Waldir Maranhão confirma eleição para presidência da Câmara na quinta-feira (14/7)

Presidente interino da Câmara anulou decisão de líderes partidários de antecipar as eleições e exonerou o Secretário Geral da Mesa que validou deliberação 

O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) confirmou no final da manhã desta sexta-feira (8/7) que as eleições para a escolha de um novo presidente será na próxima quinta-feira (14/7), exatamente uma semana após a renúncia do presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Após a renúncia de Cunha, líderes partidários se reuniram extraordinariamente no fim da tarde de quinta-feira (7/7) e decidiram, por maioria, marcar a eleição para terça-feira (12), mas na manhã desta sexta (8), Maranhão afirmou que cumprirá o regimento da Câmara, que diz que “se até 30 de novembro do segundo ano de mandato verificar-se qualquer vaga na Mesa, será ela preenchida mediante eleição, dentro de cinco sessões”. “A Presidência já tinha tomado a decisão de fazer a eleição na quinta e assim o será”, disse o presidente interino.

A decisão dos líderes criou impasse sobre a data, mas também acabou provocando a exoneração do Secretário Geral da Mesa (SGM) da Câmara, Silvio Avelino, que participou da conversa entre os parlamentares. Funcionário da Casa, Avelino que já comandou por 15 anos o Departamento de Comissões da Câmara, chegou à SGM com a eleição de Cunha. Maranhão não respondeu se já tem um novo nome. Avelino explicou que foi chamado no começo da manhã na sala do presidente para ouvir a decisão

“Ele é o presidente. Só me resta acatar a decisão e esperar uma lotação na Casa”, disse. Na conversa, Maranhão declarou desconforto com a permanência de Silvio Avelino na secretaria e explicou que a Câmara passa por um momento mais político do que técnico. A respeito da reunião, Avelino afirmou que o Colégio de Líderes é um órgão regimental que “fez o que deveria ter feito. Convocou uma sessão extraordinária que é de sua competência, independente do presidente”, disse.

A falta de consenso provocou um movimento atípico nas sextas-feiras na Câmara, quando os corredores e salões ficam esvaziados. Hoje, vários parlamentares se revezavam dando declarações sobre o impasse e sobre o futuro. Com a chegada de Maranhão, alguns deputados – entre eles, Júlio Delgado, Alessandro Molon, Rodrigo Maia, Pauderney Avelino e Heráclito Fortes – entraram na sala da presidência para tentar um acordo em torno dos próximos passos.

Segundo o ato publicado nesta sexta-feira (8/7) no Diário da Câmara, os registros de candidaturas ao cargo poderão ser feitos junto à Secretaria-Geral da Mesa até as 12 horas do próprio dia 14. Até o momento, três deputados registraram candidatura: Fausto Pinato (PP-SP), Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO) e Carlos Manato (SD-ES).

Exoneração

“O presidente Waldir Maranhão não se omitiu. Ele publicou o ato com dia, hora e local e aí o Colégio de Líderes se reúne para se sobrepor à decisão do presidente [interino] em uma reunião que não tinha número suficiente?”, questionou o deputado Júlio Delgado, que classificou como “natural” a exoneração de Silvio Avelino, Secretário Geral da Mesa, por ter participado e chancelado o encontro. Para Delgado, há uma clara intenção de antecipar a eleição para “tentar fazer um presidente que possa proteger por mais tempo Eduardo Cunha”, acusou.

Cunha aguarda uma decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara que analisa recurso que pede para que a tramitação de seu processo de cassação seja revisto. A comissão tinha reunião marcada para a próxima segunda-feira (11) para iniciar o debate e votação sobre o futuro do peemedebista, mas o encontro foi cancelado pelo presidente da CCJ, deputado Osmar Serraglio, depois que Cunha apresentou um aditamento pedindo o retorno do processo ao Conselho de Ética, alegando que sua renúncia cessou a motivação do conselho para pedir a cassação do mandato.

Alessandro Molon anunciou que já está colhendo assinaturas para manter a reunião de segunda-feira, dia 11. “O cancelamento da sessão e a devolução para o Conselho de Ética são inaceitáveis. O aditamento é antirregimental. Cunha está respondendo ao processo por ser deputado. O processo não é de afastamento da presidência da Câmara”, disse.

Aliado de Cunha, o deputado Carlos Marun rebateu as acusações e afirmou que a intenção de manobra vem do lado oposto. “Estão querendo macular para que Maranhão continue na casa até agosto para prejudicar o governo Temer. O que temos aqui é um movimento pela não eleição. É uma manobra. O regimento tem que ser respeitado”, disse.

(Com Agência Câmara Notícias e Agência Brasil)

 

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