Vestido de gari, profissional da Comurg ganha dez no TCC que trata sobre as mulheres da categoria

Luciano Diniz colheu depoimentos e fotografou 30 mulheres que atuam na limpeza urbana de Goiânia

Foto: Reprodução

Luciano Magalhães Diniz tem 44 anos e se graduou em jornalismo recentemente em Goiânia. Até aqui, nada de mais. Porém, o estudante, que apresentou um trabalho de conclusão de curso sobre a invisibilidade dos garis, foi à faculdade apresentar sua monografia com as roupas de sua profissão, que é justamente o tema de seu estudo.

Ele, que utilizou o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para garantir a graduação e colou grau na última terça, 27, chorou após receber a nota dez dos três professores da banca. Para compor o trabalho, entrevistou e fotografou 30 trabalhadoras da limpeza urbana da cidade, suas colegas. “Sempre me preocupei primeiro em pagar a escola dos meus filhos. Não acreditava que o Fies seria possível para mim pelas exigências do programa”, revelou ao Estadão.

Comurg

Luciano foi aprovado no concurso da Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia (Comurg) em 2006. Assim que começou a atua, se dedicou à jardinagem. “Passei a enxergar uma cidade que a gente olha, mas não vê. Queria ser um caminho para mostrar o valor do que um gari faz”, disse ele, que começou a fotografar os jardins cuidados pelos trabalhadores da categoria.

O esforço foi logo percebido e ele migrou para a assessoria de imprensa da Comurg e despertou, também, o desejo de escrever.

TCC

Já na faculdade, Diniz quis mostrar um olhar positivo sobre as garis, suas colegas. Segundo ele, estas mulheres se organizam, têm casa, ajudam a comprar o carro da família, cuidam dos filhos e netos, das plantas e das praças e se orgulham disso. “Saem cantando pela rua, mesmo quando alguém nega um copo de água limpa”.

A pesquisa do hoje jornalista foi intitulada “Sou Mulher, Sou Gari”. O intuito foi mostrar o que elas representam para sua família e para a sociedade em geral, além de mostrar como elas sobrevivem com o salário que ganham.  

Luciano também apontou mais que isso. “Ao passar por uma gari, poucos sabem que elas são vaidosas e também estão cheias de sonhos e realizações pessoais com uma história de alegria e muitas conquistas”.  Para ele, o TCC também tem o intuito de mostrar importância dessas personagens e de acabar com a discriminação e machismo quanto a categoria.

Em Goiânia

Na capital, são cerca de 3 mil garis, sendo 2,7% trabalhadoras. Ele colheu depoimentos e fotografou 30 mulheres.

Ao Estadão, a prefeitura de Goiânia informou que essas profissionais andam cerca de 3,6 quilômetros lineares por dia, enquanto empurram um carrinho com capacidade para 150 litros e que pesa 22 quilos quando está vazio.. Elas têm jornada de 44h semanais.

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