente da JSB-GO | Foto: Arquivo pessoal

Universidades e candidaturas concentram mobilização eleitoral

Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, a JSB concentra parte de suas atividades na mobilização em torno das candidaturas do partido. Samuel Mendes afirma que a juventude tem trabalhado para fortalecer a candidatura da vereadora Aava Santiago à Câmara dos Deputados.

Paralelamente, os integrantes da organização também apoiam a candidatura do próprio presidente estadual da JSB à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). “Hoje temos trabalhado muito para consolidar a candidatura da nossa vereadora Aava Santiago à Câmara Federal, porque entendemos que a juventude ficou muito tempo sem representatividade em Goiás e, por esse motivo, é importante levar a Aava até o Congresso para que ela traga esse respaldo para o PSB goiano”, declarou.

Segundo ele, parte dos integrantes acompanha a candidata em viagens, enquanto outros atuam na aproximação com estudantes e lideranças universitárias. O trabalho inclui contatos com representantes de diretórios centrais e centros acadêmicos, além de integrantes de instituições de ensino, como a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

“Eles têm entrado em contato com lideranças dos diretórios acadêmicos, dos CAs, para poder trazer essa juventude do partido e essa luta que eles têm no movimento estudantil já dentro das universidades para também estarem somando no movimento partidário”, afirmou.

No âmbito estadual, Samuel Mendes diz que a organização tem apoiado sua candidatura e que a campanha procura apresentar a disputa como uma iniciativa coletiva, voltada à representação dos jovens. “Eu até comento com eles que não é uma candidatura unitária, é uma candidatura coletiva, porque temos levantado 100% a bandeira da juventude e a importância que é, para a juventude goiana nesse processo, eleger um deputado estadual”, disse.

A estratégia também prevê ampliar a atuação no ensino médio, por meio da aproximação com grêmios estudantis, e com estudantes que estão começando a participar da vida política. Para atrair novos integrantes, a JSB tem apostado em formatos de mobilização que, segundo Samuel Mendes, procuram aproximar a atividade partidária do cotidiano dos jovens.

O dirigente afirma que a organização promove atividades em bares, utiliza materiais de comunicação voltados ao público juvenil e busca estabelecer relações com baterias universitárias. A proposta, segundo ele, é apresentar a política de uma maneira menos formal, sem abandonar o compromisso com a atuação partidária.

“Hoje temos trabalhado principalmente focado em tirar um pouco aquela ideia da política chata e daquela política partidária que o jovem acaba não tendo tanto interesse. Então temos feito muito material que comunica com a juventude, temos ido muito em bares, além de estarmos trabalhando muito com as baterias de atléticas também”, afirmou.

Samuel Mendes acrescenta que a organização também procura desenvolver atividades com estudantes secundaristas, grupo que considera importante para a expansão da juventude partidária. “A ideia hoje é mostrar que dá para a curtirmos uma festa com o DJ, dá para usarmos materiais chamativos sem precisar fazer com que isso seja algo muito formal”, declarou.

Na avaliação do dirigente, a aproximação com esses espaços tem contribuído para despertar o interesse de estudantes que ainda não participavam de organizações políticas. Além da mobilização eleitoral, Samuel Mendes afirma que a JSB tem buscado garantir participação dos jovens nas decisões internas do PSB em Goiás.

Ele diz que, além de presidir a organização estadual, integra a executiva do partido, o que lhe permite participar de discussões sobre a formação de chapas e outras decisões políticas. “Eu não consigo afirmar 100% de certeza como é feita essa tomada de decisões dentro dos outros partidos, mas, pelo menos dentro do PSB, junto com a Aava, eu tenho participado 100% de todas as decisões”, afirmou.

Segundo Samuel Mendes, a direção partidária tem dado espaço para que os integrantes da juventude apresentem demandas e participem da construção das candidaturas. Ele também relata ter indicado dois nomes de Anápolis que disputam vagas na Câmara dos Deputados.

