“Vou mostrar que fui eu quem tirou o PT”, diz Eduardo Cunha

Inelegível, o ex-presidente da Câmara conversou com o Jornal Opção durante o lançamento do seu livro; ele acredita que vai reverter o caso para concorrer ao cargo de deputado por São Paulo, onde acredita ter votos antipetistas

Em Goiânia para o lançamento do livro ‘Tchau, Querida: o diário do impeachment’, que revela os bastidores do que levou à queda da ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (MDB) conversou com o Jornal Opção na última terça-feira, 23, e afirmou que pretende retornar a política em 2022. Com o discurso “anti-PT”, Cunha quer disputar a vaga pelo Estado de São Paulo, onde acredita ter votos. Ele também adiantou que vai apoiar o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), “nos dois turnos”, independente do partido pelo qual estará filiado em 2022.

Este é o discurso que o emedebista pretende adotar nas eleições, caso ele consiga reverter a suspensão dos direitos eleitorais, indo para outro estado, para disputar o voto “antipetista”. “Vou mostrar que quem tirou o PT do governo fui eu, e vou para o embate político. É por isso que escolhi o São Paulo, porque a minha forma de pedir voto será diferente [de quando pedia voto no Rio de Janeiro, com o apoio da igreja evangélica]. A forma que eu vou pedir voto em 2022 será do anti-PT. Eu vou disputar este voto”, argumentou o ex-presidente, que foi deputado federal por quatro mandatos pelo Rio de Janeiro.

O evento de lançamento do livro aconteceu na Capital sem muito alarde e filas longas. Porém, contou com a presença de políticos do Estado e de alguns seguidores que são favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff. Eles quiseram encontrá-lo para conversar sobre política, futebol e, principalmente, sobre os bastidores de todo o processo com o ex-presidente da Câmara, peça fundamental no impeachment.

Entre os políticos que o prestigiaram está o ex-deputado federal Jovair Arantes (ex-PTB), que foi relator do processo de impeachment na Câmara; o secretário de Desenvolvimento e de Economia Criativa (Sedec), Michel Magul (MDB); e o vereador e presidente do Avante, Thialu Guioti. Apesar da ausência de muitos apoiadores, o livro esgotou os dois primeiros lotes, de 20 mil cópias, ainda durante a pré-venda. Em Goiânia o movimento sempre foi constante, com cinco ou dez pessoas atendidas por vez.

O livro foi escrito por Cunha e a filha dele, a suplente de deputada federal Danielle Cunha (MDB), que não conseguiu assumir o espólio eleitoral de Eduardo Cunha, mas que estará nas eleições novamente. De acordo com o emedebista, ela deve ir para outro partido e não disputará pelo MDB.

O caso dele é diferente. O emedebista ainda fará a avaliação do partido para onde vai, porém pretende se filiar a uma sigla que o dê liberdade para apoiar a candidatura a presidência que ele quiser. “Pretendo votar em Bolsonaro, nos dois turnos, independe do partido aonde eu estiver. Isso não vai impedir o que que eu faça eu queira”, explica Eduardo Cunha.

Sequência

Cunha pretende escrever o segundo volume do livro, o “Querida, Voltei”, em alusão ao retorno à política e à Câmara, caso se confirme. A sequência está em produção e deve abordar o processo do impeachment entre os anos de 2016 e 2022, após Michel Temer (MDB) assumir o mandato tampão, quando a presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo.

O primeiro livro, de acordo com ele, foi escrito após a saída da prisão e aborda todo o processo de impeachment. Ex-presidente da Câmara Federal, Cunha foi cassado e preso em um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Ele é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em uma conta na Suíça.

Cunha também teve como algoz o ex-ministro da Justiça e ex-juiz federal Sérgio Moro (Podemos), que entrou na política recentemente e que, segundo ele, não representa o antipetismo. Para Cunha, Moro é “punitivista” e hipócrita. “Não sou hipócrita. É isso que eu vou mostrar na política, que fui eu quem tirou o PT. Está provado no livro”, argumenta o emedebista.

Saída da prisão

O ex-deputado explica que o livro não foi feito durante a prisão em Curitiba e sim durante a volta para casa, junto com a filha. “Escrevemos o livro contando todos os bastidores do processo de impeachment, onde trabalhei mais ou menos oito horas por página para poder escrever o livro junto com a minha filha e com os envolvidos, como é o caso do relator do processo de impeachment [o ex-deputado federal Jovair Arantes]”, comentou o emedebista.

O agora emedebista era cotado para substituí-lo na presidência da Câmara Federal, porém o acordo não teve êxito. Segundo Cunha, “porque o ex-presidente Michel Temer não deu sequência” e também por causa da cassação do mandato dele, que ocorreu no dia 13 de setembro do mesmo ano.

Além de Jovair Arantes, o livro cita outros políticos goianos, como o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-ministro de Cidades Alexandre Baldy (Progressistas), e o ex-ministro da Economia, Henrique Meirelles (PSD). Cunha não quis adiantar se outros políticos goianos serão citados na sequência do “Querida, Voltei”.

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