O Cerrado vem sofrendo um desgaste pesado, e os dados mais recentes do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente mostram o tamanho do impacto na fauna. A nova lista nacional de espécies ameaçadas aponta que 363 animais que vivem no bioma correm o risco de desaparecer.

Para se ter uma ideia da gravidade, o sistema de avaliação (chamado SALVE) mostra que 64 dessas espécies estão no limite — na categoria “Criticamente em Perigo”, que é o último estágio antes da extinção total na natureza. Outras 128 estão “Em Perigo” e 171 entram como “Vulneráveis”, em um universo de pouco mais de 5,2 mil espécies analisadas na região.

Sistema SALVE (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade) | Foto: Reprodução

O motivo por trás disso não é segredo: o avanço rápido das lavouras e da pecuária, a fragmentação das matas, os incêndios frequentes e a destruição de rios e riachos têm encurralado a fauna. Embora seja um dos ecossistemas mais ricos do planeta, o Cerrado também é um dos que mais perderam vegetação nativa nas últimas décadas.

Desta vez, nomes muito conhecidos dos brasileiros entraram no radar de risco. É o caso da arara-azul-grande (reclassificada como vulnerável), do bugio-preto e do tamanduaí. Na prática, entrar para essa lista significa que esses bichos agora precisam virar prioridade máxima em ações de monitoramento, fiscalização e projetos de recuperação de habitat.

Essa atualização foi feita com base no trabalho de mais de 200 cientistas e especialistas. Olhando para o Brasil como um todo, o cenário se movimentou bastante: 180 novos animais entraram na lista de ameaçados, enquanto 156 conseguiram sair — seja porque o estado de conservação deles realmente melhorou ou porque novas pesquisas trouxeram dados mais precisos. O ICMBio pondera que parte das mudanças reflete o avanço da própria ciência, que hoje entende melhor o tamanho e a distribuição das populações. Por outro lado, em muitos casos, a alteração de status é puro reflexo do agravamento das ameaças em campo.

O grande ponto é que o Cerrado não é apenas a casa dessas espécies; ele abriga as principais nascentes do país e funciona como um elo entre outros biomas brasileiros. Especialistas são categóricos: para salvar esses animais, vai ser preciso ir muito além dos relatórios. O futuro deles depende de frear o desmatamento de forma prática, garantir fiscalização rígida e criar políticas públicas de conservação que realmente funcionem no dia a dia.

Sistema SALVE (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade) | Foto: Reprodução

Visão por Biomas – Cerrado (SALVE/ICMBio)

  • Criticamente em Perigo (CR): 64 espécies (1,2%)
  • Em Perigo (EN): 128 espécies (2,4%)
  • Vulnerável (VU): 171 espécies (3,2%)
  • Quase Ameaçada (NT): 128 espécies (2,4%)
  • Menos Preocupante (LC): 4.549 espécies (86,1%)
  • Dados Insuficientes (DD): 225 espécies (4,3%)
  • Não Aplicável (NA): 16 espécies (0,3%)

Resumo

  • Total de espécies avaliadas no Cerrado: 5.281
  • Espécies oficialmente ameaçadas (CR + EN + VU): 363
  • Espécies não ameaçadas (LC + NT): 4.677
  • Espécies com dados insuficientes: 225
  • Espécies classificadas como não aplicáveis: 16

Leia também: Goiás será o 2º estado com a sua própria lista de animais ameaçados de extinção