Vitória de Péter Magyar encerra 16 anos da extrema direita na Hungria; país volta ao centro da disputa política europeia
13 abril 2026 às 09h40

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Péter Magyar, líder da oposição húngara, venceu o primeiro-ministro Viktor Orbán nas eleições deste domingo, 12. A vitória põe fim ao regime de 16 anos coordenado pelo líder de extrema direita em um pleito marcado pela alta participação popular. Magyar é um ex-integrante do partido Fidesz, que rompeu com o governo e cresceu com um discurso anticorrupção, restauração institucional e de reaproximação com a União Europeia.
Segundo a autoridade eleitoral húngara, o Tisza teve 53,06% dos votos de lista, contra 38,43% da aliança Fidesz-KDNP.
Péter chamou o resultado de uma grande vitória durante discurso aos apoiadores na Praça Batthyány, na capital Budapeste. “Recebemos um mandato para construir uma pátria funcional e humana para todos os húngaros”, disse. Presidente do Partido Tisza, Péter disse ainda que luta pela paz e unificação nacional e que o governo representará a todos “porque é esse o dever do governo húngaro”.
Péter pediu para Orban que não tome decisões que possam afetar o funcionamento do próximo governo e que o presidente da República, Tamás Sulyok, para formar um governo em que ele fosse o líder da lista e renunciasse. Ele também convocou a renúncia dos chefes do judiciário, procurador-geral.
“A partir de agora, não seremos um país sem consequências; aqueles que roubaram o país devem assumir a responsabilidade”, disse ao prometer o reestabelecimento do Escritório Nacional de Recuperação de Ativos.
Orbán reconhece derrota
Após o resultado, Orbán reconheceu a derrota e disse que “o resultado da eleição é doloroso para nós, mas compreensível”. Ele parabenizou o partido Tisza e afirmou que servirá ao país “mesmo na oposição.” “O peso da governança não pesa sobre nossos ombros no momento, e por isso é importante que também fortaleçamos nossas comunidades. E precisamos enviar uma mensagem a 2,5 milhões de eleitores de que não os decepcionaremos, declarou.

Orbán é do partido Fidesz, fundado em 1988 como um partido anticomunista, liberal e pró-integração europeia, sendo um dos rostos da geração antissoviética desde o fim dos anos 1980. A partir de 2010, o primeiro-ministro construiu o que ele chamou de “democracia iliberal”, visto por adversários e instituições europeias como uma erosão sistemática do Estado de Direito.
Com maioria de dois terços, o Fidesz aprovou uma nova Constituição em 2011, alterando centenas de leis, redesenhou regras eleitorais, antecipou aposentadorias de juízes, ampliou a presença de leais em instituições-chaves e fortaleceu o domínio governista sobre o sistema de mídia. Desde 2022, Orbán governou com frequência por decretos amparados em estado de emergência.
No plano ideológico, combinou nacionalismo, agenda anti-imigração, defesa de “valores cristãos” e confronto com pautas LGBTQ+, além de uma política externa de “abertura ao Leste”, com laços mais próximos de Rússia e China.
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