Vereador da base de Paulo Garcia faz pedido que atrasa mais uma vez a votação da reforma administrativa

Felizberto Tavares (PT) afirma que a Casa deve esperar o parecer do Ministério do Trabalho quanto à extinção da Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda

Felizberto Tavares (PT) / Foto: Alberto Maia

Felizberto Tavares (PT) / Foto: Alberto Maia

A votação do projeto do prefeito Paulo Garcia (PT) sobre a reforma administrativa sofre novamente com o atraso. Após discussões na Câmara Municipal referentes ao não comparecimento de Nelcivone Melo e a situação da Comurg, foi colocado em apreciação o projeto do petista, para em seguida ser votado nesta quarta-feira (30/4). Entretanto, Felizberto Tavares, integrante da base do prefeito, fez um pedido de vistas aprovado por 16 votos a 11. A votação do projeto se estende mais uma vez, e passa para a próxima semana.

Quando o pedido de vistas foi feito, a líder do governo na Casa, Célia Valadão (PMDB), usou a bancada para pedir a todos os integrantes da base que votassem negativamente ao projeto. A peemedebista havia afirmado na semana passada que o projeto deveria ser aprovado até no máximo a última terça-feira (29/4), o que não aconteceu, mesmo depois de horas de discussão. “Temos que atender à orientação que nos foi dada para agilizar essa votação.”

As falas de Célia Valadão foram recebidas com vaias pelos presentes na galeria, entre eles garis, representantes da Secretaria de Turismo (Setur) e Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda (Setrab), que segundo o projeto também serão extintas. Mesmo sob vaias, a peemedebista pediu mais uma vez, antes da votação, que o pedido de vistas fosse negado e o projeto votado. O que não aconteceu.

Aguardando o Ministério do Trabalho

De acordo com Felizberto, o pedido foi feito para que aguardassem o parecer do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O petista diz temer que a extinção da Setrab cause o suspensão dos convênios, perdendo então a verba do governo federal.

Na última quinta-feira (24) o vereador Paulinho Graus foi à Brasília para uma reunião com o ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT). O parlamentar pediu agilidade na emissão de parecer jurídico a respeito da possível extinção e fusão da Setrab no projeto de reforma administrativa. Felizberto afirma que a intenção dos vereadores é ter certeza de que nenhum trabalho será prejudicado e que a verba será repassada. “Já pensou se a gente aprova esse projeto sem saber isso, e depois os convênios forem rompidos além do Ministério do Trabalho dizer que Goiânia não irá receber mais a verba do governo federal? Não podemos fazer isso.”

Felizberto também questiona o fato do projeto estabelecer que a secretaria teria sua administração repassada à Secretaria de Indústria e Comércio (Semic). “Vai trabalhar com os interesses de patrão e empregado no mesmo lugar? Não dá! Por que não passa então para a Secretaria de Assistência?”, propôs.

Interrogado se não acreditava que este seu pedido poderia causar desconforto dentro da base ou causar problemas para o vereador, já que vai contra as orientações do prefeito, Felizberto respondeu: “Antes de ser da base, sou do povo. Não tenho receio de que vá acontecer represália.”

Paulo Magalhães chama Célia Valadão de “sem vergonha” e a vereadora saiu chorando do plenário

Célia Valadão / Foto: Alberto Maia

Célia Valadão / Foto: Alberto Maia

A discussão dos vereadores Paulo Magalhães (SDD) e Célia Valadão terminou em choro. Ao fim da sessão, a vereadora usou a bancada para esclarecer algumas questões das quais foi acusada pelo integrante do Solidariedade mais cedo na sessão. As informações de bastidores é que a vereadora peemedebista irá pedir para sair da liderança do governo na Câmara.

Paulo Magalhães usou a tribuna para dizer que um vereador da liderança estaria indo ao prefeito Paulo Garcia dizer sobre o que estava acontecendo na Câmara. “Me chamaram a atenção porque essa liderança sai daqui e vai lá fofocar para o prefeito sobre quem não está apoiando o projeto dele.” Um tempo depois, o vereador disse à imprensa presente no local que era a vereadora Célia Valadão que fazia isso, e disse: “Ela é sem vergonha. Sai daqui e vai direto nele, falar tudo”. O integrante do Solidariedade ainda completou: “Não tenho compromisso com o prefeito. Ele não me ajudou a me eleger.”

A vereadora respondeu à imprensa que não faz aquilo do qual Paulo Magalhães a acusou. “Primeiro que o prefeito fica sabendo de tudo que acontece aqui em tempo real.” Célia Valadão ainda sustentou que segue as orientações de Paulo Garcia em tentar agilizar as votações dos projetos. “É uma orientação dele, que agilizemos a votação de todos os projetos, e é isso que eu tento fazer.”

Um pouco antes de Clécio Alves encerrar a sessão, Célia pediu espaço e disse que “algumas pessoas tentavam denegrir sua imagem”. “Quero esclarecer que eu não saio daqui e vou direto no gabinete do prefeito, contar coisas para ele.” Paulo Magalhães respondeu a vereadora, e os dois começaram uma discussão. Sempre que Célia começava a falar, era vaiada pelas pessoas que se encontravam na galeria. Ao fim, disse que desta vez iria ao prefeito transmitir sua preocupação. “Eu não tenho que justificar meu trabalho, mas só queria deixar alguns pontos claros.” Segundo informações de um assessor político que estava fora do plenário, a vereadora ao sair do local deixou as lágrimas escorrerem.

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