Vereador diz que Uber de Goiânia é “do Paraguai”

Serviço na cidade é 30% mais barato que o convencional e aceita, ao contrário do original, carros de qualquer cor em modelos a partir de 2008

Vereador acredita ser injusto que taxistas tenham que seguir legislação e motorista do Uber, não | Foto: Alberto Maia

Vereador acredita ser injusto que taxistas tenham que seguir legislação e motorista do Uber, não | Foto: Alberto Maia

O Uber começou a operar em Goiânia nesta sexta-feira (29/1) e, como em todos os lugares em que o serviço foi implantado, já causa polêmica. A modalidade do aplicativo que chegou à capital é, no entanto, diferente. Trata-se da uberX, 30% mais barata que a tradicional e sem a exigência de carros sedan pretos, como no original.

Mais em conta, o uberX compete diretamente com o táxi convencional e representa uma ameaça ainda maior para os taxistas. Por isso, o vereador Djalma Araújo (SD) já disparou contra o novo serviço, que batizou de “Uber do Paraguai”. O apelido dado pelo parlamentar se justifica, além de pelo fato de o aplicativo aceitar carros de qualquer cor, também permitir carros mais antigos, a partir de 2008.

Segundo ele, além disso, a implantação do aplicativo é ilegal e não houve discussão com a categoria. Em agosto de 2015, Djalma apresentou um projeto de lei que proibia o serviço em Goiânia, mas o retirou porque faltou engajamento dos motoristas e debate com a sociedade: “Os próprios taxistas não estavam interessados no debate”. “A categoria estava dividida e pouco mobilizada”, lamentou.

Em fevereiro, Djalma vai propor uma audiência pública para que todos os interessados, inclusive os responsáveis pelo Uber, possam se manifestar. Para ele, é errado que o serviço funcione em Goiânia porque não está sujeito à mesma legislação dos taxistas: “Taxista é legal, paga seus impostos em dia, enquanto esses aí não têm lei pra seguir”.

Djalma também acredita que a discussão vai ser complicada porque os próprios taxistas não estão fazendo oposição clara ao aplicativo. Ele conta que muitos motoristas auxiliares, aqueles que trabalham para o dono do ponto de táxi, estão migrando para a novidade, que paga muito melhor. De acordo com informações do vereador, o próprio sindicato teria articulado a vinda do uberX para a cidade.

Um novo projeto sobre o tema, apresentado pelo vereador Carlos Soares (PT), propõe que a utilização de carros particulares para o transporte remunerado de pessoas em Goiânia seja proibida e deve ser apreciado em fevereiro. O Uber seria diretamente afetado pela proposta. Para Djalma, a lei sugerida por Soares só atende a categoria dos taxistas.

“Já são 150 motoristas atuando em Goiânia”, ressaltou Djalma, defendendo que seria muito difícil banir o aplicativo da cidade. Para o parlamentar, o ideal é chegar em um consenso entre as partes envolvidas.

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