“Eu posso dizer para você hoje que a minha autonomia como jovem é 100% respeitada, assim como a autonomia do nosso grupo”, declarou. O presidente da JSB afirma que a participação nas decisões é um dos fatores que podem contribuir para manter os jovens envolvidos na política para além do período eleitoral.

Missão tem 90% de jovens entre candidatos e militantes

O Partido Missão tem uma composição majoritariamente jovem em Goiás. Segundo João Noleto, tesoureiro do diretório estadual e candidato a deputado federal, aproximadamente 90% dos candidatos e militantes da legenda são jovens. A média de idade dos candidatos, de acordo com ele, é de cerca de 30 anos.

Em entrevista ao Jornal Opção, João Noleto afirmou que a presença expressiva de jovens na sigla dispensa a necessidade de uma estrutura específica de juventude, como ocorre em partidos tradicionais. Para ele, a participação desse público está incorporada à própria organização partidária.

“É um partido que foi criado por jovens. Então a formação é, majoritariamente, desse grupo”, afirmou. O dirigente também fez críticas às juventudes de outras legendas. Na avaliação dele, algumas dessas estruturas funcionam como espaços de acomodação de lideranças jovens, sem que isso represente necessariamente uma renovação das práticas políticas.

“Tenho a percepção de que elas são, basicamente, uma forma de limpar a barra de pessoas jovens, que são, sim, jovens, mas que não representam a juventude, porque representam a política velha, através das mesmas práticas”, declarou. Ao falar sobre as principais lideranças jovens da legenda em Goiás, João Noleto citou nomes de candidatos e integrantes do partido em diferentes municípios.

Entre eles estão o próprio João Noleto e Guilherme Khalil, ambos candidatos a deputado federal. O tesoureiro também mencionou Jhone Santos, em Luziânia, Anastácia, em Goiânia, e Aline, de Valparaíso de Goiás. Segundo ele, a quantidade de jovens na estrutura partidária é tão expressiva que seria mais fácil identificar os integrantes que não pertencem a esse grupo.

Mobilização começa nas redes sociais e chega às ruas

A estratégia de mobilização do Missão, segundo João Noleto, parte da própria identidade geracional da legenda. Ele afirmou que o partido surgiu com a proposta de responder a divergências entre gerações e questionar o modelo político construído pelas lideranças que se consolidaram após a Constituição de 1988.

Na avaliação do dirigente, as decisões tomadas pelas gerações anteriores contribuíram para problemas que hoje afetam as perspectivas de futuro dos jovens. “Toda essa elite política que vem desde o Pacto de 1988, que consumiu o Brasil que vivemos hoje, foi muito negligente em muitos pontos”, declarou.

João Noleto também criticou o que considera uma distância entre as promessas constitucionais e sua efetiva concretização. “O nosso futuro vem sendo roubado pelos erros do passado, pela dificuldade das gerações anteriores de tomarem as decisões difíceis”, disse.

De acordo com ele, o discurso do partido está relacionado à necessidade de enfrentar problemas estruturais do país e promover mudanças que permitam ao Brasil ampliar sua capacidade de desenvolvimento. “Nosso discurso passa por tomar essas decisões difíceis para consertar o Brasil, para fazer o nosso país vire uma potência”, afirmou.

Na atuação eleitoral, o Missão aposta principalmente nas redes sociais, mas procura transformar o contato virtual em participação presencial. João Noleto explicou que os apoiadores são mobilizados por meio de grupos de WhatsApp e convidados a participar de atividades nas cidades.

Ele citou como exemplo sua própria campanha, que, segundo ele, tem no voluntariado uma de suas principais características. “Encontramos as pessoas nas redes sociais, mobilizamos essas pessoas em grupos do WhatsApp e trazemos elas para a vida real, fazendo eventos presenciais”, afirmou.

João Noleto também afirmou que sua campanha não prioriza a contratação de equipes para distribuir material nas ruas. Em vez disso, a estratégia consiste em entregar materiais gráficos aos apoiadores para que eles próprios os compartilhem com familiares e pessoas próximas.

