Vereadora denuncia indício de fraude em contratação de empresas de publicidade pela gestão Iris

Prefeitura de Goiânia estima gastar R$ 20 milhões com publicidade em um ano

Foto: Lívia Barbosa | Jornal Opção

A vereadora Sabrina Garcêz (PTB) usou a tribuna da Câmara Municipal de Goiânia, nesta terça-feira, 25, para fazer uma denúncia inusitada. A parlamentar mostrou uma mensagem cifrada publicada em um jornal da capital, no dia 21 de março de 2019, que dizia: “Aos Comandantes de Gyn. Propagandeia que sua Casa Brasil estará quase Full e cheia de Stylus. Pode ser que um convidado mude mas permaneça cheia e estilosa.”

A mensagem, aparentemente sem sentido, pode ter sido um anúncio do que viria a acontecer no dia 18 de junho deste ano, quando foi feito o julgamento das propostas técnicas para a contratação de três agências de publicidade para a gestão municipal. O edital 001/20019 da Semad, traz as empresas Stylus Propaganda, Full Propaganda e Casa Brasil Comunicação nos três primeiros lugares. “Ou seja, no mínimo indício de algo muito errado, pois no dia 21 de março já tinha sido publicado o resultado da licitação, que ainda não foi homologada”, alerta Sabrina.

A parlamentar lembra que mais de 10 empresas foram desclassificadas e outras três foram aprovadas com uma nota muito inferior às três primeiras. “A contratação está na fase de recursos, mas quem conhece os trâmites de uma licitação sabe que passando essa fase já ocorre a homologação e não há nada a se fazer”, afirmou Sabrina, reivindicando a necessidade de uma investigação rigorosa sobre o caso.

Ela lembra ainda que tais empresas, estranhamente ou não, sempre estiveram próximas ao prefeito Iris Rezende (MDB). “Sabem de quem é a empresa Stylus? Hamilton Carneiro, amigo histórico do prefeito Iris.  A Full Propaganda tem em seu contrato social o nome da esposa do Braga, que inclusive era um dos mentores da campanha do prefeito Iris. E a Casa Brasil? Ela fez a campanha de vereadores ligados ao prefeito. Quantas coincidências né?”, questionou Garcêz.

“Temos que ficar atentos ao que está acontecendo, pois isso é um indício de fraude e direcionamento de licitação. Faço o requerimento para que a prefeitura de Goiânia responda com urgência para sabermos se houve ou não direcionamento. Não podemos deixar essas coincidências sem averiguação um ano e meio antes da eleição”, pontuou.

As vereadoras Priscilla Tejota (PSD) e Dra. Cristina (PSDB) fizeram coro à Sabrina e pediram esclarecimentos sobre a licitação. “É uma denúncia grave e merece ser encaminhada ao Ministério Público antes que a licitação seja concluída”, disse Priscilla. Já a Dra. Cristina lembrou que isso acontece em um período pré- eleitoral, onde se aponta que muitos, na verdade, já estão em campanha.

Sabrina disse que, além do MP, a denúncia será encaminhada ao Tribunal de Contas. Ela solicitou ao presidente da Casa, Romário Policarpo (Pros), que seja instalada uma Comissão Temporária para acompanhar a licitação.

Outro lado

O representante da Stylus, Hamilton Carneiro, rechaçou a fala de Sabrina e ressaltou que a documentação e dados relativos ao andamento da licitação estão expostos e podem ser acompanhados por qualquer pessoa. Sobre a mensagem com o suposto resultado do certame, ele diz que, “essas cartas cifradas já perderam a credibilidade há muito tempo. Na minha opinião foi um chute, pois não tem fundamentação e dá brecha, inclusive, para resultado diverso ao indicar que uma pode sair”, argumentou. 

Sobre o comentário de que a Stylus poderia ser beneficiada pela sua “amizade histórica” com o prefeito, Hamilton declarou que Iris não estragaria sua história de vida pública com algo tão pequeno. “Eu sou amigo do Iris, fiz algumas de suas campanhas, mas não faço campanha pra ele há muito tempo. Também tenho amizade com o Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, são amizades construídas pela convivência no decorrer da história”, explicou.

Sobre quem teria publicado a mensagem cifrada, Carneiro diz que recebeu algumas informações de que teria partido de uma agência que presta serviço atualmente para a Prefeitura. “Mas não tenho interesse em entrar nesse assunto”, finalizou. 

A Full Propaganda também se posicionou e ainda alegou que a fala teria sido plantada por outra agência: “Lamentamos a fala da vereadora, que aponta uma nota folclórica, paga possivelmente por alguma agência que tenta tumultuar e atrasar o processo licitatório, com objetivos, estes sim, a serem entendidos”.

“Este certame merece elogios pois até o momento se mostra impecável quanto à observância dos procedimentos legais e previstos no edital. A fala equivocada, lamentavelmente ainda menciona pessoa que não faz e nunca fez parte do quadro social da empresa, além de diversas colocações errôneas quanto aos tramites do processo licitatório em questão, que é público e pode ser consultado e acompanhado por qualquer pessoa”, completou.

Sobre a nota cifrada disse: “Como bem pontuou a ilustre, a nota foi publicada dias depois da sessão pública de abertura, o que permitiria de forma simples, ao responsável pela nota, fazer combinações de resultados, dentre as empresas ali presentes, e publicar em diversos veículos espalhados pelo país, o que tornaria impossível descobrir a existência de outras notas como está, e após resultado, utilizar o que melhor se aproximasse do resultado técnico do certame”.

E encerrou: “Nossa empresa atua há mais de 15 anos no mercado atendendo grandes clientes em todo país e trabalhou duro durante semanas para apresentar uma proposta de alta qualidade técnica, a licitação é pública e qualquer empresa que atenda aos requisitos do edital pode participar, assim como nós o fizemos.”

A Casa Brasil Comunicação Estratégica informou, por meio de nota, que estranha que uma nota apócrifa, sem provas,  seja motivo de uma denúncia. “Trata-se de texto dúbio, que permite supor os nomes de algumas agências e, ao mesmo tempo, permite supor que estes nomes podem ser trocados ou substituídos. E mais: nota semelhante, com nomes de outras agências, poderia ser plantada em outros veículos e apresentada agora para igual denúncia”.

“Estranha o fato de a vereadora Sabrina Garcez indicar como um fator de suspeição o fato de a agência atender políticos com alguma proximidade à gestão municipal. Somos uma empresa de mercado, onde o principal expertise é o marketing político e de gestão, e que, por isso, atende a políticos e gestões de todos os partidos”.  

Por fim, a Casa Brasil afirma que os documentos de todo o processo, dada a transparência como foi conduzido, estão à disposição de todos, especialmente das agências concorrentes, para verificação sobre a qualidade do material apresentado para a licitação. 

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