Motoristas de aplicativos cooperados da Cooperativa de Motoristas do Transporte Remunerado Privado de Passageiros (COOPGO) poderão solicitar uma linha de crédito sustentável para financiar veículos elétricos na GoiásFomento. A novidade que é uma parceria entre a Secretaria da Retomada, a própria GoiásFomento e o sistema OCB, foi apresentada nesta quinta-feira, 2. De acordo com o programa, o financiamento poderá chegar a R$ 140 mil para aquisição de veículos elétricos, com juros subsidiados pelo Governo de Goiás.

De acordo com o presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar, o beneficiário pagará juros reduzidos, terá prazo de 54 meses, sendo 48 para pagamento e seis meses de carência, e utilizará uma conta no Pequi Bank para operacionalizar o recebimento dos recursos. Raviel aponta que o custo por quilômetro rodado poderá cair significativamente.

“O tomador vai pagar um juro reduzido de apenas 1,19% ao mês. O prazo será de 54 meses, sendo 48 para pagar e seis meses de carência. Estimamos que o custo caia de cerca de R$ 0,99 para aproximadamente R$ 0,37 por quilômetro”, destaca o presidente, ao lembrar que, como garantias, serão aceitas a alienação fiduciária do veículo e o aval da GarantiGoiás, conforme a modalidade da operação.

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Rivael explica que a linha de crédito terá juro de 1,19% ao mês, sendo menor do que ofertado pelo mercado | Foto: Rodrigo Cabral

Segundo o secretário de Estado da Retomada, César Moura, a equalização dos juros feita pelo Estado, por meio do Fundo de Equalização para Empreendedores (Fundeq), é o principal diferencial da linha de crédito, pois reduzirá significativamente o custo do financiamento para os cooperados. “Com isso, o juro pago pelo motorista será bem menor do que o praticado pelo mercado.”

Neste primeiro momento, aproximadamente R$ 2,7 milhões do Fundo de Equalização serão utilizados inicialmente para subsidiar os juros da nova linha de crédito. A expectativa é ofertar R$ 15,6 milhões para o programa, de acordo com a demanda. Esse montante também poderá ser utilizado para a implantação de postos de recarga rápida em pontos estratégicos. “Nesta primeira rodada, estimamos utilizar cerca de R$ 2,7 milhões para equalizar os juros. É um recurso que já estava no fundo, sem impacto para o Tesouro”, destaca.

O presidente da OCB/GO, Luís Alberto, destaca que a cooperativa já reúne cerca de 500 cooperados e acredita que a nova linha de crédito deve estimular tanto o crescimento da base de associados quanto o aumento da renda dos motoristas, em razão da redução dos custos operacionais proporcionada pelos veículos elétricos.

“Hoje temos cerca de 500 cooperados. Com essa linha de crédito subsidiada, acreditamos que esse número vai crescer muito. O carro elétrico reduz bastante os custos, aumenta a renda do motorista e movimenta a economia.”

Luis Alberto afirmou o diferencial da iniciativa goiana para o programa que foi anunciado recentemente pelo governo federal está na agilidade na liberação do crédito. “Eu não diria que é melhor. É equivalente, mas nós vamos ganhar na rapidez e na redução da burocracia. A expectativa é sermos mais efetivos.”

Luís Alberto, presidente da OCB, explica sobre a importância da linha de crédito aos cooperados | Foto: Rodrigo Cabral

Presidente da cooperativa explana demandas da categoria

O presidente da COOPGO, Marcelo Conrado, destacou que um dos pilares do projeto é incentivar a renovação da frota por veículos elétricos. Segundo ele, a economia operacional permitirá ampliar a rentabilidade dos motoristas sem elevar o preço das corridas.

“Com um veículo elétrico, o custo operacional cai praticamente pela metade. O motorista sabe fazer essa conta e entende que isso muda completamente a realidade financeira dele”, destaca.

O presidente destaca que o projeto já conta com aplicativo próprio, que foi desenvolvido devido ao fato do modelo atual das grandes plataformas comprometer a renda dos motoristas, que acabam trabalhando longas jornadas sem conseguir cobrir os custos de operação. Segundo ele, isso cria um ciclo de endividamento, agravado pelos empréstimos oferecidos pelas próprias plataformas. “Hoje tem motorista trabalhando 18 horas por dia para conseguir sobreviver. Isso é desumano.”

Outro ponto destacado como objetivo da cooperativca é elevar significativa o valor pago por quilômetro rodado aos motoristas, mantendo preços competitivos para os passageiros. A expectativa é que a combinação entre melhores tarifas e custos menores aumente a renda da categoria. “O preço médio pago pelas plataformas gira em torno de R$ 1,50 por quilômetro. Na COOPGO, esse valor varia de R$ 2,15 a R$ 5,10.”

O dirigente afirma que o apoio do Executivo estadual foi decisivo para transformar o projeto em realidade. Segundo ele, o financiamento permitirá que os cooperados tenham acesso aos veículos necessários para iniciar a operação em larga escala. “Hoje nós temos tudo o que o motorista precisa. O aplicativo existe, as corridas já estão acontecendo e agora chegou o crédito que faltava para organizar a vida desse trabalhador.”

Marcelo aponta que a expectativa é que o modelo possa ser expandido posteriormente para todo o país. “Nós queremos mostrar para o mundo que é possível criar um modelo em que motorista, passageiro, governo e sociedade saiam ganhando ao mesmo tempo.”

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