“Eu faço um material gráfico e distribuo na residência dos meus apoiadores para que eles convertam as suas famílias”, explicou. Segundo ele, a iniciativa busca aproveitar a capacidade de influência dos jovens em seus círculos sociais. Questionado sobre a autonomia dos jovens na construção das candidaturas e nas decisões políticas da legenda, João Noleto afirmou que a participação desse público não está restrita a núcleos específicos.

Para ele, a diferença em relação a partidos tradicionais está no fato de que, no Missão, os jovens também ocupam os espaços de direção e participam diretamente das decisões. “É até difícil falar em termos de autonomia da juventude porque todo mundo é jovem. Então, se o partido tem autonomia para agir, a juventude tem autonomia de fato para agir”, declarou.

Juventude do Cidadania tenta se reorganizar em Goiás

A Juventude do Cidadania (J23) em Goiás busca se reorganizar após um período de enfraquecimento provocado por mudanças na trajetória do partido. A avaliação é do presidente do grupo, Luiz Fernando Alves, que afirma que a prioridade, neste momento, é reconstruir a mobilização, atrair novos integrantes e ampliar a participação dos jovens nas atividades partidárias.

Em entrevista ao Jornal Opção, Luiz Fernando Alves explicou que a organização havia conseguido reunir um grupo expressivo durante as eleições municipais de 2024, mas perdeu força ao longo do tempo, em meio às mudanças políticas e organizacionais do Cidadania. “Eu tinha montado um grupo bem forte, bem conciso, mas que aos poucos foi mudando sua trajetória, assim como o próprio partido mudou sua trajetória em relação à presidência e aos interesses do partido”, afirmou.

Segundo ele, a direção da juventude trabalha agora para estabelecer uma nova perspectiva de atuação e recuperar o contato com jovens interessados em participar da política. Entre as estratégias estão a busca por novos integrantes por meio das redes sociais, a aproximação com espaços políticos e a construção de novos acordos e articulações.

Luiz Fernando Alves não apresentou números sobre a quantidade atual de participantes da J23 em Goiás, mas afirmou que o objetivo é reconstruir a estrutura e ampliar a presença de jovens politicamente engajados. O presidente da juventude mencionou nomes que, segundo ele, representam possibilidades de renovação dos quadros do partido.

Entre eles estão Júri, citado como uma figura jovem na política, além de Diego Goiânia, apontado como candidato, e outras lideranças que estariam se aproximando da organização. Luiz Fernando Alves também destacou a entrada de mulheres interessadas em participar das atividades partidárias.

A intenção, de acordo com ele, é ampliar o número de pessoas envolvidas e criar condições para que novos integrantes assumam responsabilidades dentro do partido. A mobilização da juventude durante o período eleitoral é uma das prioridades da J23. Luiz Fernando Alves afirmou que o grupo pretende aproximar os jovens dos candidatos do Cidadania e utilizar a experiência das campanhas como oportunidade de formação política.

A proposta é preparar os participantes para que tenham maior conhecimento sobre o funcionamento das eleições e possam, futuramente, disputar cargos eletivos. “Buscamos trazer esses jovens agora para o apoio, para que, em 2028, eles tenham mais conhecimento de como funciona a eleição, para eles poderem dar a cara à frente e ver como realmente funciona”, declarou.

O dirigente também afirmou que existe a ideia de montar uma chapa jovem, especialmente em Anápolis. Segundo ele, a proposta é abrir espaço para novos nomes e ampliar a participação de pessoas que ainda não ocupam posições de destaque na estrutura partidária.

Ao tratar das estratégias de mobilização, Luiz Fernando Alves ressaltou que o trabalho não deve ficar restrito ao ambiente digital. Embora reconheça a importância das redes sociais para alcançar o público jovem, ele defendeu que a formação política também envolva atividades presenciais, visitas e contato direto com os eleitores.

“Os jovens hoje têm a noção de que acontece tudo pela rede social, mas sabemos que a política é aquela coisa eleitoreira, de pegar na mão, de ir nas casas, de visitar. Então, estamos passando esse conhecimento”, afirmou. Outra frente de atuação será identificar as habilidades dos integrantes para distribuir as funções de acordo com os perfis individuais.

