“Sou contra a baboseira da turma do Bolsonaro sobre voto impresso”, diz vice-líder da maioria na Câmara

Deputado federal José Nelto (Podemos) critica propostas do governo para reforma política e diz que não há real interesse do governo federal por reforma tributária

José Nelto, vice-líder da maioria e do Podemos na Câmara dos Deputados


Vice-líder da maioria e do Podemos na Câmara dos Deputados, o deputado José Nelto critica a conduta do presidente do Bolsonaro e do governo para a aprovação das reformas política e tributária no Congresso.  

Nelto qualifica de “baboseira” a proposta defendida pelo presidente e deputados bolsonaristas de extinguir as urnas eletrônicas na discussão da reforma política, que tem como relatora a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos.  

“Sou contra a baboseira da turma do Bolsonaro do voto impresso. Isso é retrocesso. Não existe em lugar nenhum. Daqui a pouco a turma dos bolsonaristas vai pedir a volta da cédula. Nosso sistema é seguro, anti hacker e está comprovado. Isso é uma narrativa que eles estão criando para conseguir ganhar eleição. Vão dizer que a eleição foi roubada”, afirma em entrevista ao Jornal Opcão.

O vice-líder da maioria condenou e considerou uma das “mais sérias ameaças” a fala do presidente Bolsonaro, em live publicada nas redes sociais na última quinta-feira, 6, de que “sem voto impresso, não haverá eleição”.

“O Brasil tem leis. Ele não é o Estado para dizer que não haverá eleição. Haverá eleições normais, sim. O Congresso não aceita ameaças, chantagens do governo, do presidente da República. Isso tudo é ele jogando para o ‘gado’ dele. O tempo todo, ele está jogando”, criticou o deputado.

O deputado federal do Podemos se posicionou favorável às reformas política e tributária, que são discutidas no Congresso Nacional. “É o momento. Temos eleições ano que vem, a reforma [política] terá que acontecer. Não temos outra alternativa”, afirmou.

Dentre as propostas inclusas na reforma política, Nelto apoia o distritão, que acaba com o modelo dos “puxadores de voto” e torna a eleição dos legislativos majoritária, como ocorre no executivo. Também defende o fim da reeleição, o mandato de cinco anos e, ainda, sugere a proposta de que quem já foi presidente da República não poder ser candidato novamente. Para ele, “a reeleição não renovou a classe política no Brasil”.

Uma outra proposta apresentada pela relatora da reforma, Renata Abreu, é a garantia de um porcentual de cadeiras nos legislativos, independente da cota de gênero para candidaturas.

“A representação feminina é muito importante para os parlamentos. Está claro o desejo da sociedade se sentir representada igualitária. Mas, quanto a obrigatoriedade das cadeiras, não. Tem que ser conquistado no voto popular”, se posiciona o parlamentar.

Para Nelto, a cota para candidaturas pode ser até de 50%. “30% é o mínimo”. Ele defende que é necessário q encorajar as mulheres a entrarem na política. “Se não cumpriu a cota, não concorre. Não pode concorrer com candidaturas laranjas, que é um ato criminoso”, opina.

Reforma tributária

Para Nelto, o governo federal não tem realmente trabalhado para realizar uma reforma tributária, que ele afirma ser necessária. “Hoje todos os recursos estão concentrados no governo federal. Quem tem que perder é ele. Você tem que discutir com os empresários. Eles estão dispostos a repassar essa carga tributária para a sociedade? Eu não vou criar nenhum tributo para penalizar a classe média e os mais pobres. O governo só quer criar o imposto, a volta da CPMF com nome francês, inglês ou alemão, que ninguém entenda que imposto é esse”, condena o parlamentar.

“Só há isso na cabeça do [Paulo] Guedes. O único objetivo deles [governo federal] é esse, o imposto digital. Em hora nenhuma ele se interessou pela reforma tributária. Ele pode simplificar agora o FGTS, PIS, Pasep. Isso passa [no Congresso]. Agora, a reforma profunda que o governo deveria empenhar é o que Biden faz nos EUA. É cobrar um pouco mais de impostos de quem ganha mais”, argumenta Nelto.

 

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