Voo à Lua 2: Salada de Salmão

Michael Collins agiu como guia turístico, explicando à TV como se almoça no espaço | Foto: Reprodução / NASA

Em 17 de julho de 1969, cinquenta anos no passado, a Apollo 11 havia acabado de completar duas voltas em torno da Terra e queimado o restante do terceiro compartimento de combustível (estágio S-IVB). As transcrições dos comentários da nave revelam que Neil Armstrong entendia bastante de geografia e que passou bastante tempo reconhecendo os países e suas condições climáticas pela escotilha do módulo de comando.

“A Groenlândia estava limpa e parecia que estávamos vendo apenas a calota de gelo na Groenlândia. Todo o Atlântico Norte estava muito bem e a Europa e a África do Norte pareciam claras. A maioria dos Estados Unidos era clara. Havia um ponto baixo – parecia uma frente que se estendia do centro do país para o norte dos Grandes Lagos e para a Newfoundland”, disse ele pelo rádio ao Controle da Missão. Mike Collins adicionou: “eu não faço ideia do que eu vi. Mas com certeza gostei.”

A Terra, neste ponto, há mais de cinquenta mil quilômetros de distância, era o objeto de fascinação dos astronautas e Mike Collins enviou imagens de televisão para o mundo da vista da janela. Segundo Jay Barbree, autor da biografia de Neil Armstrong, “os astronautas passaram seu primeiro dia no espaço sorrindo como crianças em uma piscina com tobogã no jardim de casa”. 

O exemplo de um diálogo típico dos primeiros dias de viagem:

Às 15:11 de Brasília, Neil Armstrong (SC) disse ao controlador de voo (CAPCOM):

“SC – Estamos bem no meio de uma salada de salmão, ou algo parecido. Provavelmente é por isso que não estamos respondendo a você imediatamente.

CAPCOM – Ok, bem, não queremos…

SC – Os meus cumprimentos ao chef, que a salada de salmão é excelente.

CAPCOM – Entendido. Acho que é mesmo salada de salmão. 

SC – Algo assim, salada de salmão.

CAPCOM – Diremos, que a salada de salmão dele está muito boa. Nesse transdutor de fluxo de O2 aqui em baixo, na telemetria, nossos valores estão concordando muito bem com o que você lê a bordo, e os EECOMs estão percebendo esse ciclo, mas ainda parece que a taxa indicada é menor do que esperávamos. Ainda estamos trabalhando no problema e permitiremos que você tenha um diagnóstico mais completo em breve.

SC – Ok, é uma correção justa então. Nós tocamos um barco justo. 

CAPCOM – Entendido. É música que eu ouço ao fundo?

SC – Buzz está cantando.”

 

 

O horário de descanso foi iniciado com duas horas de antecedência porque os controladores de voo na Terra não encontraram necessidade de realizar correções de rota. Os astronautas fariam correções menores na terceira correção de curso, no dia seguinte. Buzz e Neil então armaram seus sacos de dormir, esticados entre dois pontos enquanto Mike Collins fez o primeiro turno do plantão. Mike afirmaria depois, a Jay Barbree, “é um prazer dormir sem pontos de pressão cutucando seu corpo. O que pode ser melhor do que apenas flutuar durante o caminho até a Lua?” 

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