Vereadores vetam entrada de água e comida na Câmara de Goiânia, mas servidores da educação insistem na ocupação

Legisladores aprovaram requerimento que impede a entrada de qualquer pessoa que não seja autoridade municipal ou representante da Justiça a partir desta sexta-feira (13/6) na Casa. Manifestantes também estão sem energia desde o dia da ocupação

Foto: Demian Duarte

Foto: Demian Duarte

Mais um capítulo no embate entre os vereadores e os trabalhadores da educação da rede municipal de Goiânia, em greve desde 26 de maio. Ocupando o plenário da Câmara Municipal desde a terça-feira (10/6), agora os legisladores aprovaram um requerimento determinando a proibição da entrada de qualquer pessoa que não seja autoridade municipal ou representante da Justiça a partir desta sexta-feira (13/6).

Com a decisão, os grevistas sofrem com escassez de água e comida. Além disso, eles já se encontravam sem energia elétrica desde o dia da ocupação.

Um dos professores que integra o Simsed diz que a situação dos trabalhadores da educação na Casa é sub-humana, mas reitera que eles não vão deixar o local até que o prefeito Paulo Garcia e os vereadores deem uma resposta concreta às suas reivindicações.

Outra professora, que faz parte da ocupação, diz que há cerca de 100 servidores na Câmara. Ela conta que os grevistas estão “se virando como dá” para lidar com a situação imposta. Segundo ela, uma nova assembleia dos professores está marcada para esta segunda-feira (16/6), às 8h.

O presidente da Câmara Municipal, Clécio Alves (PMDB), explicou que o requerimento foi apresentado por ele mesmo e aprovado por 22 dos 24 legisladores – os votos contrários foram de Djalma Araújo (SDD) e Elias Vaz (PSB). O motivo, relata, seriam supostos comportamentos hostis dos ocupantes, como agressões verbais a vereadores e ameaças.

“Ontem [quinta-feira, 12] eles agrediram um guarda”, afirmou. “Também estipularam um prazo para que atendêssemos às reivindicações ou então começariam a quebrar tudo por lá.” Os professores negam.

Além dos fatores apontados, Clécio pontua como outro motivo para a atitude o fato de os professores já terem afirmado que não vão acatar decisão judicial que decretou a reintegração de posse da Câmara em favor dos vereadores. A decisão foi proferida nesta quinta-feira pelo juiz Fabiano Abel de Aragão Fernandes, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Registros Públicos de Goiânia.

Os professores reivindicam o cumprimento integral do acordo firmado para o fim da paralisação de 2013, que durou quase um mês, além de uma audiência com o prefeito Paulo Garcia (PT). A ocupação do plenário se deu na ocasião em que o pedido de abertura de comissão processante para analisar o pedido de impeachment do petista foi rejeitado pelos vereadores. Nesta quarta (11), durante pronunciamento à imprensa, Paulo Garcia disse que o pedido de cassação de seu mandato, feito por dois professores, foi uma tentativa de golpe e que os servidores não têm o que reivindicar.

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