A ideia, segundo ele, é aproveitar talentos para atividades de bastidores, comunicação e diálogo com a população, permitindo que os jovens adquiram experiência durante a campanha. Questionado sobre a autonomia da juventude dentro do Cidadania, Luiz Fernando Alves afirmou que o partido pretende abrir espaço para novos nomes e ampliar a participação dos jovens nas discussões políticas.

Para ele, a experiência de movimentos políticos e o crescimento de figuras públicas com forte presença nas redes sociais demonstram que existe espaço para a atuação de novas lideranças. O dirigente citou sua experiência de quatro anos como coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), período em que, segundo ele, coordenou e acompanhou a formação de pessoas envolvidas no projeto.

Luiz Fernando Alves também mencionou o crescimento de personalidades políticas nas redes sociais como exemplo de que jovens podem conquistar visibilidade e ampliar sua participação no debate público. Na avaliação dele, a renovação das lideranças é necessária diante do distanciamento de parte da população em relação à política institucional.

“Com o passar do tempo, o povo está ficando mais descrente da política. Com isso, eles estão tratando com mais desdém. E essa não é a nossa meta. Nossa meta é trazer sempre a nova solução, mas também trazer o jovem para dentro do debate, que eu acho que é o mais complicado”, afirmou.

Sobre as principais bandeiras que devem orientar a atuação da juventude, Luiz Fernando Alves defendeu uma agenda voltada à formação técnica e à elaboração de propostas concretas. Segundo ele, a intenção é reunir jovens de diferentes áreas de conhecimento, como economia, políticas públicas e sociologia, para contribuir com a construção de projetos.

Entre os temas citados pelo dirigente estão economia fiscal e Reforma da Previdência. Ele afirmou que a organização pretende investir na capacitação dos integrantes para que possam compreender questões econômicas e participar das discussões sobre políticas públicas. A proposta, segundo Luiz Fernando Alves, é evitar que a atuação política se limite à repercussão de debates nas redes sociais e estimular a elaboração de iniciativas que possam ser transformadas em projetos efetivos.

Luiz Fernando Alves, jovem do Cidadania | Foto: Reprodução/Instagram
Luiz Fernando ao lado de líderes da juventude do Cidadania | Foto: Arquivo pessoal

Jovens Republicanos

A juventude do Republicanos em Goiás reúne entre 100 e 200 jovens que atuam diretamente na mobilização política e na conscientização desse público, segundo o presidente dos Jovens Republicanos, Marcos Júnior. Em entrevista ao Jornal Opção, ele afirmou que o grupo trabalha principalmente com pautas relacionadas ao esporte e ao empreendedorismo, além de incentivar a participação dos jovens na política.

De acordo com Marcos Júnior, a estratégia da organização é aproximar a juventude de temas que fazem parte de seu cotidiano. “A principal bandeira que tentamos ingressar com os jovens é a questão do esporte, porque hoje ele está ligado diretamente aos jovens, mas não só o esporte, também o empreendedorismo”, declarou.

O dirigente afirmou que o objetivo é manter esse público envolvido nas discussões políticas. Segundo ele, a organização também busca conscientizar os jovens sobre a importância da participação política e do voto. Entre as lideranças municipais citadas por Marcos estão Leonardo, de Goianira, Thiago Guilherme, de Goiânia, e Yuri, que atua na área de comunicação na capital.

Questionado sobre a participação dos jovens na construção das candidaturas e nas decisões partidárias, Marcos Júnior afirmou que os integrantes da organização têm liberdade para escolher os candidatos com os quais desejam caminhar. Ele explicou, porém, que o partido estabelece suas bandeiras de atuação.

“O partido pauta as bandeiras, e os jovens são livres para caminhar com os candidatos”, afirmou. Como exemplo, o dirigente mencionou a deputada estadual Vívian Naves, que, segundo ele, está entre os nomes que mobilizam apoiadores dentro da chapa do Republicanos para a disputa estadual.

