Votos bolsonaristas devem se dividir em Goiás, defende cientista político

Ronaldo Caiado, Major Vitor Hugo e Gustavo Mendanha disputam atenção do eleitores do presidente para as eleições majoritárias

Com o fim dos prazos de filiação e desincompatibilização de pré-candidatos se encerrando neste fim de semana, as eleições para o governo de Goiás começam a ganhar uma cara mais definitiva. Entre os nomes já anunciados para a disputa, são alguns os candidatos que flertam com o discurso do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). A aposta de aproximação, no entanto, pode acabar dividindo votos do eleitorado, ao invés de trazê-los para a campanha.

“É muito difícil a gente determinar qual é o perfil do eleitor bolsonarista [em Goiás], porque tem várias clivagens. Todos os três são rumos possíveis e acredito que serão fragmentados. Não acredito na capacidade do presidente de transferir votos para o estado de Goiás”, aponta o cientista político Guilherme Carvalho. Os três a que ele se refere são o atual governador Ronaldo Caiado (União Brasil), Major Vitor Hugo (PL) e Gustavo Mendanha (Patriota).

Conforme a análise de Guilherme, o cenário de divisão de votos do eleitor alinhado a Jair Bolsonaro é esperado em Goiás justamente por poder colocar os três perfis em alinhamentos parecidos com o do presidente, em alguma instância. Ele classifica os atuais pré-candidatos ao governo em três diferentes possibilidades de afinidade com o eleitor bolsonarista: o ruralista, o bolsonarista “raiz” e aquele mais alinhado com a igreja evangélica neopentecostal.

Guilherme destaca que o tipo ruralista terá mais afinidade com o atual governador, que, inclusive, teria vantagem de transitar com mais flexibilidade dentro dos discursos alinhados a Bolsonaro, por possuir maior experiência política do que os adversários na disputa por voto. “A não ser no tema da pandemia, Caiado teria poucas dificuldades para se integrar nas políticas bolsonaristas, como já temos observado.”

Além disso, Major Vitor Hugo pode puxar os votos daqueles mais próximos à defesa de valores estritos da bandeira do Bolsonaro, em sua faceta mais conservadora e radical. O cientista ainda pontua que o presidente tem tentado construir o lado ruralista com mais força, “mas acho que isso não emplaca, por não ter tempo pra construir esse marketing.” Apesar da possível dificuldade de converter os votos desse público, Guilherme chama atenção para a aparência de “pura chapa” que a candidatura de Vitor Hugo tem.

Por último, Gustavo Mendanha, que ficou fragilizado diante Bolsonaro após ter o apoio direto do presidente frustrado pelo fechamento do PL com Vitor Hugo. Após deixar a prefeitura de Aparecida de Goiânia e confirmar a filiação ao Patriota, Mendanha garantiu que segue com Bolsonaro, confirmou voto no presidente, mas negou que vá fazer palanque para a reeleição.

Dentro do cenário de divisão, porém, é possível que Vitor Hugo e Mendanha tenham dificuldades para sustentar os votos da base do presidente. “Com o tempo, se alguma dessas candidaturas não se mostrar viável pro eleitor bolsonarista, há uma tendência de migração para o governador Ronaldo Caiado, que pode continuar sendo herdeiro dos votos bolsonaristas”, sugere.

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