Imagens registradas nesta segunda-feira, 25, mostram o momento em que jornalistas e equipes de resgate são atingidos por mísseis disparados por Israel contra o Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. O ataque em série deixou 20 mortos — entre eles cinco jornalistas — e dezenas de feridos, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo grupo Hamas.

O Hospital Nasser, o maior e único ainda em funcionamento na região sul de Gaza, foi atingido por dois mísseis israelenses. Testemunhas relataram à agência Reuters que houve um intervalo entre as explosões: a primeira ofensiva provocou mortes imediatas; a segunda ocorreu minutos depois, quando jornalistas e equipes de resgate prestavam socorro aos feridos e retiravam corpos do local.

Em um dos vídeos, gravado por um repórter dentro do hospital, é possível ver profissionais tentando socorrer vítimas do primeiro bombardeio. Uma segunda explosão interrompe a gravação, encoberta por poeira.

Segundo a Defesa Civil de Gaza, este foi o 26º ataque contra equipes de resgate desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.

As Forças de Defesa de Israel confirmaram o bombardeio e afirmaram não terem como alvo jornalistas ou civis. “Deixe-me ser claro: Israel não mira civis”, declarou um porta-voz militar. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como um “acidente trágico”.

Ainda assim, não houve explicação sobre o objetivo da operação nem sobre a presença de jornalistas e profissionais de saúde entre as vítimas.

Entre as vítimas, estavam profissionais palestinos que atuavam para veículos internacionais. A Reuters confirmou a morte do freelancer Hussam al-Masri e relatou que outro contratado, o fotógrafo Hatem Khaled, ficou ferido. A Associated Press (AP) e a emissora Al Jazeera também confirmaram perdas.

Israel proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, medida que contraria recomendações da ONU. Para contornar a restrição, agências e grandes veículos recorrem a repórteres palestinos locais, que estão mais expostos aos bombardeios.

Segundo o Sindicato de Jornalistas Palestinos, mais de 240 repórteres já foram mortos por forças israelenses desde o início do conflito, em outubro de 2023.

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