Também citou Gustavo, de Quirinópolis, e Cardoso, de Goiânia, como candidatos a deputado estadual que contam com a participação de jovens em suas articulações. Na disputa federal, Marcos mencionou Lêda Borges, Marussa Boldrin e Quirino como nomes que, segundo ele, têm aproximação com a juventude ou com pautas relacionadas a esse público.

Marcos Júnior também afirmou que a direção estadual do Republicanos mantém diálogo com a organização juvenil. Segundo ele, o presidente estadual da sigla, Roberto Naves, oferece espaço para que o grupo apresente propostas e mantenha contato com os candidatos.

“O Roberto é um parceiro da juventude. Já tive várias vezes sentado com ele diretamente. Ele nos dá autonomia quanto à juventude, nos dá abertura também para dialogar com os candidatos e procura novas ideias”, declarou. O dirigente acrescentou que essa abertura permite que os jovens apresentem iniciativas e desenvolvam atividades voltadas ao segmento dentro do partido.

Falta de oportunidades é apontada como fator de afastamento

Na avaliação de Samuel Mendes, a distância entre os jovens e os partidos políticos está relacionada, entre outros fatores, à falta de apoio e de oportunidades para que essa parcela da população ocupe espaços de decisão. Ele afirma que o apoio necessário não se limita aos recursos financeiros, mas envolve estrutura, reconhecimento e participação efetiva na vida partidária.

“Para mim, é a falta 100% de apoio. E quando eu falo apoio, não é só financeiro, mas estrutural, apoio de acreditar mesmo no que estamos construindo, apoio de dar oportunidade para que ocupemos espaços”, disse. O dirigente também critica práticas que, segundo ele, reduzem a participação juvenil ao período eleitoral, quando os jovens são convocados para mobilizações, mas não necessariamente participam das decisões políticas.

“De olharem para o jovem e acharem que está lá só para ser usado no período eleitoral, só como cota, só como os bonitinhos que, naquele período eleitoral, vão levantar a bandeira, vão fazer barulho e acabam esquecendo de nos colocar nos espaços de debate, nos espaços de poder”, afirmou. Como contraponto, Samuel Mendes cita a realização de eleições internas para a escolha da presidência e da executiva da JSB em Goiânia.

Segundo ele, a iniciativa busca assegurar que os integrantes tenham participação na definição das lideranças. A intenção, afirma, é construir uma organização na qual os jovens tenham espaço para apresentar propostas e participar das decisões. “Desenvolver um trabalho coletivo com todo mundo e mostrar que cada pessoa é importante. Que dentro da JSB, vamos dar para todos a mesma autonomia e os mesmos direitos”, concluiu.

Já na avaliação de João Noleto, as demandas da juventude também passaram por transformações ao longo dos últimos anos, acompanhando mudanças no mercado de trabalho e nas expectativas profissionais. Ele afirmou que parte dos jovens já não vê o serviço público como o único caminho para alcançar estabilidade e realização profissional.

Para o tesoureiro, as instituições brasileiras precisam acompanhar as mudanças econômicas e tecnológicas para evitar que o país perca competitividade. “O mundo hoje é mais dinâmico, as necessidades são mais dinâmicas e precisamos adequar, inclusive, as instituições brasileiras para esse novo contexto, porque, senão, o Brasil acaba ficando para trás”, declarou.

João Noleto também relacionou a busca tradicional por concursos públicos à falta de inovação e ao baixo crescimento da produtividade brasileira em diferentes setores. Na avaliação dele, o país precisa ampliar as oportunidades para o desenvolvimento de iniciativas privadas e a adoção de novas tecnologias. “Talvez por essa falta de inovação, por essa falta de adequação, de implementação de novas tecnologias, a gente busca responder esses anseios”, afirmou.

Por outro lado, para o secretário da JPT, o afastamento de parte dos jovens em relação aos partidos políticos não significa necessariamente desinteresse pela política. Na avaliação dele, existe uma diferença entre as formas tradicionais de organização partidária e os modos pelos quais as novas gerações se relacionam com a participação política.

