Veto a renomeação da Castelo Branco não estremece MDB, diz Henrique Alves

Apesar de receberem orientação para votarem a favor da derrubada do veto que rejeitou a substituição renomeação da Avenida Castelo Branco para Avenida Iris Rezende Machado, três dos cinco emedebistas foram contrário a proposta

A possibilidade de um impacto negativo na bancada emedebista na Câmara Municipal de Goiânia, após a manutenção do veto à renomeação da Avenida Castelo Branco para Avenida Iris Rezende Machado para homenagem do político tomou conta dos bastidores. Isso, porque após a manutenção do veto, o líder da bancada, Clécio Alves (MDB), renunciou a liderança e surpreendeu os próprios pares. Henrique Alves (MDB), no entanto, que votou a favor da manutenção do veto, discorda de qualquer tipo de estremecimento.

Na votação de ontem, dos membros do MDB, apenas Clécio Alves e Izídio Alves votaram a favor da alteração do nome. Henrique Alves, Anselmo Pereira e Kleybe Morais foram contrários a mudança e Dr. Gian não votou. Tal cenário negativo à renomeação do nome ocorreu mesmo após a orientação de Clécio para que todos os emedebistas da Casa votassem em prol da derrubada do veto do prefeito. Ao se sentir desrespeitado, o líder abandonou o cargo.

Para Henrique Alves, no entanto, o episódio não foi suficiente para estremecer a relação dos vereadores da bancada. Até porque, segundo ele, no dia anterior, o líder do MDB na Câmara havia orientado seus colegas a votarem “de acordo com o seu entendimento”. No entanto, é preciso lembrar que o clima da votação em plenário foi acalorado, cheio de discussões, e ocorreu em meio a protestos de comerciantes da Avenida Castelo Branco, que portavam faixas com a denominação “Agrovia Castelo Branco”.

Ao Jornal Opção, Henrique admitiu não ter entendido o porquê de seu colega ter chegado ao ponto de renunciar e ainda caracterizou a situação e a orientação de voto como ‘parcial’,, uma vez que quem propôs a alteração do nome, inicialmente, foi o próprio Clécio Alves. Ao ter colaborado para a manutenção do veto à proposta, Henrique justifica seu posicionamento ao afirmar que não houve uma orientação específica e oficial do partido quanto ao voto.

Apesar disso, Daniel Vilela, que é presidente do MDB goiano e pré-candidato à vice-governador por Goiás, não deixou de defender o legado de Iris e caracterizar como “lamentável” o fato de os vereadores de Goiânia terem rejeitado o projeto que daria o nome de Iris à avenida. “A Câmara erra – e principalmente os vereadores do MDB -, ao não conceder tal honraria àquele que tanto fez por Goiás e por Goiânia. Se existe em Goiás algum nome mais apropriado para batizar uma agrovia (dado o perfil comercial daquela via) do que Iris Rezende, eu desconheço. Foi um dos maiores ministros da Agricultura da história do País, reconhecido internacionalmente pela modernização do setor”, pontuou o presidente.

O próprio posicionamento da família de Iris, segundo Henrique, foi outro motivo que levou o vereador a ser contrário a alteração. Apesar de as filhas do ex-governador de Goiás já terem defendido a mudança ao Jornal Opção, o emedebista ressaltou manifestação dos familiares de Iris, afirmando que eles “não estão de acordo com uma mudança que causou tanta discórdia”. “O próprio prefeito não iria gostar de uma homenagem que causasse discórdia”, garantiu Henrique.

Ele, inclusive, garantiu que o próprio Iris Rezende não estaria de acordo com a mudança, uma vez que o ex-prefeito de Goiânia chegou a vetar uma proposta similar, da vereadora Tatiana Lemos, para a mudança do nome da Avenida Castelo Branco para Avenida Deputado José Porfírio”. O projeto, no entanto, foi proposto pela parlamentar durante o governo Paulo Garcia e, de acordo com informações do site da própria Câmara Municipal, foi arquivado pela própria autora em 2020.

Outro ponto ressaltado pelo vereador foi a falta de prazo de mudança do nome nas documentações estabelecida pela matéria. “Sem um prazo, os milhares de comerciantes da Castelo Branco ficariam irregulares do dia para a noite e isso poderia prejudicar financiamentos em andamento e uma série de situações que precisam ser previstas antes de um projeto desse tamanho”, complementou. Ele ainda ressaltou não ser a favor a uma homenagem ao Castelo Branco, mas que mudanças desse nível precisam ser realizadas com cautela.

Como novo líder do governo na Câmara de Goiânia, mesmo sendo do MDB, Anselmo Pereira orientou a base do prefeito Rogério Cruz (Republicanos) – que vetou o projeto – a votarem de forma livre. Logo após a sessão ordinária, alguns emedebistas manifestaram opiniões sobre a decisão. Quem também se manifestou foi o ex-vereador Andrey Azeredo (MDB), que caracterizou como absurda a manutenção do veto de Rogério Cruz. “Por covardia ou por qualquer outra razão, o que se viu hoje foi a manutenção do nome de uma avenida que homenageia um personagem obscuro como a ditadura, ao passo que Iris, que tanto fez por Goiânia, foi um ferrenho defensor da democracia”, escreveu o parlamentar”, afirmou.

Apesar da divergência de opiniões quanto a forma de homenagear Iris Rezende, opções não faltam para que se decida. Nas últimas semanas, o acréscimo do nome do político na Avenida Anhanguera ressurgiu na pauta de votações da Câmara Municipal de Goiânia, mas não foi votado. Do mesmo modo, permanece parada na Câmara Federal a mudança de nome do Aeroporto Internacional de Goiânia – Santa Genoveva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.