Voo à lua 4: a águia pousou

Confira toda a transcrição dos diálogos entre a Apollo e o Comando da Missão

Fotografia do módulo lunar Eagle tirada do módulo de comando Columbia | Foto: Reprodução / Nasa

Em 20 de julho de 1969, cinquenta anos no passado, a Apollo 11 voava pela sombra da Lua. O Sol eclipsado fazia tudo brilhar, com exceção do disco lunar. A coroa solar, chamada luz cinérea, era a única lembrança de que a Lua existia. Neil Armstrong disse a Houston: “Agora podemos ver as estrelas novamente e reconhecer as constelações pela primeira vez na viagem. Está… o céu está cheio de estrelas”.

Ao sair do eclipse, a Lua cobria três quartos da janela da escotilha. A Apollo 11 começou a manobra LOI (Lunar Orbit Insertion), se aproximando da Órbita Lunar. Atrás da lua, os astronautas perderam a comunicação com a Terra. O único lugar do sistema solar onde não chegam ondas de rádio é do outro lado do satélite natural. Toda comunicação bloqueada pelo astro enquanto a nave desacelerava com a propulsão reversa e Neil e Buzz se separavam de Mike Collins, indo ao módulo lunar Eagle (Águia)

Gene Kranz, diretor de voo da missão Apollo 11 | Foto: Reprodução / Nasa

Enquanto isso, na Terra, no controle da missão, o suspense imperava. Quando reapareceu nos radares de Houston, a Apollo 11 estava perfeitamente colocada nos trilhos etéreos da Lua, girando ao seu redor sem gastar energia. Conforme contou a Jay Barbree, Neil havia decorado que devia acender o estágio de descida assim que avistasse uma pequena montanha, chamado Monte Marilyn. 

“The Eagle has wings” (a Águia tem asas), disse Neil ao controle da missão, se destacando do módulo de comando Columbia, comandado por Michael Collins. 

Neil Armstrong relata que a aceleração foi gradual. A gravidade da Lua é gentil demais para manter uma atmosfera que possa se atritar contra o módulo lunar e, dentro do Eagle, Buzz e Neil sentiram apenas pancadas distantes na lataria externa enquanto desciam. A maior parte da descida foi controlada por computadores muito menos eficientes do que um smartphone atual. 

Pela primeira vez em quatro dias, Neil Armstrong e Buzz Aldrin sentiram a gravidade conforme Eagle refreou sua queda. Nos últimos noventa metros, Neil e Buzz tiveram de assumir os comandos e pilotar manualmente para a superfície, enxergando as crateras e montes por uma janela triangular. Com 61 vôos de teste, ambos notaram rapidamente que não estavam onde deveriam. 

O Eagle errou o alvo por cinco quilômetros. Foi Buzz quem percebeu uma cratera do tamanho de um campo de futebol americano e sugeriu que pousassem ali. Com dezesseis foguetes, o módulo planou 2,7 metros por segundo para baixo. Enquanto Buzz lia as medições de altura, inclinação, combustível e velocidade, Neil disparava os propulsores. Estando no lugar errado e pilotando uma nave com peso contado, o maior perigo era ficar sem propelente e despencar os últimos metros. Faltando 60 segundos de combustível, Eagle estava a 29 metros de altura. 

Eagle pousou com poucos segundos de combustível restante | Foto: Reprodução / Nasa

“Longe, no Controle da Missão, os controladores de voo estavam quase loucos com sua incapacidade de fazer mais alguma coisa para ajudar Neil e Buzz”, escreve Jay Barbree. Eles se refrearam de falar e desconcentrar os astronautas, mesmo porque as ondas de rádio não alcançavam bem Eagle, nas reentrâncias da Lua. Mas Gene Kranz enviou uma mensagem ao homem mais solitário da história, Michael Collins, que havia passado a maior quantidade de tempo o mais distante do próximo ser humano.

Mike Collins estivera em órbita da lua no módulo de comando Columbia por algumas horas. Ele recebeu a mensagem de Gene Kranz: “CapCom, é melhor lembrar Neil de que não há postos de gasolina nessa Lua”. Antes que Mike Collins pudesse dar uma resposta, quatro luzes se acenderam no Comando da Missão, indicando que o módulo lunar havia pousado onde nenhum humano jamais pisou. 

 

Após viajar três segundos no vácuo do espaço em ondas de rádio, a voz de Neil Armstrong soou nos alto-falantes do Controle: “Houston, aqui é a Base Tranquilidade. The Eagle has landed” (a Águia pousou). 

“Nós copiamos você em solo. Você tem um monte de caras aqui prestes a ficarem azuis. Agora estamos respirando de novo. Muito obrigado.”

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