“O jovem não necessariamente deixou de se interessar por política. Muitas vezes ele não se identifica com estruturas muito fechadas ou com a ideia de que sua participação só é importante durante a eleição”, afirma. O dirigente considera que os partidos precisam criar espaços de participação efetiva, nos quais os jovens possam apresentar reivindicações, contribuir para decisões e assumir posições de liderança.

Adriel Ferreira afirma que a JPT pretende atuar tanto na mobilização eleitoral quanto na formação política e na organização permanente da juventude. O objetivo, segundo ele, é fazer com que os jovens sejam reconhecidos não apenas como eleitores ou integrantes de campanhas, mas também como participantes da formulação das decisões partidárias. “Quando o jovem percebe que pode apresentar uma pauta, participar de uma decisão, construir um projeto e ocupar um espaço de liderança, a relação muda”, avalia.

Sobre a participação dos jovens na política goiana, Luiz Fernando Alves atribuiu parte do afastamento desse público, na sua visão, à insatisfação com as estruturas partidárias tradicionais e à falta de renovação em espaços de representação. Como exemplo, ele mencionou a Câmara Municipal de Anápolis, que, em sua avaliação, não passou por uma renovação suficiente de seus quadros.

O dirigente criticou a permanência de lideranças tradicionais e afirmou que a juventude precisa encontrar espaço para participar das decisões e apresentar novas propostas. “Estamos cansado disso. Isso nos trata como se fôssemos inútil no debate”, declarou.

Para ele, a reorganização da J23 passa pela tentativa de modificar essa percepção e demonstrar que novos integrantes podem participar da política institucional. Ele defendeu a entrada de pessoas com diferentes experiências e ideias, em contraposição ao que considera uma concentração prolongada de poder nas mãos de lideranças tradicionais.

Já Dieyme Vasconcelos, ao avaliar a participação dos jovens na política goiana, afirma que setores conservadores, especialmente jovens ligados a igrejas, passaram a se posicionar mais publicamente nos últimos anos. Segundo ele, parte desse público anteriormente evitava a atuação política por entender que a participação partidária não deveria fazer parte das atividades religiosas.

Para o dirigente, o cenário político nacional contribuiu para estimular essa mobilização. Em sua avaliação, questões relacionadas à economia, ao Judiciário e a denúncias de corrupção ampliaram o interesse de jovens conservadores pelo debate público. Ele apresentou críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de contestar a atuação do ministro Alexandre de Moraes em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PT).

Ele também comparou o atual ambiente de mobilização conservadora ao período de manifestações que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. “Por isso que a juventude conservadora está começando a se posicionar por tantas atrocidades que estão acontecendo no Brasil”, afirmou.

Na avaliação de Marcos Júnior, a participação da juventude na política goiana sidoimpulsionada, entre outros fatores, pelas redes sociais e pela circulação de informações sobre os acontecimentos políticos. “Eu acredito que o jovem hoje está mais ligado na política, principalmente por conta do que vem acontecendo. As formações de opiniões, as próprias redes sociais, eu acredito que os jovens estão bem pautados politicamente”, afirmou.

O dirigente também avaliou que o envolvimento político entre pessoas mais jovens, especialmente na faixa dos 16 aos 20 anos, se tornou mais frequente. “Antigamente era difícil você convencer um jovem, principalmente aí da média de 16 a 20 anos, a ingressar nessa bandeira da política. Hoje é mais comum ver isso”, declarou.

Ao comentar a presença de jovens de diferentes correntes ideológicas, Marcos Júnior afirmou que, no passado, a participação de universitários era mais associada a pautas da esquerda. Para ele, a direita também ampliou sua atuação entre esse público. “Antes, víamos os jovens, principalmente universitários, voltados mais nas pautas da esquerda. Só que, com a procura latente da direita, acredito que ela também está crescendo muito junto com esses jovens”, disse.

O que mudou?

O movimento estudantil e as juventudes partidárias brasileiras passaram por mudanças significativas na última década, com o enfraquecimento das estruturas tradicionais de organização e a ampliação da influência das redes sociais na mobilização política. A avaliação é do antropólogo Jorge Lima, em entrevista ao Jornal Opção.

