Zacharias Calil defende debate responsável sobre retorno às aulas

Comissão externa discute volta às aulas presenciais nos estados a partir das 15h desta terça-feira. “Não dá para simplesmente defender o retorno às aulas ou não. Temos um país de dimensões continentais e realidades distintas”, pondera

Zacharias Calil, deputado federal pelo DEM / Foto: Renan Accioly

O deputado federal Dr. Zacharias Calil, membro da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações do governo no combate ao novo coronavírus, falou ao Jornal Opção sobre a reunião desta terça-feira, 7, que irá discutir o retorno às aulas. “Situação complicada do ponto de vista econômico e sanitário”, resume o parlamentar.

Para Calil, que é médico-cirurgião pediátrico, o debate precisa ser conduzido de forma extremamente cuidadosa e responsável. “Não dá para simplesmente defender o retorno às aulas ou não. Temos um país de dimensões continentais e realidades distintas”, pondera o parlamentar.

O deputado revela que tem recebido contatos de estudantes de Medicina que reclamam da falta de aulas presenciais, essenciais para a boa formação do profissional de Saúde. Assim como de escolas que estão sendo fechadas. “Vejo essa situação com muita preocupação”, assegura.

De que maneira podemos pensar o retorno?

“Atualmente os estudantes de todos os níveis estão em casa, são disponibilizadas aulas remotas, alguns podem não ter acesso, outros não têm muita atenção, é um momento preocupante e é preciso refletir sobre de que maneira podemos pensar o retorno”, afirma Calil, ao pontuar que um retorno regionalizado e turmas alternadas podem ser analisados.

De acordo com o parlamentar, algumas regiões têm índices de contaminação muito baixos. “E se liberarmos as aulas nestas regiões, os estudantes teriam calendários diferentes? O número de casos poderia aumentar? Outras regiões seriam prejudicadas? São muitas questões e infelizmente não temos muito conhecimento sobre a Covid-19, é algo novo que estamos tendo que lidar”, defende.

De acordo com o deputado, ao se discutir a possibilidade de retomada das atividades escolares no país não é possível fazer comparações com a experiência de outros países sem refletir sobre nossa realidade. “Na Europa e nos Estados Unidos as famílias são menores, eles não têm um sistema público de saúde e existem outras tantas diferenças, então ao ver a experiência deles é preciso levar isso em conta”, argumenta.

O presidente vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas, e agora?

“Temos também uma diferença na cultura também, aqui o presidente vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas, e agora?”, indaga Calil ao relatar a experiência de fazer uma caminhada em uma pista localizada em um condomínio da capital e se deparar com jovens correndo sem máscaras. “É preciso garantir que o isolamento seja seguido nas escolas”, adianta.

Por fim, Calil reflete sobre o motivo de crianças e adolescentes apresentarem um índice contaminação extremamente baixo. “Será que eles naturalmente têm essa imunidade ou foram as vacinas que tomaram na infância, mas nem todas crianças tiveram a oportunidade de tomar as doses que não estão no calendário. Será que estão todos protegidos? Isso é outro questionamento.”

Todas essas questões devem ser abordadas por Zacharias, de forma remota, na reunião que será realizada a partir das 15h no Plenário. Foram convidados para discutir o assunto com os parlamentares, entre outros, a secretária-executiva-adjunta do Ministério da Educação, Maria Fernanda Bittencourt; o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Garcia; e o diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Hermano Castro.

O debate será transmitido em tempo real por meio da página e-Democracia.

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