Viração promove terceiro encontro neste sábado (20/6)

Grupo de militantes que lutaram pela democracia na década de 1980 vai se reunir em evento festivo neste sábado no ADUFG

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A Viração, movimento estudantil que começou a partir do Congresso de Reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Salvador, capital da Bahia, no ano em que foi sancionada a Lei da Anistia (1979), vai reunir seus militantes em Goiás neste sábado (20/6), às 19 horas, no Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (ADUFG), localizada no Setor Vila Nova, em Goiânia.

O reencontro juntará novamente o grupo de pessoas que atuaram politicamente lado a lado na década de 1980 e que, agora, promove uma terceira atividade festiva. A ideia da terceira festa surgiu de uma reaproximação destes militantes que, em comum, compartilham a vontade de intervirem novamente no cenário político nacional. Atualmente, o Brasil passa por momentos conturbados e há claras ameaças às conquistas democráticas conseguida com muito sacrifício pelos brasileiros desta geração.

História de luta

A Viração, que surgiu em 1980, foi o nome da chapa para a presidência da UNE vencida por Aldo Rebelo, atualmente ministro de Ciências e Tecnologia do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A partir dessa mobilização nacional, o movimento estudantil conseguiu se unificar como tendência nacional. Jovens integrantes do PCdoB participaram da Viração, mas nunca houve vínculo entre a tendência e o partido do ideólogo João Amazonas. Tanto que, atualmente, os ex-militantes da Viração Goiás estão espalhados em sete partidos, como PCdoB, PT, PSDB, PSD, PSB, PV, PMDB, além do fato de que a grande maioria não tem militância partidária, como, aliás, sempre foi.

Nacionalmente, a luta da Viração começa na reconstrução do Movimento Estudantil brasileiro, a partir do Congresso de Reconstrução da UNE em Salvador, em 1979. Em Goiás, ainda em 1979, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Goiás (UFG) já seria disputado pelo grupo político que formaria a Viração estadual, numa chapa denominada Aroeira, que tinha Luiz Carlos Orro como candidato a presidente.

Em 1981, a Viração ganharia as eleições do DCE/UFG, elegendo Osmar Pires presidente e Denise Carvalho vice. Naquele mesmo ano foi deflagrada uma grande greve de estudantes. Para se ter ideia, a assembleia de deflagração da greve contou com a presença de mais de 4 mil estudantes. A pauta da greve foi construída em dezenas de assembleias nos vários cursos da UFG, que ao final produziram um documento apontando problemas da universidade e propuseram soluções para cada esfera — desde a direção do curso até o governo federal.

O Movimento Pula-Catraca, de 1983, época em que Denise já presidia o DCE, foi mais uma das grandes lutas protagonizadas pela Viração Goiás, com mais de 1,5 mil estudantes entrando diariamente sem pagar os bilhetes do transporte coletivo. No final, os estudantes conquistaram a meia-passagem.

O evento de amanhã será um encontro de amigos e companheiros para uma festividade, mas que vão fechar o compromisso de prosseguirem na luta libertária de muitas pautas sociais do País.

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Carlos Henrique da Silva

A Viração foi corrente política que atuou no movimento estudantil na década de 80. E lá encerrou as atividades.

A Viração hoje, é reencontro daqueles amigos militantes e só. Não há nenhuma pretenção de reorganização política da Viração. Cada um dos militantes seguiu seu rumo e ficou as amizades; por isso, os reencontros festivos eventuais.