Segundo ele, embora ainda existam jovens envolvidos com a política, a participação ocorre de maneira diferente daquela observada em períodos anteriores, quando diretórios acadêmicos, partidos e outras instituições desempenhavam um papel central na formação e na articulação dos estudantes.

“Não tem uma juventude mobilizada fora dessas instituições que já tiveram seu auge em outras décadas. Hoje é um outro momento que elas vivem”, afirma. Para o antropólogo, a organização política juvenil permanece presente, sobretudo nas universidades federais e nas estruturas partidárias, mas perdeu parte de sua capacidade de mobilização coletiva.

Em contrapartida, os discursos políticos ganharam espaço nas plataformas digitais, que passaram a influenciar a maneira como os jovens entram em contato com diferentes correntes ideológicas. “Essas juventudes, ou essa juventude, estão mais engajadas nas redes sociais”, observa.

Jorge Lima considera que o fenômeno não pode ser compreendido apenas como uma redução da participação política, mas também como uma transformação nas formas de organização. Na avaliação dele, as entidades estudantis tradicionais estão mais distantes da população, enquanto as redes sociais passaram a ocupar uma posição central na circulação de ideias e na formação de identidades políticas.

Ao analisar a participação política da juventude, o antropólogo aponta o distanciamento em relação aos partidos como um dos principais sinais das mudanças ocorridas nos últimos anos. Ele menciona um estudo da Universidade de Brasília (UnB) que, segundo sua interpretação, identificou uma redução expressiva no envolvimento de jovens com as organizações partidárias.

Durante a entrevista, Jorge Lima citou uma queda de 54% e um recuo de aproximadamente 2,7 milhões de pessoas na faixa etária de 16 a 34 anos. Os números, conforme apresentados pelo entrevistado, indicariam uma perda de espaço das instituições políticas tradicionais entre as novas gerações.

Na avaliação dele, esse processo está relacionado ao descrédito das organizações partidárias e à dificuldade de manter formas de mobilização que dependam exclusivamente de estruturas institucionais. “Isso vem provando que a organização está mais discursiva fora da instituição política”, afirma.

O antropólogo ressalta, entretanto, que o afastamento dos partidos não significa necessariamente o desaparecimento do interesse pela política. Para ele, parte desse envolvimento passou a ocorrer por meio de influenciadores, lideranças digitais e discursos que circulam nas plataformas.

Algoritmos e influência política

Uma das principais mudanças identificadas por Jorge Lima é a substituição parcial das estruturas tradicionais de mobilização por mecanismos de comunicação digital. Ele compara o modelo anterior, no qual partidos e organizações estudantis exerciam influência direta sobre os jovens, com o cenário atual, marcado pela atuação dos algoritmos das redes sociais.

“Antes, quando eram os DCEs e os partidos políticos que tinham suas juventudes, eles organizavam a juventude como a Igreja Católica organizava, nas comunidades eclesiais de base. Essas juventudes estavam organizadas através de um poder institucional. Hoje, elas estão organizadas através do algoritmo”, analisa.

Como exemplos de lideranças que alcançam grandes públicos nas redes, o antropólogo cita a deputada federal Erika Hilton (PSB) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), representantes de campos políticos distintos. Na avaliação dele, a capacidade de comunicação desses nomes contribui para direcionar o contato dos jovens com determinados temas e posicionamentos políticos.

Jorge Lima também demonstra preocupação com a circulação de discursos que, segundo ele, questionam instituições públicas e evidências científicas. Como exemplo, menciona manifestações contrárias às vacinas e à contribuição da ciência para a melhoria das condições de vida.

“Não eram só as pessoas com mais idade. A juventude, sobretudo, está envolvida em um discurso de negar a realidade, de negar o presente”, afirma. Para o antropólogo, esse cenário está associado a um mal-estar entre os jovens, que encontra nas redes sociais um ambiente de circulação e amplificação.

A apatia política entre os jovens que estão ingressando no eleitorado também é apontada por Jorge Lima como uma preocupação. Segundo ele, pesquisas que desenvolve com o público a partir dos 16 anos indicam dificuldades de compreensão sobre aspectos básicos do processo eleitoral.

