Vereadora denuncia más condições no Caps Esperança em Goiânia

Segundo Priscilla Tejota, o Centro de Atenção Psicosocial está abandonado pelo poder público

Vereadora denuncia más condições no Caps Esperança em Goiânia
Foto: Reprodução

A vereadora Priscilla Tejota (PSD) protocolou um requerimento junto à Câmara Municipal de Goiânia, solicitando à secretária de Saúde, Fátima Mrué, esclarecimentos acerca de irregularidades no Centro de Atenção Psicosocial (Caps) da Capital.

De acordo com a denúncia da vereadora, o Caps Esperança encontra-se abandonado pelo poder público. Priscilla apontou os principais problemas do lugar, como mato alto, mofo, falta de alimentação, escassez de funcionários, alimentos e medicamentos.

“Nos sensibilizamos muito com essa denúncia que chegou à Comissão de Saúde da Casa, da qual sou presidente. Além do descaso com a unidade que faz o atendimento dos pacientes, nós nos deparamos com o abandono total das residências terapêuticas, onde os pacientes psiquiátricos ficam instalados para o tratamento”, declarou a vereadora.

A parlamentar pontuou que na ala masculina havia apenas uma técnica de enfermagem, que inclusive estaria desempenhando funções que não eram de sua incumbência, como cozinhar, lavar e passar. “Ela [técnica de enfermagem] realizou esse desvio de função por compaixão, ao ver os pacientes sem atendimento”, disse.

Priscilla ressalta que no espaço destinado às mulheres, a situação era pior. “As pacientes estavam usando o dinheiro de sua aposentadoria para contratar cuidadores particulares, porque não tinha servidores na casa”, relatou.

Sobrecarga

Os [poucos] servidores do Caps estavam fazendo compras com o próprio dinheiro, já que na geladeira tinha apenas margarina, água, ovos e mandioca, declarou a vereadora. Priscilla lembra que a unidade tem convênio com o Governo Federal, o qual custeia os gastos num valor de R$ 30 mil. Assim, a contrapartida da prefeitura seria apenas com o aluguel do prédio e o pagamento dos servidores.

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“Estamos cuidando de no máximo 30 pacientes, 15 homens e 15 mulheres, com esse descaso”, lamentou a vereadora. O requerimento destinado ao presidente da Câmara, Romário Policarpo (Pros), solicita, ainda, a mudança de localidade do Caps, tendo em vista que o prédio está totalmente fora das condições mínimas de atendimento.

Priscilla falou ao Jornal Opção que a Saúde em Goiânia, em um contexto geral, nunca teve esse retrocesso tão grande. “Não adianta a secretária ou o prefeito dizerem que está tudo bem, na prestação de contas os números foram evidentes”. E conclui: “2017 foi o pior ano dos últimos 20 para a Saúde, com apenas 37% de cobertura. Os PSFs estão sem atendimento, sendo que o objetivo da saúde municipal é aumentar a assistência básica. Estamos bem abaixo da média nacional”, lamentou.

A reportagem está aguardando resposta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre o caso. A Secretaria Estadua de Saúde (SES) disse que “trabalha para manter os repasses ordinários, ou seja, aqueles que se referem ao ano de 2019, aos municípios. Os valores têm sido pagos no mês subsequente ao trabalhado, como, por exemplo, os de janeiro e fevereiro, que foram realizados em fevereiro e março, respectivamente.”

De acordo com a Pasta, “foram feitos repasses para cofinanciamento de serviços de saúde mental, como, por exemplo, R$ 163 mil reais ao município de Aparecida de Goiânia, R$ 172 mil reais à Goiânia, R$ 52 mil à Anápolis e cerca de R$ 56 mil à Rio Verde”.

Já com relação as débitos herdados, a SES argumenta que “é totalmente impraticável arcar, em tão pouco tempo, com dívidas de meses ou anos, apesar de todo empenho para angariar recursos junto ao governo federal, a fim de reequilibrar as finanças ao longo desta gestão”.

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