O gastroenterologista Diogo Egídio explicou, ao Jornal Opção, como funcionam os quadros de gastroenterite, condição que teria levado o cantor Leonardo a ser internado recentemente. O especialista comentou de forma geral sobre a doença, suas causas, sintomas, riscos e tratamentos.

O gastroenterologista Dr. Diogo Egídio | Foto: Divulgação

Segundo o médico, a gastroenterite “nada mais é do que uma inflamação do intestino ou do próprio estômago”. Ele afirma que, na maioria das vezes, o problema é provocado por vírus ou bactérias que colonizam essas regiões e desencadeiam o processo inflamatório.

De acordo com ele, “a maioria das vezes é vírus”. Esses micro-organismos podem liberar substâncias que irritam o intestino, estimulando a liberação de outras substâncias que aumentam as contrações intestinais. Esse processo, explica, gera diarreia, que leva à perda de líquidos e, consequentemente, à desidratação. O médico acrescenta que, junto da diarreia, é comum que o paciente apresente dor abdominal e vômitos.

Egídio afirma que as gastroenterites são muito comuns e que praticamente todas as pessoas já passaram por um episódio semelhante. Ele ressalta, porém, que alguns sinais indicam gravidade. Entre eles, cita sangramento nas fezes ou no vômito, febre que não abaixa e dor incontrolável. Esses sintomas, segundo ele, representam alerta e exigem busca imediata por atendimento especializado.

Ao comentar sobre a internação de Leonardo, o médico pondera que mesmo quadros comuns podem levar o paciente ao hospital. Ele explica que, às vezes, a perda de líquidos é tão intensa que a pessoa fica fraca e precisa de hidratação intravenosa. Segundo ele, isso ajuda a melhorar os sintomas e o desconforto, mas não significa necessariamente que se trata de um caso mais grave. A avaliação depende do conjunto de exames e da evolução clínica.

O especialista detalha que, quando há necessidade de atendimento hospitalar, os primeiros exames realizados costumam ser os de sangue, como hemograma, marcadores inflamatórios e avaliação de eletrólitos, especialmente potássio. Em situações mais complicadas, podem ser solicitados exames de imagem, como tomografia ou ultrassom. Ele ressalta que exames mais invasivos, como endoscopia ou colonoscopia, são muito raros.

Sobre o tratamento, o médico afirma que, na maioria dos casos, ele se baseia apenas em repouso, hidratação e medicações simples para dor. Ele observa que muitas pessoas querem iniciar antibióticos ou anti-inflamatórios logo no início, mas essas medicações, além de não ajudarem, podem atrapalhar o quadro. Remédios para cortar a diarreia também não devem ser usados no começo. Medicamentos específicos só são indicados em uma minoria dos casos.

A melhora costuma ocorrer em poucos dias, embora alguns sintomas possam persistir por duas ou três semanas. O médico explica que, como geralmente são usados apenas sintomáticos e hidratação, não há efeitos colaterais relevantes. Caso o paciente precise de antibióticos, os efeitos dependem do medicamento utilizado.

Durante a recuperação, o médico recomenda evitar alimentos gordurosos, frituras, comidas de difícil digestão e alimentos com alto teor de açúcar ou adoçantes. Ele orienta que o ideal é consumir alimentos cozidos e com pouco óleo. O médico reforça que o principal é hidratar e enfatiza que a hidratação deve ser feita com água, não com sucos.

O especialista comenta ainda que o estresse pode exacerbar um pouco os sintomas, mas, quando a causa é infecciosa, sua influência é pequena. Já o álcool, segundo ele, pode tanto predispor à gastroenterite quanto piorar o quadro.

Egídio explica que a gastroenterite tende a ser autolimitada e não costuma se tornar crônica. Se os sintomas persistirem por muitos dias, o diagnóstico deve ser reavaliado, pois pode se tratar de outra condição.

Para concluir, o médico reforça os sinais que exigem busca urgente por atendimento médico: dor que não melhora com analgésicos habituais, sangue nas fezes ou no vômito, febre que não reduz, sensação de desmaio, dificuldade para se hidratar e sinais de desidratação.

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