“Eu trabalho com pesquisa em público de 16 anos. O primeiro voto, principalmente, as pessoas estão apáticas”, relata. Como exemplo, o antropólogo afirma que mais de 60% dos jovens com os quais trabalha não sabem que, nas eleições de 2026, os eleitores escolherão dois representantes para o Senado Federal.

A observação reforça, em sua análise, a diferença entre a exposição a conteúdos políticos nas redes sociais e o conhecimento sobre o funcionamento das instituições e das eleições. Lima também avalia que a capacidade de diálogo das lideranças partidárias com esse público pode influenciar a aproximação dos jovens com as organizações políticas.

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Jorge Cordeiro: mestre pela Universidade Federal de Goiás (UFG) | Foto: Reprodução

Voto feminino e disputa nas redes

Outro aspecto abordado pelo antropólogo é a mobilização do eleitorado feminino. Ele afirma que as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro e avalia que a disputa política em torno desse segmento ganhou relevância.

Na entrevista, Jorge Lima chama atenção para a circulação de discursos que questionam ou procuram limitar a participação feminina na política. Segundo ele, esse tipo de manifestação pode ser compreendido no contexto da disputa por influência sobre o comportamento eleitoral.

“Existe um discurso, uma narrativa para diminuir a importância ou limitar a participação de mulheres na política”, afirma. O antropólogo relaciona essa disputa ao alcance das redes sociais e à tentativa de diferentes lideranças de estabelecer diálogo com públicos específicos.

Ele também menciona conteúdos publicados por lideranças políticas que abordam questões relacionadas à vida das mulheres, à violência e aos direitos sociais. Ao comentar a percepção de que o movimento estudantil e as entidades acadêmicas historicamente estiveram mais vinculados à esquerda, Jorge Lima afirma que essa relação tem raízes no processo de organização política durante a ditadura militar e na redemocratização.

Segundo ele, a atuação de organizações estudantis em movimentos de oposição ao regime contribuiu para associar essas instituições a pautas e grupos políticos de esquerda. “Essas instituições ficaram marcadas por essa luta, porque quem lutava por isso era desordem, as pessoas sem afazeres, as pessoas baderneiras que gostam de greve”, afirma.

O antropólogo observa que essa imagem permanece presente no debate público e é mobilizada em críticas a manifestações e mobilizações estudantis. Jorge Lima também identifica uma ampliação da organização de grupos ligados à direita, especialmente após a ascensão de Jair Bolsonaro, embora ressalte que esse processo não começou exclusivamente com o ex-presidente.

Na avaliação dele, setores conservadores passaram a se articular por meio de igrejas e também dentro das universidades, com presença particularmente perceptível em instituições particulares. Nas universidades públicas, segundo o antropólogo, há disputas por espaço entre diferentes correntes políticas.

Ele cita instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como exemplos de ambientes nos quais grupos de direita e centro-direita também buscam ampliar sua participação. Para Jorge Lima, a presença histórica de grupos de esquerda nas universidades também está relacionada à tradição de debates sobre justiça social e desigualdade.

Ele argumenta que áreas como História, Sociologia e Filosofia contribuem para a formação de perspectivas críticas sobre a organização da sociedade e as relações entre indivíduos e instituições. O antropólogo defende uma concepção de justiça voltada à coletividade e à distribuição de oportunidades, em contraposição a modelos que, em sua avaliação, desconsideram as diferenças nas condições de vida e de trabalho.

“Não é que todo mundo seja pobre, que todo mundo dê o que tem. É tratar uma justiça que sirva o coletivo, não apenas um grupo”, afirma. Jorge Lima questiona situações em que pessoas submetidas a jornadas extensas de trabalho não conseguem garantir condições básicas de moradia, enquanto outras acumulam patrimônio e renda com menor esforço laboral. Na avaliação dele, os movimentos desempenham papel importante ao promover discussões sobre desigualdades e sobre modelos de organização social.

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