O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) é acusado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro de exigir R$ 400 milhões em propina para viabilizar a negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. A denúncia consta de uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro e foi revelada pelo UOL nesta quarta-feira, 21. Segundo o relato, o suposto acordo envolveria pagamentos em dinheiro e por meio de um contrato fictício.

Suposto esquema de pagamentos

De acordo com a proposta de colaboração, metade dos R$ 400 milhões seria paga em espécie, enquanto a outra metade seria repassada por meio de um contrato com um escritório de advocacia indicado pelo então governador. Vorcaro também afirmou que Ibaneis teria direito a 5% do novo banco por meio de uma empresa de fachada. O ex-banqueiro declarou ainda ter antecipado cerca de R$ 80 milhões em dinheiro vivo, que teriam sido entregues em Brasília a Leonardo Valverde, apontado como aliado próximo do político.

Mensagens indicam participação nas negociações

Além das acusações, mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) e obtidas pelo UOL indicariam que Ibaneis acompanhou diferentes etapas das tratativas entre as instituições financeiras, incluindo o aumento de capital do BRB e a compra de carteiras de crédito do Master. As conversas registram contatos entre o ex-governador, Vorcaro e o então presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, durante as negociações realizadas entre 2024 e 2025.

Negócio barrado pelo Banco Central

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir 58% do Banco Master. A operação, entretanto, foi barrada pelo Banco Central em setembro daquele ano. As negociações ocorreram em meio a questionamentos sobre carteiras de crédito adquiridas pelo banco público, algumas delas investigadas por suspeitas de irregularidades. Em novembro, o Banco Master foi liquidado, enquanto as apurações sobre as operações financeiras avançaram.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Ibaneis Rocha nega que o ex-governador tenha interferido nas decisões do BRB ou participado de irregularidades. Ao UOL, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que a proposta de delação não foi aceita e que não apresentaria provas das acusações. As alegações atribuídas a Vorcaro ainda precisam ser apuradas pelas autoridades, e a existência de uma proposta de colaboração não comprova, por si só, a prática de crimes.

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